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    21/10/2019 09h11 - Atualizado em 21/10/2019

    "Somos muito mais que mamas, somos essência"

    Lourdinha Borges

    Nathália Araújo - Da Redação

    Mãe de dois filhos, víúva, artista plástica, voluntária da Sociedade Brasileira de Mastologia, presidente fundadora do grupo Unaccam e Estrela da Mama. Lourdinha Borges é o nome da paulistana que venceu o câncer de mama e representou este ciclo em 27 telas e um livro e, neste outubro rosa, fez a doação de todo o seu material de exposição para o Hospital Regional do Câncer de Passos e ainda ministrou uma palestra cujo o tema foi “Câncer, vida e sensualidade”.

     

    A artista explica que precisou de muita fé e amor para enfrentar a doença e que todos os acontecimentos a transformaram em uma nova mulher cheia de vida e, que hoje busca transmitir o mesmo sentimento a pessoas que vivem o drama do câncer.


    Durante uma emocionante entrevista para a Folha da Manhã, Lourdinha revelou que o amor, coragem e a esperança são os principais meios de prevenção e contou sobre suas experiências após a descoberta do câncer

    Folha da Manhã – Quando a senhora descobriu que estava com câncer? Pode contar sobre como enfrentou esse problema diante de todas as outras coisas que estavam acontecendo na sua vida naquele momento?

    Lourdinha – Descobri o meu câncer aos 40 anos e foi uma fase muito difícil porque eu estava vivendo um luto, já que fiquei viúva cinco meses antes da descoberta. Na época, eu sentia muito cansaço e foi por este motivo que procurei por um médico e, quando fui diagnosticada, foi um susto muito grande. Quando tudo aconteceu, os convênios não cobriam o tratamento oncológico e, pra mim, a notícia foi como um soco no estômago; depois de recomendações médicas, fiz uma peregrinação pelos hospitais públicos e foi muito difícil! Me encontrei quando conheci o Instituto Brasileiro de Controle do Câncer, o IBCC, porque foi lá que recebi o que precisava e o tratamento foi maravilhoso. Enfrentei essa fase com amor e sede de viver, porque mesmo sofrendo, é necessário viver certas experiências que nos transformam como seres humanos.

    FM – No livro, a senhora relata que a descoberta foi acompanhada de diversos outros acontecimentos trágicos, como foi sua reação?

    Lourdinha - Quando recebi a notícia, pensei em não fazer o tratamento e quando disse isso ao médico, soube que eu teria apenas seis meses de vida. Ouvir isso foi desesperador! Naquele tempo, não tínhamos o conhecimento que temos hoje sobre o câncer, as pessoas temiam o próprio nome da doença, então eu demorei pra entender o quão grande era tudo aquilo. Quando me dei conta, eu era uma viúva de 40 anos, com dois filhos adolescentes e precisava tomar alguma atitude; vendi meu carro, fiz uma grande compra para os meus filhos e os mandei para estudar no exterior porque queria protegê-los do que estava acontecendo em minha vida. Estudei muito, me tornei uma voluntária da Sociedade Brasileira de Mastologia e encarei o meu tratamento de cabeça erguida.

    FM – Diante de tudo o que enfrentou, como acha que isso contribuiu para ser a mulher que é hoje?

    Lourdinha - Nossa, falar disso gera tantas emoções! Bom, uma vez por semana eu ia até o hospital e ficava por cinco horas fazendo a quimioterapia, depois, a cada 21 dias. Mas, eu participava dos eventos que aconteciam lá, das rodas de conversa e dos grupos e, isso me fazia frequentar o hospital diariamente. Em muitas salas de espera e debates, despertei a curiosidade sobre a vida íntima das mulheres com câncer de mama, então comecei a fazer perguntas a muitas delas e, foi daí que saiu a minha inspiração para produzir telas. Depois, o livro. Falar de paciente para paciente é mais fácil, por isso elas se abriam comigo. A coleção surgiu naturalmente ao longo de sete anos e é muito gratificante poder mostrar essa realidade por meio do meu trabalho que faço com tanto amor. Os homens são muito visuais, mas creio que as minhas obras contribuem para que eles consigam ver que nós, mulheres, somos muito mais que mamas, somos essência.

    FM – Qual foi o seu sentimento quando percebeu que estava vencendo o câncer e, ainda, ajudando pessoas que vivem esse drama?

