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    02/12/2019 09h37 - Atualizado em 02/12/2019

    Moda circular: um novo conceito

    Assim como já acontece em outros setores, o produto fashion terá vida mais longa - com uma peça sendo reutilizada e alugada num processo circular extenso

    Wagner Penna - Especial para a Folha

    O circuito da moda tem se modificado, nos últimos anos, em velocidade jamais vista. Enquanto os mega-grupos internacionais de moda obtêm lucros colossais e seus proprietários ocupam a lista dos mais ricos do mundo, o futuro do setor sinaliza mudanças radicais no seu processo de criação e comercialização.


    A previsão é de que todo conceito atual de vender moda, será alterado. Assim como já acontece em outros setores, o produto fashion terá vida mais longa - com uma peça sendo reutilizada e alugada num processo circular extenso. Com isso, cai a produção e a ‘fadiga’ de cada peça chega mais tarde.


    Um reflexo disso já é sentido, com a evolução dos chamados brechós. Os dados informam que eles já vendem no mundo mais do que o chamado fast-fashion. A ponta de lança é o brechó por e-commerce, mas as lojas físicas também crescem bastante - uma média de 300% a ano. De todo o chamado ‘ciclo sustentável’ esse, por enquanto, é o mais viável e visível.

     

    VAIVÉM

    O dono do grupo Louis Vuitton, o francês Bernard Arnault, acaba de comprar a joalheria americana Tiffany’s (por 16 bi de dólares) e, com isso, caminha para liderar a lista dos mais ricos do mundo da Forbes.
    ***
    Aliás, a ‘monetização’ da moda segue firme e forte. Além da joalheria paulista Vivara lançar suas ações na Bolsa de Valores e São Paulo com sucesso, as vendas de ações têm agora carteiras dirigidas especialmente para as mulheres. E para o publico LGBTQ também. Uau.
    Novidade fashion na cena internacional. As marcas de prestigio estão descobrindo os mercados latinoamericano e africano e começam a fazer ‘collabs’ (parcerias) com estilistas desses continentes. Na Latina América o foco são os colombianos, na África são os estilistas nigerianos. O mundo muda e a moda também.

     

    PONTO-FINAL

    Enquanto o fim de ano chega dando uma pausa na produção de moda por aqui (quase todas as fábricas tem férias coletivas entre 15 de dezembro e inicio de janeiro), o calendário de lançamentos internacionais vai esquentando. Várias marcas lançam suas coleções ‘resorts’ ainda neste final de ano, enquanto outras o fazem no primeiro trimestre de 2020.

    Roupas devem ser passadas adiante, defende a editora da Vogue

    Roupas devem ser apreciadas, reutilizadas e até passadas para a próxima geração, disse Anna Wintour, influente editora-chefe da revista Vogue norte-americana. Ela defende, ainda, mais sustentabilidade no mundo da moda e menos cultura de descarte.


    Considerada uma das pessoas mais poderosas no universo da moda, Anna também afirmou que a indústria está “um pouco para trás” no que diz respeito à diversidade e à inclusão, acrescentando que, apesar da ascensão meteórica dos influenciadores digitais, a Vogue permaneceria uma referência aos fashionistas.


    “Mundialmente, a Vogue tem 127 milhões de seguidores... Acho que a Vogue é a maior influenciadora entre todos em uma escala global”, afirmou.


    Muitas marcas tentam reforçar suas credenciais ecológicas e atrair jovens consumidores ambientalmente conscientes, uma vez que o setor é criticado por alimentar uma cultura de descarte. No entanto, para a alegria dos caçadores de brechós e bazares, Anna disse que fashionistas devem cuidar melhor de suas roupas e até passá-las adiante.


    “Eu acho que, para todos nós, isso significa mais atenção à personalização, à criatividade, e menos sobre a ideia de roupas que são instantaneamente descartáveis, coisas que você vai jogar fora logo depois do primeiro uso”, afirmou ela, que está à frente da Vogue norte-americana há mais de 30 anos.
     

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