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    09/01/2020 09h20 - Atualizado em 09/01/2020

    A ascensão de Adam Driver

    Ator Adam Driver vive momento especial na sua carreira e pode ser visto em duas prestigiadas produções: "Star Wars - A Ascensão de Skywalker" e "História de Um Casamento"

    Adam Driver tem um rosto enigmático, como de uma esfinge. Não digo isso por causa das suas características inusitadas, embora seu nariz comprido e suas verrugas e sardas certamente tenham dado a Driver um semblante fora do comum. É mais pelo fato de ele ser uma pessoa tão firme que, quando alguma emoção consegue escapar – através de um brilho nos olhos ou a imprevisível ondulação de sua voz –, essa transgressão pega você de surpresa.

     

    O que é verdade, não importa quantas vezes você o veja, e em 2019 você deve tê-lo visto muitas vezes. No segundo trimestre do ano, Driver será visto simultaneamente em Burn This, na Broadway, e em Os Mortos Não Morrem, um filme de zumbi de Jim Jarmusch. E três outros filmes foram lançados nos últimos dois meses: The Report, em que ele interpreta um funcionário do Senado que investiga o uso de tortura pelo governo, Star Wars: A Ascensão Skywalker, sua terceira e última aparição como o atormentado Kylo Ren, e História de Um Casamento, em que interpreta um diretor de teatro numa disputa pela custódia do filho com sua ex-mulher.

     

    Foi durante um clipe desse último filme que eu vi Adam Driver se assistindo no Gotham Awards em Nova York, no início de dezembro, quando foi indicado para o prêmio de melhor ator. Assistir ao seu próprio trabalho não é uma de suas atividades favoritas, disse-me ele naquele dia. Ele se desgasta com o que percebe como erros que cometeu, embora saiba que, no fundo, isso ocorre com o trabalho de qualquer pessoa, e são as imperfeições que ele considera sempre mais fascinantes.

     

    Driver, 36 anos, até agora tem evitado assistir a todas suas aparições na tela, seja em Girls, a série da HBO que deu a ele seu papel de grande sucesso, ou nos filmes em que trabalhou com diretores de prestígio, como Martin Scorsese, Steven Spielberg e Spike Lee. História de Um Casamento entra nessa categoria.

     

    Na entrega dos prêmios Gotham, quando Jennifer Lopez apresentou os indicados para melhor ator, foi exibido um clipe de História de Um Casamento, quando o personagem de Driver finalmente encara seriamente a possibilidade de perder a custódia do filho. “Ele precisa saber que lutei por ele”, diz, cada vez mais agitado. Na minha frente, sentado em uma mesa com seus companheiros do filme, o Driver real assistiu ao clipe e parecia impassível, uma esfinge.

     

    Estava ele contente com o que viu de si mesmo, ou se perguntava por que as escolhas que fez estavam gerando tanta aclamação nessa temporada de prêmios? Bem, não houve tempo para se preocupar com isso. Momentos depois Jennifer anunciou seu nome como o vencedor do prêmio.

     

    Na manhã daquele dia, no Greenwich Hotel, quando a neve começava a cair do lado de fora, Driver degustava um café e refletia sobre os meses de aparições em entregas de prêmios com possibilidades de ser contemplado por História de Um Casamento – ele foi indicado para o Golden Globe e também para o Screen Actors Guild Award e deve ser um dos candidatos ao Oscar quando os nomes forem anunciados em 13 de janeiro.

     

    No ano passado, ele foi indicado para o Oscar por sua atuação no filme de Spike Lee, Infiltrado na Klan, como o detetive judeu que ajuda o colega negro a se infiltrar na organização. “É muito agradável”, disse ele, referindose à indicação ao Oscar. “Não tenho controle disso.” A única maneira que ele conseguiu metabolizar esse tipo de reconhecimento é achar que sua indicação faz parte do esforço de uma equipe.

     

    Pessoalmente, Adam Driver é aquela figura polida, mas com uma conduta firme do Marine que foi antes de frequentar a Julliard. “Acho que todo mundo, em qualquer profissão, deseja aprovação”, disse ele, embora se perguntando se esse desejo não seria arriscado para atores admitirem, uma vez que têm pouco a esconder. “Não sou separado daquilo que sou. Não tenho um instrumento, não toco violoncelo. Trata-se de você apenas, de um certo modo. O que o torna mais vulnerável.”

     

    Pelo menos, ele estará na premiação ao lado de Baumbach, o diretor que se tornou seu mais frequente e confiável colaborador. Eles vêm trabalhando juntos desde Frances Ha, em 2012, quando Baumbach se apaixonou pela maneira como Driver conseguiu dar vida inesperada às suas frases. (Kyle Buchanan/TNYT)

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