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    18/11/2019 08h41 - Atualizado em 18/11/2019

    O presidente do Capp, Sebastião Faria de Araújo, e o diretor do Conselho Fiscal, Dagoberto Soares

    "Cerca de 5 mil crianças já passaram pelo Capp"

    Nathália Araújo - Da Redação

    O Centro de Aprendizagem Pró Menor de Passos, o Capp está comemorando os 50 anos de sua fundação. A entidade está entre as melhores instituições filantrópicas do país e atende a crianças de baixa renda, oferecendo desde a educação básica/profissionalizante e alimentação, até atendimentos médicos.

    O Capp já atendeu cerca de 5 mil pessoas e, entre os seus métodos de arrecadação de recursos, está a marcenaria que deu origem à grande parte dos empresários moveleiros passenses. Para falar mais à respeito do trabalho realizado, o atual presidente, Sebastião Faria de Araújo e um dos diretores, Dagoberto Soares, contaram um pouco sobre a história da entidade e sua importância para o município.

     

    Folha da Manhã - Como o Capp iniciou os trabalhos em Passos? Quantos alunos já passaram pela entidade?

    Dagoberto - A ata inaugural se deu no dia 17 de novembro de 1969 e surgiu por meio da necessidade de ter uma entidade para atender as crianças de Passos, visto que naquela época existiam muitos menores infratores e abandonados na cidade. A implantação foi muito complicada, até que a Comunidade dos Irmãos São Gabriel, constituída por religiosos que se encontravam em Carmo do Rio Claro, fez a doação de um imóvel ao estado, e era o onde funcionava o colégio da congregação. Então, o irmão Natal Cesare Lizi, que era um membro atuante da Comunidade, saiu do Carmo e mudou-se para Passos com o objetivo de promover a instalação nos moldes necessários para atender às crianças; é importante destacar que ele fez isso com muito amor, porque antes mesmo da obra ficar pronta, o irmão acolheu quatro jovens órfãos em sua própria casa. A sede foi montada na rua Ouro Preto e foi ali que os trabalhos foram iniciados, com cerca de 40 crianças. Inicialmente, atendiam somente meninos, mas em 1973, o atendimento passou a abranger os dois sexos. Em seguida, o local se tornou pequeno para atender a demanda, então, uma nova sede foi construída e é o Capp que conhecemos hoje, com assistência integral a muitos jovens.

     

    FM - Em entrevista na edição do dia 10 da Folha da Manhã, o presidente da Acimov disse que o pai dele aprendeu o ofício de marceneiro no Capp. Essa é uma realidade de muitos do setor moveleiro?

    Sebastião – Sim, com certeza é uma realidade! Inclusive, uma estudante da Universidade do Estado de Minas Gerais da unidade Passos fez um trabalho de conclusão de curso a respeito dessa cultura e, para compreender de onde vieram tantos marceneiros, chegamos ao Capp, é de lá que vem a maioria dos moveleiros que fundaram essa indústria aqui em Passos.

     

    FM – Qual é a sua sensação sabendo que o Capp é tão importante?

    Sebastião – A nossa responsabilidade é muito grande, quando paramos para pensar em quantas pessoas passaram por lá, vemos como isso é grande. Está gravado na memória de Passos e nosso objetivo sempre é fazer tudo da melhor possível para que isso nunca acabe.

     

    FM – Qual é a atuação hoje do Capp? Quantos alunos a entidade ampara atualmente?

    Dagoberto – Bom, quase 5 mil crianças já passaram pelo Capp e todas elas foram selecionadas, geralmente, as escolhidas são as que possuem menos recursos ou, muitas vezes, abandonadas pelos pais e acabam morando com parentes. Então, acredito que nossa área de atuação são as famílias porque nós buscamos auxiliar de toda forma possível. Ajudamos a diminuir as despesas das famílias, oferecendo o necessário para as crianças, e ainda, além disso, isso permite que os pais possam ir aos seus trabalhostranquilamente porque sabem que os menores estão bem amparados. O Capp tem cumprido muito bem o seu papel nesses anos, inserindo jovens na comunidade, como cidadãos de bem, e os educando para o mercado de trabalho. Muitos nomes não foram citados quando falamos sobre a fundação da instituição, mas houveram muitas pessoas que foram fundamentais para esse trabalho tivesse início.

