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    11/11/2019 09h50 - Atualizado em 11/11/2019

    Plínio Costa de Andrade, presidente da Acimov

    "Passos é o maior polo de móvel rústico do Brasil"

    Adriana Dias - Da Redação

    Plínio Costa de Andrade cresceu em meio à serragem, brincando e acompanhando seu pai, José Ailton de Andrade, trabalhar. O gosto pela marcenaria está entranhado em vida e faz parte de sua história. Ele tinha 5 anos quando, com seu irmão, brincava no espaço onde o pai trabalhava. Eram crianças curiosas e ele se recorda de estar com 8 anos e acompanhar o progenitor para assentar portas, aproveitando a companhia e sendo incentivado para o ramo.

    Essa experiência fez com que Plínio e seus irmãos começassem em 2010 a trabalhar por conta própria, abrindo a fábrica com as máquinas de seu pai, que agora trabalha com eles. Os irmãos começaram a comercializar os móveis rústicos e então melhoraram o maquinário, que já era bastante simples e antigo. As coisas foram melhorando e a empresa começou a crescer e viram a necessidade de entender mais sobre gestão. Buscou se formar.

    Cursou Administração na Universidade do Estado de Minas Gerais (Uemg) e pós-graduação em Gestão Empresarial, e o término dessa formação coincidiu com o início da Associação Comercial e Industrial de Móveis de Passos (Acimov). Para esse passense, as ideias do associativismo que viu na Administração vieram ao encontro com o movimento do setor na Acimov. Já são dez anos que ele está nessa atividade, juntamente com seu pai, que tem seis irmãos homens, dos quais cinco também trabalham com móveis rústicos e, desses cinco, há três tios que trabalham com ele na fábrica, é uma família moveleira.

    E para falar desse mercado que gera milhares de empregos e renda para o município, o Entre Prosas conversou com o presidente da Acimov, que é casado com Abilene Mayer de Oliveira, com quem tem o filho Joaquim, de 1 ano e 2 meses, e o Augusto, que está para chegar em janeiro.

     

    Folha da Manhã – Mesmo você sendo um jovem, tem conhecimento de como começou o negócio do setor moveleiro em Passos?

    Plínio – Sim, mesmo sendo um jovem, eu cresci literalmente dentro do setor moveleiro. Este setor começou em Passos em 1961. Ao que conseguimos pesquisar, o pai do Rafael Maia comprou uma Kombi e começou a ir até as fazendas comprar móveis antigos, montou uma loja em São Paulo com um sócio de Passos. Com o passar do tempo, ele teve dificuldade em encontrar os móveis originais e começou a fabricar réplicas com ferramentas artesanais, dava o acabamento e começou a perceber a saída dos móveis e daí começou a fabricar modelos parecidos com os antigos. Realizamos uma homenagem aos precursores durante a feira de móveis, tendo sido um momento único e também da gente agradecer por terem iniciado o setor no município, e, por isso, estamos aqui hoje.

     

    FM – Quem foram os precursores do setor moveleiro em Passos? Soubemos que a Acimov prestou uma homenagem a eles na última feira.

    Plínio - O setor moveleiro tem muito a agradecer aos precursores e idealizadores dos móveis rústicos que são: Odete Maria de Paula, já falecida, Odélio Amorim, o Odélio Carretel, Dulcídio Soares Maia, Levi Alves Leonel, Jonilson Barbara, já falecido, José Cândido de Paula, também já falecido, Osmar Rodrigues da Silva, Amir Rodrigues da Silva, Ademir José da Silva, José Marçal dos Santos, já falecido, Isomério Ferreira dos Reis, o Melinho, e Eurípedes Santos da Silva, o Santinho.

     

    FM – Você entende que o associativismo é importante para o setor?

