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    06/12/2019 10h28 - Atualizado em 06/12/2019

    Dia a Dia: Dois compadres na chuva

    Maria Mineira

    Nico e Pedro pegaram uma empreitada de bateção de pasto, coisa muito comum naquela época. Trabalhavam  para um fazendeiro, pai de uma  moça bonita, para a qual o Nico arrastava as asas.


    Pedro já era casado, e pai de três filhos. Pegaram o serviço à meia, ia dar um bom dinheiro aos dois. Sendo longe de suas casas, para que o trabalho rendesse  tinham que madrugar e só voltar à tardinha. Além disso o Nico queria mostrar serviço porque afinal como diz o ditado: “Pelos santos beijam-se as pedras”.


    Os dois estavam garrados no sirviço, quando o céu escureceu ameaçando uma tempestade. Logo Pedro  se preocupou:


    — Ô Cumpadi Nico, nóis num  vai caçá um lugá pa mode iscondê da chuva?
    — Ah, cumpade Pedo, si nóis pará, nóis perde tempo e o sirviço num rende, sô.
       — Mais ieu se moiá essa rôpa aqui, amanhã num tenho outra pá vim trabaiá, ocê tem?


       — Tamém só tenho uma  de trabaiá e uma de visti condo vô na cidade e além disso,  num vô querê passá na casa do patrão pá recebê os cobre da impreita, cas rôpa tudo moiada, né?
    — Cumé qui nóis trabaia na chuva e num moiá as rôpa, hein, cumpadi?
       — Tive mainano uma coisa... Qui cê acha de nóis amoitá as rôpa num buraco de tatu e trabaiá pelado?


    — Credoincruiz cumpadi! Isso num é sirviço de homi fazê não, uai sô!
       — Larga mão de sê besta, Pedo! Aqui nesse fim de mundo só tem nóis dois suzim, nem passarim num tem. Acha qu’eu vô cubiçá oiá homi pelado? Ôua, tô cascano fora, credo!


    Dizendo isso, Nico foi tirando a roupa toda, inclusive as ceroulas e fazendo uma trouxa para escondê-las da chuva, pendurada na serra. Acanhado, mas sem opção, Pedro fez o mesmo. Quando a chuva caiu forte, os dois compadres estavam totalmente pelados com as foices na mão, cortando o mato sem parar o serviço. Vez em quando, com um risinho irônico, um caçoava do outro:


    — Pelado dibaxo de chuva ocê fica inda mais preto, (vírgula) cumpadi Pedo.
       — E ocê, cumpadi Nico, (tá) mais branco qui as nibrina da serra, sô.
       — Ô cumpá Pedo... (espaço)Mi conta si ocê ta achano bão limpá pasto com os trem balangano.
        — Ahh, moiado e  nessa friage os trem aqui incoieu tudo e nem qué balangá mais sô. Agora só se puxá cum truquêis!


    Choveu muito a tarde toda. A enxurrada lavava os pastos e enchia os córregos. (espaço) Quando estiou o sol já se escondia. Os compadres deixaram as foices e foram onde haviam amoitado as roupas, a fim de se vestirem e pegar o rumo de casa. Qual não foi a surpresa dos dois, quando não viram o buraco de tatu e muito menos as suas roupas. A enxurrada levara tudo, até o barranco havia desmoronado e sumido.


    Sem as roupas, não puderam passar na casa do patrão e receber. Para não correr o risco de serem vistos, o recurso foi esperar anoitecer e se embrenharem no meio do mato, enfrentando os espinhos.
    Chegaram à casa pelados, sem dinheiro, com as foices nos ombros e as mãos nos bolsos...

     

    MARIA MINEIRA. Esta e outras 52 histórias fazem parte do livro: “Ao Pé da Serra- Contos e Causos da Canastra” de Maria Mineira. E-mail:mariamineira2011@yahoo.com.br 

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