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    30/10/2019 09h47 - Atualizado em 30/10/2019

    Enxaqueca com aura: alterações sensitivas indicam início da dor

    Fenômenos visuais são mais frequentes, com pontos luminosos, linhas em ziguezague ou manchas escuras

    Ludimila Honorato - Especial para a Folha

    A enxaqueca é um tipo de cefaleia (dor de cabeça) que acomete cerca de 30 milhões de brasileiros. De causa desconhecida, ela é caracterizada por ocorrência frequente, intensidade de moderada a severa e pulsante. Geralmente, a pessoa fica sensível à luz, ao som e tem náuseas. Há ainda quem tenha alterações visuais e sensoriais e a esse tipo de ocorrência dá-se o nome de enxaqueca com aura.

     

    “É uma fase da enxaqueca, um aviso de que a dor virá. Na maioria das vezes, é um fenômeno visual, com alteração da percepção, que pode incluir linhas em ziguezague, pontos luminosos, e manchas escuras”, explicou o neurologista Mario Peres, presidente da Associação Brasileira de Cefaleia em Salvas e Enxaqueca (Abraces). Embora seja uma fase que precede a dor, esta pode vir junto com a aura em alguns casos.

     

    A ocorrência é relatada em cerca de 10% a 20% dos casos de enxaqueca e pode durar de cinco minutos a uma hora. Além da alteração visual, a pessoa ainda pode sentir formigamento, perda de força e dificuldade na fala, porém são mais raros. “Faz lembrar um AVC [acidente vascular cerebral], mas a diferença é que a aura é transitória”, comentou o médico.

     

    Embora apresente sinais e sintomas a mais, a aura não é uma consequência mais grave da enxaqueca. No entanto, o especialista observa que a condição aumenta o risco de distúrbios de depressão, ansiedade, pânico e AVC.

     

    O médico exemplifica que uma mulher que tem enxaqueca com aura, usa anticoncepcional e fuma tem um risco 18 vezes maior de ter acidente vascular cerebral do que aquela que não se enquadra nessas condições. Assim, é aconselhável repensar hábitos de vida e avaliar outras opções de contracepção.

     

    Fenômeno da aura na enxaqueca

    A aura da enxaqueca explica-se pelo próprio mecanismo de ação desse tipo de dor de cabeça. “Os neurônios podem sofrer perturbações e elas podem se propagar. Isso ocorre na parte de trás do cérebro, no córtex visual. Esse é um dos mecanismos conhecidos para a causa da enxaqueca no geral, mas especialmente a aura tem a ver com isso. Quando essa perturbação se propaga, pega região da fala, da sensibilidade e do movimento”, detalhou Peres.

     

    Existe uma variação rara da enxaqueca com aura chamada hemiplégica. Ela ocorre devido a uma mutação genética e causa perda de força. O neurologista afirma que, nesse grupo, uso de anticoncepcional e tabagismo são fatores de agravamento. Uma vez que a enxaqueca, no geral, é cerca de três vezes mais comum em mulheres do que em homens, elas também são mais propensas a manifestar algum sinal ou sintoma da aura.

     

    O que é

    Diferente de uma dor de cabeça que surge de vez em quando, provocada por estresse ou falta de alimentação, por exemplo, a enxaqueca é recorrente e acompanha outros sintomas. Náuseas, vômitos e sensibilidade à luz, a som e odores são o que diferencia o quadro e determina o diagnóstico.

     

    Outros fatores diferenciais são: o local da cabeça que dói (geralmente de um lado só), a intensidade (moderada a forte), e o tipo de dor (latejante). Exames de imagem ou laboratoriais não dão diagnóstico de enxaqueca, apenas excluem outras causas.

     

    Segundo o estudo My Migraine Voice, promovido pela farmacêutica Novartis em parceria com a Aliança Europeia para Enxaqueca e Cefaleia, 82% dos brasileiros que têm enxaqueca afirmam que sofrem com o impacto social das dores. Eles relatam não conseguir cumprir todas as atividades diárias e manter hobbies, mais de 50% se sente impossibilitado de comparecer a eventos sociais e 30% não consegue praticar exercícios físicos.

     

    Tratamento para enxaqueca

    O tratamento para a enxaqueca, de modo geral, pode ser agudo, com medidas para cortar a crise quando ela já está instalada, e preventivo. Também envolve vertentes com e sem remédio. As classes medicamentosas mais utilizadas são antidepressivos, anticonvulsivos e betabloqueadores. Dependendo do nível da dor, podem ser indicadas injeções com medicamento uma vez ao mês ou aplicações de botox.

     

    O uso frequente de analgésico não é recomendado, uma vez que eles podem perder o efeito e, ao contrário do propósito, ser a causa da dor. Segundo Peres, uma pessoa com enxaqueca deve ser tratada com drogas preventivas e específicas, que são tomadas uma vez por dia. Já a vertente não medicamentosa inclui atividades físicas, acupuntura, fisioterapia e exercícios de relaxamento e respiração. 

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