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    20/11/2019 09h19 - Atualizado em 20/11/2019

    Autoconhecimento: busca nos aproxima de ser feliz

    Todo processo de autoconhecimento exige coragem de olhar para os aspectos sombrios que carregamos para avaliar nossas necessidades e desejos

    Luciana Kotoka - Especial para a Folha

    Nem sempre temos consciência de que temos uma parte de nós escura e densa, um local que preferimos não acessar e simplesmente ignoramos e passamos a olhar para o externo. Isso ocorre porque nosso inconsciente sabe muito sobre nossas dores, nossas dificuldades, desta forma tudo fica trancado a sete chaves com o intuito de nos proteger. Para acessarmos é preciso um movimento em direção ao autoconhecimento, para uma busca interna sobre quem somos.


    Como seres humanos temos lugares internos onde mantemos escondido tudo o que não gostamos, que não aceitamos, tanto da nossa vida pessoal, como da nossa personalidade. Não é um movimento voluntário e sim um mecanismo de proteção à dor e à rejeição. Experiências que de alguma forma contribuíram para que desenvolvêssemos fortes defesas para nossa sobrevivência.


    Podemos optar por permanecer projetando no outro e na vida as causas de nossos dissabores, repetindo situações desagradáveis e vivendo em constantes conflitos. Ou podemos nos abrir para caminhos que nos levarão a ampliação da nossa percepção a respeito de nossos comportamentos, de como projetamos no outro desejos e dificuldades que são obscuras a nós mesmos.


    Não nego que esse processo dá trabalho, na verdade exige muita capacidade de olhar para si mesmo sem preconceitos, desapegando de ideias que aceitamos até o momento como verdadeiras e nos permitindo a olhar sob novas perspectivas. Todo esse movimento nasce do desejo de fazer diferente, quando cansamos de repetir as mesmas histórias, de passarmos pelos mesmos perrengues.


    Afinal, quem somos? O que queremos dessa vida? Por que sempre caímos no mesmo buraco? O que me faz repetir os mesmos erros? Essas são perguntas que inevitavelmente você já se fez em algum momento, pois estamos aqui vivendo nessa vida e sujeitos a várias situações das quais não temos controle algum. Temos a falsa sensação de controle, mas ela é irreal, não podemos prever nada, tudo é impermanente.


    Desta forma seguimos fazendo o nosso melhor diante de tantas possibilidades, e uma delas é viver esse processo, oportunizando o autoconhecimento. Quando partimos em busca de entender o porque a atitude orgulhosa do outro nos atinge, possibilitamos reparar arestas que ficaram gravadas em nossas mentes e que causam dor.


    Por que o que o outro diz nos machuca, nos tira a paz e promova raiva? Você alguma vez pensou sobre essa perspectiva? O que em você precisa ser olhado e curado? Somos seres em constante evolução e nos conhecer intimamente nos permite sermos pessoas melhores, mais compreensivas e empáticas com o outro, o que favorece um relacionamento mais produtivo com nós mesmos. Temos a capacidade de criarmos e alterarmos programações que carregamos desde a infância e mudar o nosso caminho.


    Desta forma, vamos mudando o que vivemos, vamos acolhendo nossas falhas, nossas dores e dificuldades, com esse lindo gesto de autocompaixão, seguimos mais humanos, mais sensíveis e acolhedores com o outro também, gerando uma linda egrégora de amor, de tranquilidade e paz.


    Aceitar a própria sombra permite que a cura se estabeleça, que estejamos mais atentos às nossas próprias necessidades e afinados com o que precisamos para sermos mais felizes. Meu convite é que você se permita, dentro do que sente ser possível, olhar para esse quartinho escuro que carrega dentro de você.

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