    Sebastião – Atualmente, temos 167 alunos. Até o ano passado, tínhamos um convênio com o estado, mas o mesmo foi rompido e agora estamos nos recuperando disso. São 140 crianças até os 11 anos e 27 profissionalizantes. Todos continuam sendo tratados da mesma forma que eram quando ainda havia o convênio. Seguimos trabalhando a formação da ética e do caráter, com disciplina e participação na sociedade, com educação e cultura, oferecemos uma boa educação, atendimento médico e alimentação. Cuidamos de nossas crianças por completo e a família é convidada a participar de tudo isso.



    FM - Cada vez mais o terceiro setor vem assumindo funções que deveriam ser arcadas pela iniciativa pública. Como os senhores veem essa atuação do Capp nos últimos 50 anos?

    Sebastião – Bom, algumas vezes temos o apoio do governo e outras tantas, não. Mas é fundamental destacar a importância da sociedade e dos funcionários da prefeitura que também estão lá conosco, porque sem as colaborações, seria impossível. Ainda é muito difícil porque queremos mostrar o nosso trabalho para trazer a sociedade e os empresários para o nosso lado, necessitamos muito desse apoio para criarmos cada vez mais cidadãos de bem.

    Dagoberto – O Capp é uma instituição muito conhecida em nossa cidade, mas muitas pessoas não sabem que temos instalações físicas muito adequadas. Para oferecer o melhor às crianças, nossa estrutura conta com diversas salas de aula, duas quadras cobertas, piscina, campo de futebol, capela, marcenaria, serralheria, mecânica e ainda, temos uma fábrica de bloco, esta não tem função educativa para os alunos, no entanto, ajuda a gerar recursos. A fábrica passou por mudanças ao longo do tempo e hoje produz materiais de excelente qualidade, o que auxilia muito nas manutenções. A sociedade passense é muito generosa, nosso apelo sempre é muito bem recebido, mas hoje, com tantas instituições fundamentais para o município, nossos recursos têm diminuido. Precisamos acreditar em nossas crianças, porque também somos responsáveis por elas, precisamos colaborar da forma que for possível para cada um.

     

    FM - Quanto custa hoje manter o Capp?

    Sebastião – Para nós, o custo de uma criança hoje é de meio salário-mínimo ao mês, se pararmos para pensar, é quase insignificante. Em outros estados, o custo para instituições do mesmo segmento chega a seis mil reais. Perto dos benefícios que oferecemos, o valor que gastamos é baixíssimo, porque o retorno existe para a sociedade. O rompimento do convênio nos prejudicou muito, mas pretendemos reduzir os custos para conseguirmos voltar a atender um número maior de crianças.

     

    FM - Quais as perspectivas e planejamento para curto, médio e longo prazo?

    Sebastião – Estamos no reestruturando, mas temos algumas parcerias que já estamos aguardando. Para o curto prazo, ainda no ano que vem, queremos atender cerca de 200 alunos com o aumento dos recursos. Mas, a longo prazo, queremos fazer um estudo sobre todo o nosso potencial para que, no futuro, sejamos independentes. Isso é um sonho desde a fundação do Capp. Hoje, o atendimento já é ótimo em todas as áreas, mas queremos ter capacidade para atender mais crianças, a medida que as parcerias acontecerem, esperamos alcançar este objetivo.