    Lourdinha - Foi uma coisa muito interessante mesmo. Bom, eu pintava mulheres sem mamas, mas quando soube que eu poderia, finalmente, reconstruir o meu seio foi uma loucura, fiquei muito eufórica! Foi o momento em que me vi transbordando esperança, então as cicatrizes que eu pintava foram substituídas por flores, porque onde há flor, há esperança. Esta foi a segunda fase do meu trabalho, enquanto a primeira chamei de “cicatriz no peito e na alma”, a segunda é “reconstruir a vida e a mama”, isto porque eu comecei a sonhar e fazer muitos planos para aquela nova fase. Existe ainda, uma terceira fase, que representa o que vivi depois da reconstrução, neste momento, representei mulheres com as mamas aparentes e destacadas em telas maiores, eu estava feliz, estava com a minha mama de volta! Mesmo ainda chorando muito e sentindo falta do meu marido, nunca desisti da minha capacidade de ser feliz e busquei por isso. Aliás, é o que faço todos os dias. Nasceu uma nova mulher, uma pessoa mais dona de si e confiante.

    FM – Qual a reação das pessoas, especialmente as pacientes, ao verem em seus quadros o que a senhora chama de renascimento, junto a símbolos de força e esperança?

    Lourdinha - São várias situações, cada mulher passa por uma diferente e enfrenta como pode, os tumores variam muito e também existem muitas técnicas, mas são muitos e muitos casos. Quando elas vêm conversar comigo, ouço muitas histórias e independente das diferenças, em todos os relatos existe muita emoção. Com muitas lágrimas e sentimentos variados, as mulheres se reconhecem nas minhas telas, elas apontam e dizem “essa sou eu”.

    FM – No livro, a senhora explica que as pessoas que vivem uma experiência como essa passam a enxergar a vida com novos valores. Como isso ocorre?

    Lourdinha - Tudo dói, né? A perda de um amigo, de um ente querido, de um grande amor. Se perdermos uma carteira, dói e, se estiver cheia de dinheiro, dói mais ainda (risos). Perder uma mama, dói. Perder uma parte do corpo, dói. São muitas dores diferentes e cada um as enfrentam de uma forma. Eu, Lourdinha, já senti muitas dores e por isso hoje não digo que tenho problemas, falo que “tenho assuntos a resolver”, porque fica mais leve, mais fácil. Cada pessoa deve se encontrar para levar a vida com mais facilidade e são as nossas experiências que levam a essa compreensão. Tenho pra mim, que o bom humor é uma ótima ferramenta.

    FM – É por meio da arte que a senhora produziu que encontrou o eco que chamou de “grito de alerta para a prevenção”?
    Lourdinha - Quem ouve o que falo ou vê o que produzi, sabe que busco por força e coragem. As mulheres que pintei, não são frutos da minha imaginação, eu as conheci e trabalhei cada imagem como muito, muito amor e esperança. Todas as imagens são muito verdadeiras e vejo que esse fato se torna um ombro amigo. Trata-se de como olhar a vida, precisamos de olhar o hoje com fé e coragem. Hoje é o nosso presente, é o que temos e o que precisamos, é o presente de Deus. Como viver o amanhã é uma pergunta a ser respondida amanhã.

    FM – A senhora promove campanhas em diversos lugares do mundo. Nesse processo, foi possível encontrar outras formas de prevenção?

    Lourdinha – Costumo dizer que acreditar na vida é a solução pra tudo. Agora vivemos o outubro rosa e muita gente critica essa ação, mas precisamos ter fé e acreditar nisso tudo porque o mundo precisa de esperança. Então, o que posso dizer é que precisamos de amor, a maior prevenção que existe é o amor e não existem dúvidas quanto a isso. Tenho uma manha para trabalhar esse sentimento, todos os dias, logo ao acordar, se arrume como se aquele fosse o dia mais especial da vida, se olha no espelho e diga o quanto você é linda e o quanto merece ser feliz. O sentimento passa a ser desenvolvido pode curar qualquer coisa; isso é chamado de prevenção.

    FM – Ainda no livro, a senhora diz que vai continuar falando de prevenção “mesmo que isso incomode muita gente”. Como é a reação das pessoas diante disso?

    Lourdinha - Tem pessoas que me mandam mensagens criticando tudo, a mamografia, o outubro rosa e tudo mais. Mas acho melhor nem responder essas pessoas porque não as quero em minha vida. Dou atenção para a vida e para quem busca para fazer dela uma experiência feliz, vou continuar trabalhando a favor do bem porque é o mais importante para mim.

    FM – Qual é a mensagem que a senhora quer deixar para as mulheres que estão enfrentando situações difíceis?

    Lourdinha – Meu conselho é parar para respirar, acalmar o coração e enxergar as possibilidades. Minhas telas falam por si, elas têm a força da esperança. Com calma, podemos ver que todas as situações difíceis vão se resolver no momento certo. Temos que aceitar e nunca ter vergonha de receber ajuda porque assim a felicidade vai nos acompanhar.
     

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