    Plínio - A força do associativismo não tem como medir. Todos esses anos nós do setor não tínhamos contato nem com a Prefeitura, nem com a nossa capital, Belo Horizonte. E, agora, com a Acimov, já temos um excelente relacionamento com a Federação das Indústrias de Minas Gerais (Fiemg), que tem justamente a função de cuidar das indústrias do Estado. Com a Acimov, a Fiemg nos apresentou ao Sindicato das Indústrias do Mobiliário e Artefatos de Móveis do Estado de Minas Gerais (Sindimov), que é representante da classe mobiliária e é pertencente à Fiemg. A presidente Iara Gomes Abade já esteve em Passos umas cinco vezes no período de um ano, inclusive participou da última feira de móveis rústicos, com a qual ela disse que se surpreendeu. Com isso, fez contato com o presidente da Fiemg e ele garantiu estar presente na próxima, que ocorrerá entre os dias 25 e 28 de junho de 2020. Estamos em um grupo de mais de 30 empresários e vamos passar por um programa chamado indústria segura, que faz adequações para oferecermos mais saúde e segurança aos trabalhadores.

     

    FM – A Acimov tem como planejamento dar cursos de capacitação a trabalhadores?

    Plínio - É um objetivo da Acimov, inclusive, já estamos conversando com a Fiemg para trazer a Passos curso de capacitação, mesmo que seja para usar e formar dentro das próprias fábricas. Vamos criar metodologia de desenvolver essa mão de obra. Entendemos que essa ação visando à formação tende a ampliar e fortalecer o mercado e, quem sabe, no futuro, a Universidade do Estado de Minas Gerais (Uemg), Unidade Passos, tenha um curso de design de móveis.

     

    FM – E como nasceu a Acimov?

    Plínio – Antes de mais nada, gostaria de agradecer ao pessoal que começou a associação por terem acreditado no nosso trabalho. Bom, começamos a reunir os empresários em 2016. Na época, estava acontecendo algumas reuniões na Casa da Cultura a respeito de um problema de alvará na cidade, especificamente no bairro Serra das Brisas, pois não estavam conseguindo emitir alvará de funcionamento. A partir de uma audiência pública realizada na Câmara Municipal de Passos, os funcionários começaram a se reunir e entenderam que estavam em um momento do setor se organizar. Desde o início da criação desse setor, há mais de 50 anos, o fator comum entre todos os empresários era de que faltava associativismo.

     

    FM – Os empresários trabalhavam de forma individualizada?

    Plínio – Sim, o pessoal sempre foi muito conhecido entre eles. Afinal, Passos é uma cidade pequena e muitos trabalharam juntos nas fábricas, eram amigos, alguns parentes, mas, como donos, não chegavam a trabalhar juntos. As compras, por exemplo, eram feitas de maneira individualizada. Nunca tiveram tradição de associativismo, de compra coletiva. A partir das reuniões de 2016, pelo menos 12 fabricantes se reuniram com o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), que passou a ter encontros semanalmente. Nas gestões da administração pública passense anteriores, não havia muita abertura ao setor moveleiro e, nesta, tivemos uma abertura, o que se tornou um diferencial.

     

    FM – A associação tem um levantamento de quantas indústrias, de pequeno, médio e grande porte, existem em Passos?

    Plínio - Sabemos que até hoje o setor vem crescendo, temos conhecimento de 200 fábricas, metade informal e metade formal. Mas nós entendemos que precisava de uma organização do setor. De imediato, tivemos apoio da Associação Comercial e Industrial de Passos (Acip) e do Comércio de Diretores Lojistas (CDL); a dificuldade que nós tínhamos era justamente a falta dessa união, enfrentando resistência dos próprios empresários quanto aos nossos objetivos. Então, verificamos que este setor, com mais de 200 empresas, tem muita competência na construção dos móveis, mas faltava conhecimento no setor de gestão. A Acimov vem para resolver isso. Esse grupo tem como objetivo trazer parceiros e conhecimento em gestão para fomentar o setor e potencializar as fábricas.

     

    FM – Vivenciamos em Passos a ascendência e a decadência do setor confeccionista, que brigou muito de forma negativa para não se associar a nada achando que estavam fazendo um grande negócio, enquanto não era isso, e agora assistimos ao fechamento da maioria das fábricas.

    Plínio – Não podemos falar daquilo que não entendemos e esse setor confeccionista não é do nosso conhecimento. O que posso garantir é que vimos a nossa necessidade, o momento do país é talvez de individualidade. Você perguntou se fizemos algum curso para que tomássemos frente à presidência da Acimov, bom, o Sebrae trouxe para nós a cultura da cooperação, que tem esse objetivo de ensinar os empresários a trabalharem juntos. O programa que o grupo de moveleiros fez durou cerca de um ano e meio, com reuniões realizadas uma vez por mês. Cerca de 30 empresários participaram e, desde novembro de 2016 pra cá, a gente vem vencendo essa desconfiança e enxergando a necessidade do associativismo, do cooperativismo e da gestão do negócio. Na verdade, é uma falta de cultura do pessoal de trabalhar no coletivo e às vezes expor sua empresa.

