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    20/11/2019 10h31 - Atualizado em 20/11/2019

    Opinião: Dia da consciência negra

    Início este texto com o intuito de apresentar dados relativos à situação dos negros no Brasil devido a um debate que ocorreu entre mim e um interlocutor a quem eu agradeço por não se abster de indagar-me sobre o assunto. Parabenizo-o pelo debate! Por que faço isso? Porque sabemos que muitos não têm a ombridade e, muito menos, a honestidade de debater às claras e preferem trabalhar na escuridão e no silêncio do preconceito, colaborando para a cristalização da ideia de escravidão e subserviência.

    A perpetuação do racismo está justamente na negação de que ele existe. Não aceitar que ainda existe esse câncer social é base para que a ferida continue aberta. Alguns acreditam que os negros promovem o vitimismo ou tratam o tema como um jargão do mimimi. Parece-me que o opressor, até de forma inconsciente, quer minimizar o seu sofrido desconhecimento, alegando que o racismo parte do próprio negro. Essa desculpa, consciente ou não, que serve de argumento de defesa, é extremamente cruel.

    Não é fatalismo afirmar que os negros sempre foram vítimas de uma tirania do estado brasileiro e suas instituições discriminatórias. Desse modo, a Liberdade que nos sonharam, realmente, nunca foi significativa para os ex-escravos e seus descendentes. Essa constatação advém estatisticamente, da falta de oportunidade de mobilidade social ou do não acesso a uma melhoria de vida, pois o acesso a terras é escasso, bem como, a conquista de bons empregos, moradias decentes, educação com equidade, assistência à saúde e outras oportunidades disponíveis para os demais da sociedade brasileira. Só para termos uma ideia, quatro em cada dez alunos negros do ensino médio abandonam a escola por variados motivos sociais. 

    Os resultados que aparecem nas estatísticas nos mostram uma profunda e perigosa desigualdade social no nosso país onde os negros são: 78% dos mais pobres, 62% dos que estão nos presídios, 75% das vítimas de homicídios e 48% dos que são analfabetos. Lembrando que a nossa legislação eleitoral impede analfabetos de ocupar cargos eletivos, mas o Estado não se importa que os mesmos possam votar. Entre os 1.626 deputados distritais, estaduais, federais e senadores eleitos, apenas 65 (ou 4%) são negros. Em Minas Gerais, pela primeira vez na história, três mulheres negras ocupam legislativo estadual. Isso é muito incipiente ainda, diante de todo histórico dos negros nesse país. 

    O salário do negro no Brasil equivale, em média, a 1570 reais por mês e a renda média de trabalhador branco é quase o dobro, 2814 reais ao mês. Uma análise do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), entre 2010 e 2017, com o grupo de professores que autodeclararam uma raça ou cor mostra que apenas 23% de professores com mestrado são negros e 17,6%, possuem doutorado.

    Numa nação em que 54% de sua população se declara como parda e negra, os dados da desigualdade mostram que temos dois tipos de Brasil porque os brancos possuem mais benesses e, por isso, parece que moram num país totalmente diferente. Como exemplo, a maioria das profissões de alta qualificação e rendimentos financeiros, os brancos são: 90% dos engenheiros, 89% dos professores de medicina, 83% dos médicos veterinários, 79% dos advogados e 88% dos pilotos. 

    Não estou querendo promover uma segregação, mas relatar a realidade com dados estatísticos, porque uma das formas que podemos fazer para acabar com o racismo é dialogar e questionar para que a sociedade brasileira reconheça que é discriminatória. Joaquim Nabuco dizia que os brasileiros estariam condenados a permanecer no atraso enquanto não resolvessem, de forma satisfatória, a herança escravocrata. Esse regime escravocrata impera até hoje e deixou como consequência, o racismo estrutural e moral. Isso nos impede de evoluirmos em humanização. Num país que se considera cristão em maioria, é, no mínimo, contraditório, não? Precisamos nos tornar de fato uma sociedade organizada, que preza por suas, sua identidade e alicerces.

    A falta de coragem de debatermos nos atravanca de sairmos da decadência de eliminar, de segregar, de marginalizar o povo o africano que foi trazido sem o seu consentimento. Foi ele quem construiu, quem produziu e formou essa nação chamada Brasil, os demais povos que aqui estiveram ou chegaram trouxeram a cultura da exploração por meio do contrabando e usurpação da riqueza moral e estrutural do país. Que a celebração deste 20 de novembro possa nos dar força rumo à justiça social.

    ALEXANDRE DE ALMEIDA é dentista em Passos e ex-vereador.


    QUE A CELEBRAÇÃO POSSA NOS DAR FORÇA RUMO À JUSTIÇA SOCIAL  

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