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    12/11/2019 08h54 - Atualizado em 12/11/2019

    Florença, um museu a céu aberto

    Entre os mais famosos destinos italianos, esse é o mais fácil de ser explorado: suas principais atrações podem ser percorridas a pé

    Marcelo Lima - Especial para a Folha

    Comparada a suas rivais imediatas, Roma e Veneza, Florença é, de longe, entre os destinos clássicos italianos, o mais fácil de ser explorado. Concentradas a poucas quadras umas das outras, suas principais atrações podem ser percorridas a pé, o que possibilita uma visão abrangente de seu patrimônio artístico e arquitetônico, mesmo para o visitante que não dispõe de tanto tempo ou que toma a cidade como base para pequenas viagens de bate-volta pelas vinícolas da Toscana.


    Nosso giro por lá durou apenas dois dias e fixamos nossa base em uma área menos visada, mas próxima ao centro histórico. A exploração começou com uma visita à Catedral de Santa Maria del Fiore. Sua construção data de 1296 e o edifício domina a paisagem local. A cúpula, ou duomo, desenhada por Filippo Brunelleschi, pode ser avistada de praticamente qualquer ponto da cidade.


    Por fora, a igreja tem uma belíssima fachada decorada por placas de mármore verde, branco e rosa, além de portões de bronze adornados com esculturas em relevo que retratam cenas da vida de Maria, mãe de Jesus. Apesar de menos monumental, o interior da basílica também merece ser visitado, principalmente por causa de seus afrescos, produzidos por Giorgio Vasari e Federico Zuccari, e dos vitrais que levam a assinatura de grandes nomes do Renascimento, como Paolo Ucello e Donatello.


    A entrada na catedral é gratuita, mas o bilhete de 42 euros, válido por 72 horas, que adquirimos pela internet (duomo-florence.com) nos permitiu subir até sua cúpula, com vista estonteante, além de conhecer todas as atrações do complexo, incluindo o Batistério de San Giovanni, a Cripta de Santa Reparata e o Campanário de Giotto.


    Continuando nosso roteiro, na Via dei Calzaiuoli, 65, uma parada estratégica nos proporciona um daqueles pequenos prazeres que fazem cada dia de sol na Itália parecer ainda mais especial: um copinho de gelato, com dois sabores, chocolate com menta, da Venchi (3,50 euros cada). Depois, desembocamos na Piazza della Signoria para presenciar um momento único: o dramático jogo de luz e sombras, gerado pelo sol a pino, por sobre o conjunto de esculturas da Loggia del Lanzi.


    Literalmente um museu ao ar livre, logo à frente do Palazzo Vecchio, a sede da prefeitura local, onde esculturas referenciais como o ‘Perseu com a cabeça da Medusa’, de Cellini, dividem o espaço público com obras do porte de uma ‘Fontanna di Nettuno’, de Ammannati, e uma das réplicas do ‘Davi’, de Michelangelo, espalhadas pela cidade. A segunda fica na praça que leva o nome do artista, do outro lado do Rio Arno.


    Conforme o planejado, de lá, só nos restava seguir para um dos grandes museus de Florença, a Galleria dell’Accademia, lar do autêntico Davi. Logo na entrada, a primeira constatação: é mais que recomendável comprar ingressos online (20 euros; accademia-tickets.com) para não ter de passar horas amargando na fila.


    O museu é relativamente pequeno e pode ser percorrido, com calma, em duas horas. Inclui muitas obras-primas, mas, fundamentalmente, nada em seu interior ofusca o brilho magnético que emana da escultura talhada em mármore por Michelangelo. E foi com a imagem dela, em uma espécie de ‘grand finale’, que resolvemos dar por encerrado nosso primeiro dia de visita à capital do Renascimento. 

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