     

    FM - E com isso vocês ampliaram o número de associados?

    Plínio - A gente entrou pela credibilidade e idoneidade desse pessoal que esteve à frente do primeiro grupo. Fomos vencendo e vendo o grupo crescer mês a mês e, hoje, contamos com cerca de 50 associados. Passamos pela cultura da cooperação, aprendemos a trabalhar juntos. Já realizamos compra coletiva. Dentro da associação, tem empresa com um funcionário, com 50 funcionários e isso independe na hora da compra.

     

    FM – Qual é a missão da associação?

    Plínio – No que se refere às compras, por exemplo, a missão é igualar todos. Então, se compramos uma caixa de pregos, ela tem que sair o mesmo valor para todos, não há distinção daquele que é maior acabar levando mais vantagem. Vamos tentar levar para a associação a inovação, temos um grupo em que reunimos pessoas que fazem frete e, por fim, conseguimos fazer nossas cargas de móveis compartilhadas. Estamos melhorando a compra e pensamos em criar um aplicativo para hospedar nossa demanda e os freteiros já têm acesso e entregam o produto. Na compra coletiva, adquirimos muitos insumos como cola, cera, prego, lixa, boina para lustrar, já compramos a própria madeira de demolição.

     

    FM – Quais são as matérias-primas do setor de móveis rústicos?

    Plínio - A grande maioria dos produtos é feita de madeira de demolição, mas hoje já existe no mercado uma madeira renovável, que é o eucalipto. Muitas fábricas já trabalham, ele é especial para móveis, já tem a madeira preparada desde a muda para esse mercado, ele recebe um tratamento de secagem em que a madeira se torna imune a qualquer tipo de problemas de dilatação, cupins, entre outros. Essa madeira tem entrado com vigor no mercado devido à sua qualidade. Ainda com relação a esse tipo de madeira, foi realizada uma parceria com a empresa fornecedora um workshop em que levamos os associados para fazer uma visita a uma grande indústria da área em Martinho Campos (MG) e conhecemos as técnicas de plantio, as estufas de secagem da madeira, até a destinação. Tudo isso vem trazendo mais confiança para o empresário, tira as dúvidas e permite uma maior utilização dessa madeira nos trabalhos.

     

    FM - A madeira de demolição é finita mesmo?

    Plínio - Sim, ela tem um fim, por ser retirada de casas de 50, 60, até 100 anos. Essa madeira vem em sua maioria do Estado do Paraná, só que o pessoal comenta que ainda tem muita casa para ser desmanchada, sabemos que ela é finita, mas ainda vamos encontrar por um tempo essa madeira.

     

    FM - Só em Passos que fazem esse tipo de móveis rústicos ou há algum concorrente mais direto no Brasil?

    Plínio - As cidades de São João Del Rey e Tiradentes também fabricam móveis rústicos. Alguns empresários que já visitaram essas cidades afirmam que os barracões, a infraestrutura de construções de Passos são melhores. Essas duas cidades são mais fortes em artesanato, porém, a fabricação intensa, em maior número, é em Passos. Ainda pelo fato de haver individualização tanto em compras como em vendas, a Acimov não consegue informar dados sobre faturamentos e número de peças produzidas. Mas é um dos nossos objetivos.

     

    FM – Quais são as novidades no setor?

    Plínio – A grande novidade é que já estamos trabalhando desde o primeiro dia após a realização da 3ª Feira de Móveis Rústicos de Passos para a realização da quarta edição. Já temos a adesão de 20 fabricantes do setor. Fizemos várias reuniões e a tendência é superar novamente as expectativas em relação à feira anterior, então, envolve bastante responsabilidade para a nova edição.

     

    FM - Na primeira feira, vocês levaram quanto tempo para preparar?