    Dagoberto – Em 2001, a Revista Veja realizou um levantamento sobre as 400 melhores instituições filantrópicas do Brasil, desse total, 17 estão em Minas Gerais e o Capp é uma delas. É um orgulho, porque mais de 14 mil instituições foram avaliadas. Ou seja, são sempre os bons propósitos que norteiam a nossa direção.

     

    FM – Jubileu de Ouro de uma instituição em época de crise é motivo para comemoração?

    Sebastião – Claro! Com certeza é motivo para comemorar, porque é na crise que podemos crescer, acredito que isso seja um sinônimo de oportunidade. É quando precisamos sair do nosso comodismo e desenvolver novos métodos para alavancar a nossa instituição. Ninguém pode melhorar na zona de conforto.

     

    FM - Quais foram as grandes vitórias e conquistas do Capp?

    Dagoberto – Bom, creio que a maior vitória é conseguir chegar até aqui, mas não é uma vitória somente do Capp, mas sim da sociedade como um todo. São muitas crianças que foram acolhidas e não se levaram pelos males da rua, é muito bom quando ouvimos “sou o que sou, graças ao Capp”, sempre escutamos isso por aí e isso é mais do que gratificante porque podemos ver a eficiência do nosso trabalho. Nossa marcenaria mesmo é um grande exemplo disso, porque foi o embrião dessa majestosa indústria moveleira de Passos.

    Sebastião – Nossa vitória é também poder ver o rostinho das crianças que estão conosco, porque é muito gratificante poder sentir a realidade desse dia a dia que trabalhamos. Nesta semana, estamos fazendo a semana de comemoração do aniversário de 50 anos do Capp e muitas atividades estão em desenvolvimento. Queremos ver nossas crianças animadas e empolgadas com tudo. No dia 18, o bispo de nossa diocése celebrará uma missa na nossa quadra e a banda do Batalhão da Polícia Militar participará do acontecimento. No dia 20, acontece também uma carreata para avivar a memória do Capp na sociedade passense.

     

    FM - Quantos são os atuais membros da diretoria do Capp?

    Sebastião – Hoje somos 18, contando o presidente e o vice e o trabalho de todos são fundamentais para que todo o nosso sistema continue funcionando de forma harmônica. Aliás, não só a diretoria, são os ótimos funcionários e colaboradores.

     

    FM- Vocês recebem voluntários?

    Sebastião – Com toda a certeza! O Capp tem lugar para todos, basta nos procurar porque toda contribuição é mais do que bem-vinda. Temos diversos projetos de doação de recursos também, por meio da conta de luz ou mesmo de boletos, e então convidamos a todos para vestir a nossa camisa e contribuir com esse trabalho tão importante.

     

    FM – Vocês já temeram pelo futuro do Capp?

    Sebastião – Não, jamais! Graças a Deus e ao grande apoio que recebemos, nós nunca tivemos esse medo, nossos irmãos que se foram deixaram um legado muito importante para a nossos membros, o de que devemos manter a fé permanente porque sempre conseguimos atingir os objetivos propostos e continuamos batalhando por esses objetivos. É certo que muitas pessoas não se dão conta da importância dessas atividades, mas procuramos cada vez mais incluir a sociedade em tudo o que fazemos.

    Dagoberto – As dificuldades são muitas, mas a fé é muito maior. Sempre rezamos junto aos colabores e, já que foi uma instituição católica que fundou o Capp, procuramos sempre manter essa espiritualidade. A participação é muito grande e nós sempre acreditamos que o melhor vai continuar acontecendo.

     

    FM – Vocês gostariam de fazer mais algum agradecimento?

    Sebastião - Acho fundamental também falar sobre o apoio dos meios de comunicação, até aqui da Folha mesmo que sempre nos ajuda. É um método que faz tocar o coração de todos. É muito importante agradecer a vocês, porque são quem fazem o contato entre a entidade e a sociedade, nós somos gratos por esse trabalho e a todos que nos auxiliam de alguma forma. Nós precisamos muito da participação da sociedade em nossa história!  

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