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    08/01/2020 09h20 - Atualizado em 08/01/2020

    Dia a Dia: A Velha São José da Barra

    Sebastião Wenceslau Borges - Especial para a Folha

    Sempre estou conversando com José Guilhermino, meu colega de classe na Unabem, ele, nascido na Velha “São José da Barra”. Entre vários bate papos já disse a ele que no fim do ano de 1962, um pouco antes das águas do Rio Grande inundar tudo ali, estive lá em sua terra natal. Ele, que sempre está lendo meus textos, me pediu para escrever algumas coisas que presenciei antes daquela cidade ser naufragada pelas águas do Rio Grande, quando da inauguração da barragem de Furnas.


    Foi na época em que um colega, Altivo, que morava em Passos na casa dos avós para estudar, me convidou para passar um fim de semana na fazenda de seus pais, que ficava nas imediações da Barra Velha. E um dos motivos de nossa ida era a chegada para um pouso de uma Companhia de Reis em sua casa! Saímos no sábado de manhã da rodoviária, que era na Praça do Rosário, (local hoje da Casa da Cultura) numa Jardineira, para chegarmos a tempo para o almoço. Descemos da Jardineira na entrada da cidade numa barreira e seguimos a pé (era perto) até a fazenda de seus pais. Depois de um bom almoço e de desfrutar de várias frutas do pomar juntamente com seu irmão Paulo, presenciei na sala de sua casa uma reunião de seu pai com vários sitiantes e o assunto era a preocupação quando as águas iam chegar inundando tudo aquilo. O que seria feito o mais rápido possível das criações e como se daria as indenizações das terras. À tarde, terreiro de frente da casa com muitos bancos, cadeiras e tamboretes para vizinhos e convidados esperarem a chegada da Companhia de Reis. Num certo momento ouvimos uma batida de caixa: era a Folia que apontou, tendo à frente a bandeira com a estampa dos Reis Magos, seguida pelos dois palhaços rodopiando, dando saltos, e logo atrás, num ritmo autêntico das Folias, os músicos com os demais instrumentos. Os pais do Altivo foram até a porteira para receber a bandeira, com os palhaços dançando, abrindo caminho para a passagem dos demais foliões. Antes de entrarem na casa, com fogos pipocando no ar, começaram a cantoria, saudando os donos da casa pela hospedagem. Depois que a bandeira passou pelos cômodos da casa, a fim da proteção divina, os componentes da Folia rodearam o Presépio saudando o Menino Jesus, cantando, relembrando como foi a viagem dos Três Reis Magos até a gruta de Belém. Eram vozes que entoavam cantos sagrados com os palhaços quietos ajoelhados, os instrumentos de corda tiniam num dueto com a sanfona, as batidas da caixa, o repique do pandeiro e aquela voz fininha, altíssima, de fôlego longo, característica da Folia, dava o tom da cantoria, vendo nos olhos de todos ali, uma demonstração de muita fé e devoção.


    Mais tarde, quase noite, foi servido um jantar aos foliões e o pouso num barracão muito bem cuidado para aquela ocasião para o descanso.


    No domingo após o almoço, saímos a cavalo para que eu pudesse conhecer a região e ficar conhecendo tudo aquilo que seria engolido pelas águas. Adentramos por uma reserva florestal com dezenas de pés das frutas “mangava ou mangaba” e bem no alto tivemos a nossa frente a bela paisagem do “Salto” um rio que se ajuntava a outros rios. Nadamos para refrescar um pouco do calor e seguimos rumo até a Velha São José da Barra. Entramos na bonita Igreja Matriz que tinha em sua entrada vários degraus de uma escada, e à sua frente, casas e casarões formando um grande largo. E uma das lembranças desse passeio foi quando amarramos os animais num toco e entramos em uma venda para tomarmos um refrigerante. Ao ser apresentado ás várias pessoas ali conhecidas do Altivo, todos tiraram o chapéu, pegaram em minha mão, e o assunto naquela hora passou a ser a nossa opinião se quando fechassem as comportas da barragem, a água chegaria ali. O que me lembro bem é que pude presenciar que muita gente ali ainda não acreditava que aquilo tudo seria inundado.


    E no dia 9 de janeiro de 1963 as comportas da barragem de Furnas foram fechadas, e lentamente a cidade foi adormecendo sob as águas do Rio Grande. Hoje, infelizmente, a Velha São José da Barra que conheci nesse meu passeio está coberta pelas águas do nosso Rio Grande, restando apenas na memória a lembrança, com emoção, pelos seus antigos moradores e de quem, como eu, teve o privilégio de conhecer a Velha “São José da Barra”!


    É tempo passando e a gente “Memoriando!”  

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