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    05/10/2019 09h15 - Atualizado em 05/10/2019

    E se o juiz fosse uma inteligência artificial?

    Um juiz eletrônico poderia ser capaz de analisar imagens como as captadas pelas câmeras de TV e chegar às próprias conclusões se houve falta, pênalti ou impedimento em um lance específico

    Bruno Romani - Especial para a Folha

    Neste final de semana uma coisa é certa: ao final da rodada do Campeonato Brasileiro, vai ter torcedor insatisfeito com um erro do juiz ou o desempenho do VAR (sigla, em inglês, para Vídeo Árbitro Assistente), a ferramenta de vídeo pensada para melhorar o nível da arbitragem do futebol. Mas não precisa sempre ser assim. Mesmo ainda fazendo parte da “categoria de base” da tecnologia, a inteligência artificial (IA) já revoluciona diferentes mercados, da saúde ao Direito, ameaçando acabar com profissões. A próxima, por quê não, pode ser a de quem sopra o apito e levanta a bandeira no esporte mais popular do planeta.

    “É possível treinar redes neurais, além de usar técnicas de visão computacional, para identificar erros de arbitragem”, explica Marcelo Zuffo, professor da USP e membro do Instituto de Engenheiros Eletricistas e Eletrônicos (IEEE). Em outras palavras, um juiz eletrônico poderia ser capaz de analisar imagens como as captadas pelas câmeras de TV e chegar às próprias conclusões se um determinado lance teve falta, lateral, impedimento ou valia um cartão amarelo ou vermelho. 

    Para ser ajustado, o sistema deveria usar um grande banco de dados, com milhões de imagens de partidas de futebol. A cada tipo de jogada possível de marcação, como um pênalti ou escanteio, a máquina deveria passar por um treinamento diferente. Pode parecer absurdo, mas a tecnologia não é muito diferente de sistemas de reconhecimento facial adotados por empresas de segurança, de plataformas que podem reconhecer um tumor num pulmão a partir de um exame de raio-X ou mesmo o trabalho para tornar carros autônomos. O conceito é simples: aprender uma regra e aplicá-la à exaustão.

    Bandeirinha

    Uma das líderes no mercado de geração de imagens para transmissões esportivas, a empresa belga EVS já achou uma maneira de utilizar IA para assinalar impedimentos, em menos de dois segundos. É algo mais eficaz do que acontece no VAR hoje – no Campeonato Brasileiro, algumas decisões chegam a demorar alguns minutos, esfriando o clima da partida. “Hoje, o sistema que marca impedimentos para o VAR exige que as câmeras sejam instaladas e calibradas antes de cada jogo Se uma delas levar uma bolada e se movimentar, não podem ser usadas”, explica Cristiano Barbieri, gerente comercial da EVS no Brasil “Além disso, na cabine do VAR, um humano precisa posicionar as linhas manualmente para tomar decisões.” 

    Já a plataforma da EVS, chamada de Xeebra (lê-se “zibra”), é capaz de alinhar linhas virtuais do “tira-teima” com as linhas do campo: se quiser analisar se um jogador estava à frente da linha da bola, o operador só precisa apertar um botão e as riscas virtuais aparecem em menos de dois segundos nos diversos ângulos disponíveis. O sistema já está em prática no Campeonato Espanhol e será testado na Copa do Mundo Sub-17, que acontece em novembro no Brasil. 

    O uso da tecnologia como “bandeirinha virtual” não está restrito ao futebol: esportes como tênis e críquete também já incorporaram sistemas de inteligência artificial para determinar, por exemplo, se uma bola foi rebatida dentro ou fora da quadra. Questionado se é possível imaginar que o Xeebra ganhe uma promoção e vire árbitro de campo, Barbieri não descarta a hipótese. “Não é algo que está nos nossos planos, mas acho que um árbitro de vídeo automatizado pode evoluir para um nível que nem conseguimos imaginar”, diz o executivo.

    Criar um sistema de juiz eletrônico poderia não só ser algo que melhoraria a qualidade do futebol, mas também poderia torná-lo mais econômico. Hoje, uma equipe de arbitragem é numerosa, com cerca de 10 pessoas – quatro no campo (árbitro, os dois bandeiras e o quarto árbitro) e seis na cabine do VAR (árbitro de vídeo e seu reserva, um assistente, um assessor e dois operadores de vídeo). 

    O custo médio da estrutura é de R$ 51 mil partida, divididos entre CBF (R$ 31 mil, o que cobre a infraestrutura) e clubes (R$ 20 mil para passagens, hospedagem e pagamento aos profissionais). Um VAR totalmente eletrônico, ainda que não elimine os custos com instalação de câmeras e equipamentos ao início de cada jogo, poderia dispensar boa parte desse gasto – até mesmo para divisões inferiores do futebol.  

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