• Assine (35) 3529-2750

    Fale Conosco contato@folhadamanha.com.br

    WhatsApp (35) 9 8829-8351

       
    ÁREA DO
    ASSINANTE
    ESQUECEU SUA SENHA?
    Você receberá em seu e-mai uma nova senha para login.
    

    Assine 35 3529-2750

    Fale Conosco contato@clicfolha.com.br

    WhatsApp 35 9 9956-5000

    
    30/10/2019 09h35 - Atualizado em 30/10/2019

    A humana escolha entre virtude e vício

    O filósofo e a escritora zen-budista lançam o livro ?Nem anjos nem demônios - A humana escolha entre virtudes e vícios?? apresentam um debate sobre as opções que podemos tomar no decorrer da vida

    Bons ou ruins, todos nós podemos ser. Tudo vai depender de nossas escolhas. Esse é o princípio de Nem anjos nem demônios – A humana escolha entre virtudes e vícios, lançado pela coleção Papirus Debates. A obra uniu o filósofo Mario Sergio Cortella, de 65 anos, e a Monja Coen, de 72, em uma longa conversa que, editada em livro, apresenta um debate sobre as opções que podemos tomar no decorrer da vida.

     

    A filosofia ocidental que Cortella, professor titular aposentado da PUC São Paulo, domina se encontra com os conceitos da filosofia oriental, a praia da Monja Coen, que se iniciou no zen-budismo ainda nos anos 1980 – é fundadora da Comunidade Zen-Budista do Brasil, com sede em São Paulo. “Procuramos falar mais sobre as aproximações entre as concepções do que dos lados opostos, mesmo que não concordemos o tempo todo”, diz Cortella.

     

    O conceito de destino, por exemplo, encontra ideias complementares. “Na concepção ocidental, judaico-cristã, não há destino. Adão e Eva fizeram o que fizeram porque quiseram, ninguém os obrigou. O livro do Gênesis trata da liberdade. A Monja mostra que a noção de carma, que parte do Ocidente considera fatalismo, também é resultado das escolhas”, comenta Cortella.

     


    Monja Coen explica: “O budismo não é uma corrente filosófica, ele tem várias correntes filosóficas, assim como o cristianismo. A lei da causalidade é comum a todos os budistas. Ou seja, tudo que existe tem uma causa e uma condição para que se manifeste. As pessoas falam em carma dizendo ‘este é meu carma’ como algo (negativo), que tem tendência a se repetir. Mas ele pode ser neutro, benéfico ou maléfico. Na verdade, é o resultado imediato de ações, pensamentos e palavras, daquilo que colocamos no mundo. O carma não é um destino fixo, não é determinismo, é fluido.”

     


    Sobre a maneira de se colocar no mundo, a monja apresenta um exemplo claro. “Uma pessoa olha uma rosa e pode dizer como é bonita, mas como tem espinhos. Outra pode dizer ela tem espinhos, mas como é bela. A ênfase que se dá ao espinho ou à beleza da rosa é que vai fazer diferença nas nossas escolhas, no céu ou no inferno.”

     


    Para produzir Nem anjos nem demônios, Cortella e Monja Coen, que se conhecem há décadas, reuniram-se em duas ocasiões, no escritório do filósofo, em São Paulo, para oito horas de conversas gravadas. Há também registros em vídeos, que serão exibidos nos canais digitais dos autores. Para manter a fluidez uma conversa, o produto dos encontros foi bastante editado.

     


    Sucesso nas livrarias

    Nem anjos nem demônios é o 13º livro de Cortella para a coleção Papirus Debates. As obras anteriores já venderam 313 mil exemplares – o livro mais popular do autor é Ética e vergonha na cara, escrito com Clóvis de Barros Filho (65 mil exemplares vendidos). Monja Coen tem outras duas obras pela mesma coleção – O inferno somos nós, com Leandro Karnal, vendeu 62 mil exemplares.

     

    Para Cortella, o interesse crescente do público por questões filosóficas se deve a certa “agonia” do mundo contemporâneo. “O mundo digital, com esses tsunamis informacionais, levou à ressurreição da filosofia, que entrou no circuito da moda, virou fenômeno pop.

     

    Ela se tornou mais sofisticada para que se entenda a recusa à superficialidade em função do mundo digital. Talvez quem tenha iniciado esse tipo de debate seja o filme Matrix (trilogia lançada em 1999), que trouxe grandes questões para pessoas que hoje têm 30, 40 anos. O que desejo? Uma vida autêntica ou um mundo ilusório?”, comenta ele.

     


    Com prestígio em seus respectivos meios e popularidade entre o público, Cortella e Monja Coen descartam o famigerado selo de autoajuda. “Leandro Karnal, Luiz Felipe Pondé e eu (os chamados filósofos pop, que lançaram recentemente Felicidade – Modos de usar) somos todos doutores, viemos do mundo acadêmico”, afirma Cortella.

     

    “Podem até dizer que fazemos autoajuda, esse é um tipo de avaliação. Todos nós passamos por rituais e bancas, não banalizamos a conversa filosófica. Se estou no Sesc Palladium falando diretamente com o público, não vou deixar de usar o termo epistemologia só porque é sofisticado. Vou traduzi-lo, explicá-lo, de maneira que não prive as pessoas a ter acesso ao universo vocabular.”

     


    Para Monja Coen, deve-se diferenciar autoajuda de autoconhecimento. “No livro 21 lições para o século 21, o autor israelense Yuval Noah Harari chega à conclusão, por meio de uma análise histórica dos últimos séculos, de que a solução para a humanidade é o autoconhecimento.

     

    Se você está nervoso, vai para o Facebook e ouve um som de cachoeira, se acalma. Isso é autoajuda, mas não leva à sabedoria. O efeito principal do ensinamento vindo do autoconhecimento é o despertar para a sabedoria da vida, com seus altos e baixos, para saber atravessar lutos e dificuldades. Esse processo é até dolorido, mas mostra os lados de sombra e luz.”

     

    NEM ANJOS NEM DEMÔNIOS: A HUMANA ESCOLHA ENTRE VIRTUDES E VÍCIOS. De Mario Sergio Cortella e Monja Coen. Papirus/Sete Mares. 208 páginas. R$ 38,90 

    Mais sobre a editoria

    Guia da Cidade
    INCLUA SEU ESTABELECIMENTO

    Assine (35) 3529-2750

    Fale Conosco contato@folhadamanha.com.br

    WhatsApp (35) 9 8829-8351

    © 1984 - 2019 Folha da Manhã. Todos os direitos reservados.
    Desenvolvido por Mediaplus