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    19/11/2019 08h47 - Atualizado em 19/11/2019

    Berlim, 30 anos após a queda do muro

    Fizemos um roteiro pelos locais onde passava o muro que dividia os lados capitalista e comunista da cidade e descobrimos uma capital, ocupada por artistas, que viu nascer a música eletrônica e tornou-se conhecida como 'pobre, mas sexy'

    Marina Azaredo - Especial para a Folha

    Enquanto trens do metrô com grafites ilegais correm embaixo da terra, extensos parques cheios de verde se prestam a perfeitos espaços para atividades ao ar livre, de churrascos a corridas esportivas. Enquanto crianças se divertem nos diversos playgrounds espalhados pela cidade, com direito até a tirolesas, jovens de coturno e maquiagem borrada saem das melhores casas noturnas do mundo, já com o sol a pino. Enquanto empresários enriquecem graças à especulação imobiliária, políticos respondem aprovando o congelamento do preço dos aluguéis por cinco anos.


    Seja bem-vindo a Berlim, cidade de contrastes. E podemos continuar: Berlim é carrancuda, mas dançante; é cinzenta, mas cheia de gente criativa; é grande, mas silenciosa. Tem também a mais famosa das contradições: “pobre, mas sexy”. Foi assim que o ex-prefeito Klaus Wowereit definiu a capital da Alemanha no início dos anos 2000. A cidade vinha de uma década de renascimento, depois de ter sido palco de um dos acontecimentos mais importantes do século 20: a queda do muro que separou a Alemanha Oriental da Alemanha Ocidental por 28 anos.


    Em 9 de novembro de 1989, o responsável pela comunicação do Partido Socialista Unificado, que controlava a Alemanha Oriental, participou de uma conferência de imprensa na qual, como era praxe, informou as novidades aos jornalistas. Entre elas estava o fim das restrições de trânsito do lado comunista para o capitalista, mas mediante solicitação e com diversas condições. Ao ser questionado por um repórter sobre quando a medida passaria a vigorar, não encontrou nadaa respeito em suas anotações e acabou respondendo: “Imediatamente”.


    Não era bem essa a mensagem que ele deveria transmitir, mas os alemães do leste imediatamente começaram a se aglomerar em torno do muro, exigindo que os postos de fronteira fossem abertos. Os guardas, também sem qualquer informação, cederam à pressão popular e liberaram a passagem. O resto é história. Este dia mudou os rumos do final do século 20, e, principalmente, a trajetória de Berlim, que pouco a pouco foi se tornando a cidade mais vibrante da Europa - depois da região da Baviera, é a cidade alemã mais visitada por turistas, registrando 15,1 milhões de pernoites em 2018.


    Atraídos por aluguéis baratos, jovens sem muito dinheiro e sedentos por novas experiências começaram a chegar à capital alemã. Instalaram-se em squats (ocupações de imóveis abandonados), encheram a cidade de arte de todo tipo e criaram a Love Parade, festa de música eletrônica que chegou a juntar um milhão e meio de pessoas. Os governantes souberam aproveitar esse novo momento – “pobre, mas sexy”, afinal, é um belo de um slogan –, e Berlim rapidamente ficou conhecida por ser uma cidade criativa, artística e progressiva.


    E quem não quer estar num lugar repleto de artistas, gente interessante, aluguéis baratos, cheio de história, onde tudo acontece? Foi aí que começou um processo de gentrificação, com aluguéis subindo e os antigos moradores sendo expulsos de bairros antes decadentes, como Kreuzberg ou Neukölln. Tudo por causa da chegada de estrangeiros com dinheiro, dispostos a pagar mais caro pelos imóveis. Na última década, vieram também as startups, empresas de tecnologia e toda uma gama de novos empreendedores.



    O tempo passou

    Trinta anos após a queda do muro, Berlim não é mais tão pobre. Mas autoridades e moradores lutam para frear o processo de gentrificação. De uma parte, leis para congelar os preços dos aluguéis. De outra, intensos protestos que foram capazes de impedir a instalação de uma unidade do Google Campus no bairro de Kreuzberg, um dos que mais sofrem com a alta dos preços.


    Os artistas continuam chegando – e desbravando bairros da cidade, como Wedding, eleito pela Time Out como o quarto bairro mais cool do mundo. A cena de música eletrônica se mantém firme e forte, e a cidade ganha cada vez mais atrações para lembrar o seu passado dividido.


    Por fim, mas não menos importante, comer ainda é muito barato em Berlim. Quem está com o orçamento apertado consegue fazer refeições por € 3,50 e, com € 10, é possível almoçar e jantar em restaurantes com bom serviço e ambiente descolado – quiçá, com uma cerveja para acompanhar.


    Há três meses morando em Berlim, me dispus a percorrer durante vários dias o caminho do antigo muro para descobrir como estão as regiões que até 30 anos atrás eram as mais desvalorizadas da cidade – ninguém queria abrir a janela de casa e dar de cara com um muro que separava famílias e provocava tanta tristeza.


    Visitei também os espaços que ficaram conhecidos como no man’s land (terra de ninguém) entre os dois muros. Sim, pois, na verdade, eram dois muros a dividir a cidade: um do lado leste e outro do lado oeste. Entre os dois, um sistema quase perfeito de vigilância com soldados armados, mais de 300 torres de observação e uma iluminação tão potente como a de um campo de futebol.


    Em meio a atrações clássicas, como o Portão de Brandembugo, descobri outras sobre as quais pouco se fala, como o Tränenpalast, ou Palácio das Lágrimas, o local onde os alemães do leste despediam-se de seus familiares e amigos do oeste após as visitas autorizadas pelo governo.

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