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    26/11/2019 09h04 - Atualizado em 26/11/2019

    Le Havre brilha com a arte

    Destruída durante a Segunda Guerra Mundial, cidade francesa da região da Normandia foi reconstruída às pressas

    Cristal Da Rocha - Especial para a Folha

    Quando a portuária Le Havre, na Normandia, surgiu como destino do Viagem, a primeira ideia foi enviar para lá alguém com conhecimento sobre a Segunda Guerra Mundial, já que a região foi palco das grandes batalhas históricas que resultaram na derrota do nazismo, entre elas o emblemático Dia D. Arquivista que dedicou boa parte da vida acadêmica a estudar o maior conflito bélico da história, eu esperava encontrar as memórias da guerra em todos os cantos.


    E elas estão lá: não em ruínas visíveis, mas sim nas novas linhas da reconstrução modernista feita após o fim do confronto. Apagar os destroços era uma necessidade imediata. Reerguer para seguir em frente. O que não esperava encontrar num cenário histórico de guerra era a paz.

     

    Além das praias que foram testemunhas da cidade sitiada pelos alemães, eu me deparei com o céu de Monet. O mesmo céu que viu os conflitos bélicos também foi a inspiração para os pintores impressionistas fazerem a sua revolução artística e pacífica. 


    A apenas três horas de carro de Paris, Le Havre é um destino surpreendente, com muita arte e arquitetura e que pode ser desbravado a pé. A cidade foi severamente bombardeada durante a Segunda Guerra Mundial, exigindo uma ampla reconstrução.

     

    A dificuldade para a entrada de material em Le Havre, em razão de seu porto ter sido destruído, fez com que Auguste Perret - arquiteto escolhido para reconstruir o centro histórico da cidade - utilizasse o material mais acessível que havia à disposição à época: o concreto.


    Le Havre foi reerguida às pressas pois era necessário entregar moradia aos milhares de desabrigados pela guerra. A coloração acinzentada do cimento e a economia de linhas de Perret trouxeram uma nova e moderna vida na cidade com tradições revisitadas e um novo jeito de viver a partir dos anos 1950. O cinza, que pode ser entendido e visto como frio, aqui traz consigo uma história de otimismo.


    Assim, Le Havre se coloca como um museu a céu aberto. Os passeios ao ar livre e pela orla da praia convidam a relaxar e esquecer que a cidade inteira já esteve sob bombardeios e escombros. Um lugar para conhecer mais sobre a história das vanguardas artísticas, divertir-se na praia, deliciar-se com os queijos normandos e todo tipo de produto feito com maçã e ver que os dias de horror da guerra ficaram para trás.


    A partir de Paris, a viagem de carro até Le Havre leva três horas. Quando chegamos, nos instalamos no hotel Vent d’Ouest, ao lado da igreja Saint Joseph, um dos ícones da nova identidade visual da cidade e o primeiro ponto que iríamos visitar. A igreja faz parte do projeto de reconstrução de Auguste Perret para o centro histórico e impressiona pela suave relação que estabelece entre o cimento e os vitrais externos.


    Por fora, uma obra arquitetônica ao estilo modernista; por dentro, os pedacinhos de vidro vão formando desenhos geométricos por meio da iluminação externa. E a gente nem está esperando por isso, a surpresa das cores diante dos olhos. O cimento imponente do exterior e o efeito visual da sequência de cores no interior. As igrejas são sempre um ponto de diálogo com as tradições das cidades e essa fala muito sobre a história do desastre da guerra e o otimismo que veio com a reconstrução.


    Após a nossa visita, uma taça de vinho, escolhido pelo nome, La Vie en Rosé, um croque monsieur (sanduíche de presunto e queijo coberto com molho bechamel), o primeiro e o melhor que provei em toda a viagem, cortado em xadrez e dividido entre a mesa, e a versão francesa compartilhável da porção de batata frita, no bistrô Le Bout du Monde, nos dão tempo para descansar enquanto avistamos a praia em Saint Adresse.


    É verão e o dia demora para anoitecer, então ainda é possível aproveitar a vista pro mar e o calçadão por bastante tempo. O que também é uma boa opção para quem viaja com crianças. Elas podem correr e se distrair ali por bastante tempo, sem a necessidade de inventar brincadeiras no quarto do hotel após o anoitecer. Vi muitos pequenos se divertindo com patinetes e os adultos com skate, além daqueles carrinhos mirabolantes que se parecem transformers para bebês e famílias, passeando sem pressa alguma.


    Comecei o segundo dia de viagem me apaixonando pelos queijos da região logo no café da manhã, além dos tipos feitos no norte da França, e o hotel ainda contava com um delicioso queijo fresco feito com leite de cabra, suave e cremoso. Claro, havia também os clássicos croissants e pain au chocolat, além de pães, geleias feitas na região e uma oferta de embutidos também produzidos por lá.

    Ali eu não iniciei apenas um romance gastronômico com os queijos, mas também me envolvi seriamente com o jus de pomme, o suco de maçã, bastante delicado e com um aroma único. Tentei provar o suco em quase todos os lugares que paramos para comer. 


    A Normandia, fiquei sabendo, é uma região famosa por suas maçãs, portanto há uma oferta ampla de produtos com a fruta, entre eles as sidras, compotas e outros doces. Vale a pena ficar de olho na fruta.  

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