    Plínio - A primeira feira nós levamos quatro ou cinco meses de preparo, porque começamos a averiguar as questões relativas à Prefeitura, e todos os alvarás. Agora, precisamos pensar, planejar e já colocar em prática a participação dos fornecedores, os apoios. Pois queremos trazer de diferencial para o público um ambiente muito agradável e móveis diferenciados. Na última feira, fizemos parceria com um grupo de oito arquitetos no desenvolvimento de móveis exclusivos para o evento e na montagem dos stands. Para a próxima feira, já estaremos trabalhando com eles há um ano, então, acredita-se que terão ainda mais móveis exclusivos no evento, com layout diferenciado dos stands e estamos esperando resposta da Fiemg para saber com o que ela poderá agregar na feira. Além disso, teremos alimentação, parque infantil, música, buscando ao máximo possível um ambiente familiar. Buscamos também cuidar da segurança, pois a feira acontece de quinta a domingo e, nesses dias, a cidade fica diferente, muitas pessoas costumam ir à feira todos os dias, então, é importante cuidar da segurança.
     

    FM - Como vocês trabalham na divulgação desse setor, principalmente em relação à feira para outros Estados?

    Plínio - Então, no momento, temos até o site pronto, mas o estamos potencializando; utilizamos as redes sociais e fazemos também divulgação para grupos específicos. A gente gostaria de frisar que cada associado da Acimov tem um espaço na loja virtual dentro do site, o que traz otimização para as vendas. Esse site está terminando de ser formatado. Acredito que até o fim do ano ele já esteja em funcionamento. O site permite ao cliente conhecer de longe o que cada fábrica tem, a pronta entrega, e será direcionado ao Whatsapp do fabricante para as negociações, então, se o cliente estiver em São Paulo, ele já vai facilitar sua compra. Existem fábricas menores que estão na associação e não possuem condição de ter um site. Elas serão beneficiadas pelo associativismo que fomenta o crescimento.

     

    FM - Tem alguma taxa que o associado paga?

    Plínio - Sim, temos uma mensalidade mínima de R$60 para manter a pessoa que trabalha na associação e gastos com água e energia elétrica. Nossa sede é alugada e fica na rua Coronel João de Barros, 1.580, Centro, com funcionamento das 13 às 18h, de segunda a sexta-feira. Acredito que será uma questão evolutiva a associação crescer e sua sede evoluir também; da mesma forma que nasceu a diretoria, pegamos a principal qualidade de cada um para compor a diretoria.

     

    FM – E como está composta a diretoria da Acimov?

    Plínio – Eu estou no cargo de presidente; Douglas dos Reis Andrade, como vice- presidente; Elizabeth Lacerda Andrade, na posição de 1ª secretária; Roseli Neves Brito de Paula, como 2ª secretária; Luciene Aparecida da Silva Ferreira é a 1ª tesoureira; Silvionei Reis Freitas; 2º tesoureiro; Marcelo Silva Coimbra, no cargo de diretor de comunicação; Gilberto Augusto da Silva, diretor de relações institucionais; Keila Aparecida da Silva, no cargo de diretora de eventos; e os diretores Gilmar de Jesus Tiago, Luciano da Silva e Gustavo Henrique Pereira.

     

    FM - Conte um pouco do seu envolvimento pessoal com o setor.

    Plínio - Então, meu pai está no ramo desde a década de 1970. Ele se chama José Ailton de Andrade e começou a aprender o ofício pelo Centro de Aprendizagem Pró-Menor de Passos (Capp), por volta de 1974, e trabalhou com marcenaria a vida toda e, em um determinado período, resolveu trabalhar por conta própria. Ele não tinha fábrica, mas uma pequena oficina ao lado de casa. Eu tinha 5 anos quando ele começou, então, fomos criados em meio à serragem. Éramos curiosos e eu me lembro que, com meus 8, 9 anos, meu pai saía para assentar portas e nós íamos juntos, acho que ele gostava da companhia e também nos incentivava para o ramo. Juntamente com seus irmãos, começaram em 2010 a trabalhar por conta própria, abrimos nossa fábrica com as máquinas do meu pai, inclusive ele trabalha até hoje nas atividades. Começamos a comercializar os móveis rústicos e então melhoramos o maquinário que já era bastante simples e antigo, as coisas foram melhorando e a empresa começou a crescer e vimos a necessidade de entender mais sobre gestão, portanto, nos formamos na Uemg nesta área.

