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    05/12/2019 09h02 - Atualizado em 05/12/2019

    Opinião: A era dos sofismas

    Na profusão de narrativas a que estamos assistindo, sejam narrativas de direita, sejam de esquerda, o fato é que o risco de sofismas tem crescido enormemente. Sim, mas o que significa sofisma?


    Que bom que temos a oportunidade de tentar popularizar um pouco esta palavra. Sofisma, em linhas gerais, quer dizer o uso de argumentos que aparentam ser verdadeiros, porém, se analisados mais a fundo e com dados consistentes, há de se perceber que apenas foram utilizados para iludir quem os recebe de boa-fé.


    Poderíamos nos socorrer de inúmeros exemplos. O estudo dos sofismas remonta à Grécia antiga. Existem vários tipos. Mas bom observar que, nas campanhas políticas e ideológicas, costuma ocorrer o abuso de certos sofismas para induzir as pessoas a erro. Relembre-se este, tão veiculado em épocas pretéritas: “Brasil, ame-o ou deixe-o.”


    Tal slogan foi bastante útil na época dos governos militares para fortalecer os fluxos mentais de patriotismo daqueles que pudessem estar propensos a pensar contra as ideias do regime então vigente, ou seja, as pessoas deveriam obrigatoriamente amar seus países. Há várias falácias com base nesses sentimentos de patriotismo, status, autoestima.


    Uma vez levada a sério a ideia implícita, quem não amasse o Brasil não poderia viver aqui, pois seria uma espécie de inimigo da pátria. Convenhamos que se tratava mesmo de um pensamento absurdo, embora tenha servido aos intuitos do governo por sua aparência de verdade, já que estimulava o orgulho patriótico da população. Puro sofisma apto a enganar os incautos.


    Ora, podemos viver muito bem em qualquer lugar democrático do mundo sem que tenhamos que amar o local ou nos ajoelhar ao que os poderes ou opositores apregoam.


    Tem sido bastante difícil em meio à contemporânea guerra de narrativas buscar posições de equilíbrio, em que o apoio a uma tese não significa que tudo que advém de um polo narrativo esteja isento de críticas.


    Como se o que o governo propõe devesse ser seguido à risca, pois, se você não o fizer, ficará rotulado como opositor. O mesmo raciocínio vale para os ideários da atual oposição. Se você é oposicionista e critica alguma das ideias dos líderes de oposição, ou aponta erros e desvios de seus governos, você logo será rotulado como adversário do que os opositores propõem.


    Sintam a questão do serviço público no Brasil. Hoje vigoram narrativas de que, embora os servidores públicos consumam bons recursos dos orçamentos, a eles é atribuída a causa maior de todas as crises fiscais e se devesse aplicar aos regimes públicos de contratação os estritos princípios da iniciativa privada. Além disso, há sofismas de que os servidores públicos gozam de privilégios imensos e possuem culpa pelos níveis de desemprego na iniciativa privada.


    Se houver, no serviço público, uma casta de privilegiados, como se diz por aí, tais privilégios somente poderiam residir mesmo nas altas cúpulas, jamais na média de seus quadros de servidores, que, sem nenhuma dúvida, tiveram que passar por acirrados concursos para ocuparem seus postos, e ainda devem se qualificar constantemente durante suas carreiras para melhor oferecer os serviços de que a população necessita.


    Governos e oposições que não possuem projetos sólidos, apesar das dificuldades inerentes, são governos e oposições que tendem a apelar para sofismas de toda monta a fim de sedimentar seus sonhos de poder. Governos e oposições que não fazem autocrítica para sempre reavaliar os caminhos que possam trazer benefícios reais e sustentáveis à população tendem, sim, à veiculação de sofismas para alcançar popularidade.


    Não se governa abrindo guerra ao capital. Muito ao contrário, a necessidade de políticas para os investimentos resultantes da iniciativa privada é indispensável. Mas também não se governa um país tão extraordinariamente desigual e carente como o Brasil, em suas dimensões continentais, promovendo o desmonte dos serviços e carreiras públicas ao torná-los sem nenhum atrativo maior.


    Da mesma forma, não é ideal que se governe sob os impulsos de guerra à imprensa, por mais que não haja concordâncias com as críticas. Por outro viés, não se faz oposição confiável sem projetos plausíveis perante a enormidade de obstáculos.


    Os extremos, sejam quais forem, amam os sofismas. Que tal incluir esta palavra não tão comum em nosso vocabulário a fim de analisar melhor tanto o cenário atual, como os futuros.


    Talvez, assim, estejamos mais atentos às armadilhas dos engodos.



    ALBERTO CALIXTO MATTAR FILHO escreve quinzenalmente, às quintas, nesta coluna.


    OS EXTREMOS, SEJAM QUAIS FOREM, AMAM OS SOFISMAS

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