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    18/10/2019 09h18 - Atualizado em 18/10/2019

    Pelos caminhos de Guimarães Rosa

    A EXPERIÊNCIA ECO-LITERÁRIA ELABORADA POR ANA PAULA HORTA CONTOU COM A PARTICIPAÇÃO DE 14 PESSOAS DE PARAÍSO E PASSOS COM VISITAS AO SERTÃO, MUSEU E GRUTA DO MAQUINÉ

    Adriana Dias - Especial para a Folha

    Falar e ler Guimarães Rosa é maravilhoso; ouvir sobre o autor é magnífico, mas, andar pelos caminhos que o escritor mineiro andou, ouvindo histórias sobre ele, contadas por estudiosos de sua literatura é, sem dúvida, uma aventura indescritível. Até parece ‘mentiraiada’, não fosse vivenciar essa caminhada eco-literária organizada pela historiadora Ana Paula Horta com o apoio das professoras Cristina Campos e Silvia Pessoa Rodrigues e do grupo Caminhos do Sertão.


     A aventura denominada Travessia aconteceu nos dias 10, 11 e 12 na cidade de Cordisburgo, a 440 km de Passos e 488 km de São Sebastião do Paraíso. Silvia Pessoa, professora de português que fez a pós-graduação em Guimarães Rosa, com enfoque no conto “Sarapalha”, discutiu a respeito do assunto na Pousada Esplanada, onde o grupo ficou hospedado.


    Cristina Campos, professora de Literatura graduada em Letras (inglês e português) e especialista em tradução, também realizou um minicurso com o tema “Quando a linguagem se funde à vida”, falando do código linguístico e algumas particularidades. A professora usou o livro “Sagarana” como ponto de partida para as aulas e discussões com o grupo. “Sagarana” pode ser o início para entendermos Guimarães Rosa, entender o Brasil e o sertão. Não só fisicamente, mas o ser humano e nossas questões. Não só o particular, mas o universal. O sertão é o mundo, já dizia em ‘Grande Sertão: Veredas’”, explicou.


    Ainda conforme ensinou Cristina, no Romantismo do século 18 e na segunda fase do Modernismo, por volta de 1930, já se falava de regionalismo. No Romantismo, um regionalismo idealizado e não vivido na prática; enquanto no Modernismo, um regionalismo local, honesto e documental. Porém, o de Rosa se caracteriza como universal e acrescenta o misticismo e o espiritual.


    “A Geração de 45, ou 3ª fase do Modernismo, com Guimarães Rosa e Clarice Lispector, abre caminho para novas representações da realidade. O realismo permanece, mas há a redescoberta da linguagem. O romance deixa de ser uma simples representação da realidade e tem valor em si. Outros pontos em comum entre os dois, além da reinvenção do código linguístico, é a sondagem do mundo interior das personagens. ‘Sagarana’, por exemplo, tem uma vertente mítica e outra da formação do Brasil”, afirmou.


    Segundo o próprio autor, em nota na primeira edição de “Grande Sertão: Veredas”, porém, sobre “Sagarana”: “Contos ou noveletas com originais enredos, tendo por cenário as paisagens do centro norte de Minas Gerais. Zona dos campos, vaqueiros, bois, pastagens e fazendas de gado. De onde o autor, valendo-se da observação direta, tanto quanto da memória da infância e da adolescência, recria no plano da arte e movimenta com estilo personalíssimo, o espesso mundo de terras, águas, árvores, plantas, bichos, aves e o homem sertanejo em sua realidade mais autêntica”.


    E quanto à sua linguagem, conforme explicou a professora, o próprio João Guimarães Rosa disse em depoimento ao crítico alemão Günter Lorenz em 1965 que: “Não, não sou romancista; sou um contista de contos críticos. Meus romances e ciclos de romances são na realidade contos nos quais se unem a ficção poética e a realidade. Sei que daí pode facilmente nascer um filho ilegítimo, mas justamente o autor deve ter um aparelho de controle: sua cabeça. Escrevo, e creio que este é o meu aparelho de controle: o idioma português, tal como o usamos no Brasil; entretanto, no fundo, enquanto vou escrevendo, eu traduzo, extraio de muitos outros idiomas. Disso resultam meus livros, escritos em um idioma próprio, meu, e pode-se deduzir daí que não me submeto à tirania da gramática e dos dicionários dos outros. A gramática e a chamada filologia ciência linguística foram inventadas pelos inimigos da poesia.”

     

    Neologismo

    Cristina Campos salientou que a respeito do neologismo, segundo o Priberam, é uma ‘palavra nova, ou acepção nova de uma palavra já existente’. A professora salienta que, quando se fala sobre Guimarães Rosa, talvez seja a primeira coisa que vem à cabeça.


    “Porém, ele não apenas inventava palavras ou usava do regionalismo das pessoas que viviam no sertão de Minas Gerais. Ele também usava de hibridismo. Como falava muitas línguas fluentemente e estudava sobre outras, criava as novas palavras também etimologicamente. Era capaz de misturar tupi com línguas nórdicas ou despertar palavras que não usamos mais. Assim como amalgamar significados por meio dos vocábulos ou incluir prefixos e sufixos.

     

    Por exemplo: Sagarana: – Saga - Narrativa lendária – Palavra de origem nórdica / germânica e Rana – à semelhança de – origem Tupi. O que significa: histórias que se parecem com narrativas lendárias”, apontou Cristina no curso.

     

    Outra palavra interessante que aparecem nos livros de JGR é ‘embriagatinhar’. A mistura de “embriagado” e “(en)gatinhar” serve para designar uma pessoa que, de tão bêbada, chega a engatinhar. 

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