     

    FM – O problema relacionado ao bairro Serra das Brisas foi sanado?

    Plínio - Não está resolvido, o bairro foi construído para ser residencial, entretanto, as residências não foram muito para frente e, antes das marcenarias, as mecânicas já haviam se instalado também, não progrediu a construção das casas, os lotes eram de tamanho intermediário, o que proporcionou a algumas fábricas se instalarem ali. A gestão pública da época foi liberando alvará, mesmo o bairro sendo residencial. Posteriormente, o número de barracões já era bem superior ao de residências e, inclusive no bairro, há também um laticínio, a cooperativa dos caminhoneiros, as maiores mecânicas e retíficas, então, acredito que o bairro seja o maior parque industrial do município. Nesse ano de 2016, os moradores ali do bairro foram ao Ministério Público reclamar da situação e, até o momento, o local se encontra bloqueado para emissão de alvará, muitos lotes parados e as pessoas não conseguem construir barracões, nem casas. Eu acredito que essa reclamação foi muito pontual, partindo de uma única pessoa, afinal, no tempo que estou lá não tive problemas com vizinhos e os colegas também não. Porém, numa vez que vai para o MP e trava, é uma questão delicada de resolver, é um dos objetivos que a Acimov tem com o MP, e a Prefeitura regularizar essa situação, liberar o bairro e torná-lo uma zona mista ou até mesmo distrito industrial. Sabemos que tem muitas empresas espalhadas no perímetro urbano da cidade. Se todas se mudarem para a o bairro Serra das Brisas, não irá caber, então, temos também a necessidade de um condomínio industrial.

     

    FM - Vocês já chegaram a sugerir um parque industrial só do setor moveleiro, em uma nova área?

    Plínio - Sim. Estamos trabalhando para isso. É importante frisar que é um compromisso da Acimo, ajudar a regularizar o bairro Serra das Brisas. A gente sabe que tem muitas fábricas de móveis dentro do perímetro urbano, espalhadas em vários bairros da cidade. Se for todos para o Serra das Brisas não cabe, então vimos a necessidade de um condomínio industrial para os móveis rústicos. A Acimov já vem trabalhando há mais de um ano também, junto com a prefeitura, para a criação desse condomínio industrial. Se eu não estou enganado o projeto já está na Câmara Municipal que é a criação de um condomínio industrial em frente ao aeroporto. Inclusive os fabricantes que temos conhecimento eles já nos cobram, a gente que está à frente da associação, coordenando esse movimento, eles nos cobram. Acredito que em um período muito curto já vai ser uma realidade esse condomínio industrial.

     

    FM - Em quais Estados estão as vendas dos móveis rústicos?

    Plínio - A maior parte vai para São Paulo, Rio de Janeiro, porém temos informações de nossos móveis passenses em quase todos os estados brasileiros. O povo vem e compra, tem lojas em vários estados que o pessoal faz entrega. Inclusive a minha fábrica já fez, e outros amigos também, lá na divisa com a Bolívia, no Mato Grosso. Muitos fabricantes também vendem pelo mercado livre, para a internet. Sabemos até de móveis exportados.

     

    FM – A Acimov já tem uma marca dos móveis de Passos?

    Plínio - Voltando para o projeto do Sebrae, o projeto contempla várias ações. Uma das ações é a criação da marca coletiva. Esse projeto é similar ao projeto de Queijo Canastra. Igual eles criaram um projeto do selo deles, a gente vai criar um dos móveis rústicos aqui de Passos.

     

    FM – O Sebrae então é um grande parceiro?

    Plínio – Sim, muitos empresários que tinham receio em conversar, hoje estão recebendo consultores do Sebrae. E cada um está em uma área. Um está com a central de negócios, que vai sair desse projeto; o outro com a parte de gestão, que todos eles entram e fazem um diagnóstico e depois faz um whorkshop com a gente; e o outro com rota de mercado, ele está definindo com a gente, está diagnosticando, identificando uma rota que vamos fazer, para depois definir e ir até o mercado.

     

    FM – Qual a função da Central de Negócios?

