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    14/10/2019 11h27 - Atualizado em 14/10/2019

    Opinião: Um mundo sem trabalhadores?

    Oh, que coisa mais interessante, se um dia o mundo não precisar mais de trabalhadores é porque não existirão mais trabalhos! Então vamos decifrar este enigma, antes que alguém imagine que em breve teremos o melhor dos mundos possíveis. Ou seja, um mundo onde todos os cidadãos viverão numa boa, livres de cumprir horários, chateações mil nos empregos tais como suportar chefes prepotentes, competição entre colegas, enfim tudo isto que hoje em dia, gera angustias, fobias e frustrações a maior parte dos trabalhadores, qualquer que seja a área de atividade. E o pior de tudo, os salários sempre baixos, o desemprego constante e depois de tudo, no fim, uma aposentadoria mixuruca! Mas, o que virá mesmo será um mundo robotizado, mecanizado por máquinas pensantes capazes de substituir os braços e as mentes humanas, que por enquanto, está no principio, mas já mostra que o futuro chegou e daqui para frente a tendência é sim atingir a tal da sociedade cibernética. Isto não significa a extinção completa do trabalhador, mas não existirá neste futuro contexto a massa trabalhadora, uma vez que as máquinas vão sim, substituir a mão-de-obra em pelo menos noventa por cento das atividades de produção e serviços é o que os cientistas sobre futurismo sustentam. Se você acha que isto não existirá, basta observar o mundo ao seu redor e o quanto você já usa ou depende de máquinas para suas satisfações ou até mesmo também de aborrecimentos. Até porque, o que está realmente acontecendo no momento, é o fato das máquinas tomando empregos de boa parte dos trabalhadores, daí poder ser creditado a elas boa parte dos treze milhões de desempregados aqui no Brasil, quiçá no resto do mundo também.

    Este tipo de sociedade sem trabalhador poderá na verdade desembocar em mais um pesadelo que no sonho de um mundo melhor. Poderá sim, ou deverá produzir sociedades previstas nas obras de George Orwell (do livro “1984”) ou de Aldous Huxley (do livro “Admirável mundo novo”), ou algo mais sinistro ainda como na obra “Laranja mecânica” (Ed. Aleph) de Anthony Burgess, que rendeu o ótimo filme (de 1972) do diretor Stanley Kubrick, com o mesmo título do livro. Mas, deixando a ficção de lado e analisando de fato este futuro que já não nos parece tão longe, para centrar nos aspectos relevantes desta questão, vou conforme um visionário com grave precariedade científica, demonstrar como serão as sociedades do futuro. Em primeiro lugar, lembrar que a história humana mostra claramente todo o processo e a evolução tecnológica que lentamente avançou desde a invenção da roda, do uso do fogo, arco e flecha, uso dos metais, passando pela revolução agrícola com o surgimento do arado e uso de animais, até que passados alguns milênios e aí veio a Revolução Industrial, aí sim inaugurando de fato a era tecnológica no século XVIII. E em todo este processo tecnológico à medida que evoluía para melhoria e aumento da produção de bens de consumo, tais avanços representavam tão somente no plano social, vantagens e enriquecimento para um só grupo social, sempre para classe do vértice da pirâmide social. Classe esta que durante sete milênios foi chamada de nobreza, tendo como exclusivos trabalhadores extremamente explorados, os escravos e servos. Somente nos últimos seis séculos este quadro mudou com a ascensão da burguesia capitalista tomando o lugar da nobreza, como classe dominante e os proletários como trabalhadores substituindo os escravos e servos! Mudança esta pouco significativa, pois que os trabalhadores continuaram sendo duramente explorados. E só conseguiram algumas vantagens na relação capital versus trabalho com muitas lutas, greves, mortes e organizações sindicais. E mesmo assim, somente nos países desenvolvidos.

    Mas, enfim, o que concluir de tudo isto, diante da esperada e sonhada passagem para a sociedade da plena automação de toda a produção e dos serviços? A chamada Era da Informação! Não esperem nada muito diferente do que sempre aconteceu no passado. Isto, porque, o grande perigo da tecnologia ao atingir o estágio de substituir todo o processo de produção e serviços, sem ter primeiro a humanidade atingido o pleno sentido do humanismo, sem dúvida que o futuro será funesto para a massa trabalhadora. Os conceitos do Humanismo surgiram há três séculos e a maioria da humanidade sequer ouviu falar deste importante conjunto de ideias filosóficas. Ideias que propõem a redenção dos seres humanos através da plena solidariedade, do fim das relações de superposição de classes sociais, da melhor forma equitativa de distribuir rendas, do respeito às diferenças ideológicas e assim por diante. O que prevalece e ainda prevalecerá infelizmente, por muito tempo, é a tecnologia evoluindo com rapidez de um jaguar e o humanismo correndo na rasteira com imenso atraso igual uma sonolenta tartaruga. Portanto, fica realmente comprometido este futuro, principalmente pelo domínio tecnológico, da ciência de ponta que já está todo concentrado e dominado pelas classes dominantes de poucos países, mesmos os considerados democráticos.

    Agora fica fácil imaginar como seria ou será uma sociedade cibernética de não inclusão dos bilhões de trabalhadores jogados ao leu, porque substituídos pelas máquinas. E com o Estado tendo à frente um chefe ao estilo de um Donald Trump, o fazedor de muros, para separar os que têm pleno acesso às benesses tecnológicas dos que não têm. Os ricos dos pobres. Imagine o que acontecerá? É só imaginar!

    ESDRAS AZARIAS DE CAMPOS é professor de História.

    A TECNOLOGIA COM A RAPIDEZ DE UM JAGUAR E O HUMANISMO IGUAL UMA TARTARUGA
                     

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