    Plínio - A Central de Negócios é uma ação dentro do projeto, que vai criar a marca e potencializar as comprar coletivas e as vendas coletivas. Dentro dessa central de negócio estamos desenvolvendo uma ação interessante, que é a visita dentro da fábrica de cada empresário de Passos. Todo o grupo visita todos. Todos vão conhecer por dentro como funciona. Às vezes a gente quer ir longe conhecer uma tecnologia, mas, por vezes um amigo meu tem uma tecnologia, um processo diferente, que ele queria passar aos amigos e, às vezes, por falta de oportunidade, falta de conversar não fica sabendo. A gente já visitou 15 empresas e vai continuar visitando, e isso vai dar resultado, vai aproximar os empresários. No dia das visitas almoçamos todos juntos, é uma troca, vai quebrando paradigmas e construindo amizade, criando confiança. Um quer somar à ideia do outro e progredir.

     

    FM – Este projeto do Sebrae tem algum valor?

    Plínio - Esse projeto do Sebrae tem um valor total de R$600 mil reais. Dos quais 70% vem por parte do Sebrae e 30% é contrapartida da Acimov. Nesses 30% a prefeitura municipal está nos ajudando com uma parte considerável, que isso vai se multiplicar na cidade com uma geração de emprego e renda, o aperfeiçoamento das fábricas. Então acredito que é um excelente investimento, investir em quem gera emprego e renda.

     

    FM – Os móveis rústicos estão em praticamente todos os eventos de Passos, como é esta parceria?

    Plínio - A Acimov tem sim feito parceria em praticamente todos os eventos do município, hoje em eventos que não tem a ênfase nos móveis rústicos como o Encontro de Motociclistas, Feira Literária, Festival de Queijos e Mostra Ipê que se tornam um meio de divulgação do nosso trabalho para a cidade, somos gratos a quem visita as feiras e fábricas. O setor é bem visto, recebemos agradecimentos ela geração de empregos e tudo mais. Os móveis rústicos de Passos estão rompendo fronteiras, no Big Brother 2018 a cozinha e área externa foi totalmente mobiliada por fabricante aqui de Passos, e após o fim do programa, os móveis retornaram para cá e foram expostos na 2ª Expomóveis rústicos. O Independência Móveis Rústicos não mandou diretamente para a Globo, ela possui compradores/intermediadores no Rio, São Paulo, e assim, foi feita essa conexão. Então detectamos nossos móveis em diferentes meios de influência, tem um programa chamado Bake Off Brasil, por exemplo, que olhando a gente identifica que os móveis são de Passos, se identifica rapidamente. Tem um marceneiro daqui que sempre está com famosos, trabalhou na montagem do novo estúdio da Rede Globo então ele até tem a camiseta da associação para divulgar. Inclusive temos notícias de empresários que chegaram a exportar os móveis para locais como Estados Unidos, França, Israel e Canadá. A nossa preocupação é cuidar bem desses móveis e desses empresários, pois melhorando o setor, a nossa cidade ganha. Da mesma forma, somos gratos à Prefeitura, Sindicato Rural, Acip, Sebrae, Sicoob, pois nos ajudaram a chegar até aqui e frente a isso, buscamos doar móveis para entidades filantrópicas do município, além de arrecadações.

     

    FM – A Acimov se preocupa também com a responsabilidade social?

    Plínio - Em novembro há a Festa do Suíno em prol da creche Misael Ferreira, e já há alguns anos a Acimov com seus associados doa móveis para serem leiloados no evento. Na feira de 2018 abrimos parte das vendas para o Hospital do Câncer. Recebemos um pedido de 10 camas para a Casa Acolhedora de Maria devido à ampliação que estão fazendo, a gente postou na rede da Acimov e um empresário já se disponibilizou a doar duas camas inicialmente, pouco tempo depois já ultrapassamos o pedido, pois já estávamos com doze camas, outros se disponibilizaram com colchão, etc. Agora em novembro começaremos arrecadação de brinquedos para o Natal, vamos conscientizar os associados a deixar as doações na sede da Acimov para distribuição. O Criança Felis (grafado assim mesmo) é um projeto que nasceu de aproximadamente seis casais há 18 anos e para orgulho nosso, a maioria dos casais eram do setor moveleiro, então doamos os móveis para o leilão a fim de levantar dinheiro para comprar brinquedos, saquinhos surpresa, etc. 

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