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    03/10/2019 08h52 - Atualizado em 03/10/2019

    Entre a dor e a loucura

    "CORINGA" ESTREIA NESTA QUINTA-FEIRA, TRAZENDO UMA NOVA ABORDAGEM SOBRE O PERSONAGEM

    Os holofotes sobre Coringa (Joker) estão testando limites. O filme sobre o incansável inimigo de Batman vem inspirando artigos a favor e contra. Coringa já foi chamado de “perigoso”, “irresponsável” e até “incentivador ao celibato”. O filme tem estreia mundial nesta quinta, inclusive no Cine Roxy, em Passos, e no cine A, em Paraíso, abriu a venda antecipada de ingressos na quinta, 19, do mês passado.


    Na semana passada, parentes de vítimas mortas no tiroteio no cinema Aurora em 2012 escreveram ao presidente da Warner Bros. pedindo-lhe que apoie a campanha contra as armas. O estúdio divulgou uma declaração dizendo que o filme não incentivava “nenhum tipo de violência do mundo real”.


    O diretor e corroteirista Todd Phillips não foge da discussão. “Se preciso, falarei do filme o dia inteiro”, disse ele. Todd apenas gostaria que as pessoas vissem o filme antes de tirar conclusões. “É péssimo quando alguém critica argumentando que ‘não preciso assistir para saber o que é’. Fico atônito ao ver como a extrema esquerda se aproxima da extrema direita quando convém a ela.” A reação negativa antecipada é ainda mais desconcertante para Phillips porque ele esperava e espera que o filme possibilite discussões sobre armas, violência e tratamento dado a pessoas com distúrbios mentais. “É um filme engraçado? Qual é seu impacto sobre a violência no mundo real?”, pergunta o diretor.


    O filme mostra como um perturbado homem de meia-idade chamado Arthur Fleck vai aos poucos se tornando o vilão Coringa. Fleck é um palhaço profissional decadente que vive com a mãe em um decrépito apartamento em Gotham e se reporta ocasionalmente a um assistente social. Distribui um cartão às pessoas explicando que suas explosões de riso, incontidas e dolorosas, são consequência de um problema médico. Sua única alegria é assistir à noite ao talk show de Murray Franklin (Robert De Niro).


    “Ele é triste e espalha tristeza”, disse Philips. “E sabe o que acontece nos filmes em que o mundo é sem simpatia e sem amor? Você tem o vilão que merece.”


    Em Coringa, o ator tem de ir a lugares difíceis e o filme tem complicações adicionais por seu realismo, embora se passe num mundo ficcional. Para fazer Arthur e o Coringa, Phoenix pesquisou pessoas que ele se recusa a mencionar. Também teve de perder 24 quilos numa dieta extremamente baixa em calorias, sob supervisão de um médico. Com o emagrecimento, ele temia que fosse ficar irritadiço, vulnerável, sempre faminto. Em vez disso, a perda de peso levou a uma “fluidez” que ele não previra.


    O cenário também é de certo modo fluido e Phoenix disse que ele e Phillips constantemente descobriam novas características no Coringa e em Arthur. “Parecia haver infinitas maneiras de interpretar cada cena e no fim tudo fazia sentido. Em algumas vezes, eu choro, noutras faço piada, noutras me enfureço, mas tudo se completa”, disse ele.


    A experiência foi “excitante e surpreendente”, mas fazer Arthur/Coringa também se revelou “complicado e desconfortável” para o ator de 44 anos. Quanto à possibilidade de o público eventualmente usar o personagem como inspiração ou desculpa para seus atos, Phoenix acredita que o ônus cabe a cada um. “O público tem que a descobrir a diferença entre certo e errado. Não creio que seja responsabilidade do diretor dar lições de moral. Quem não compreender essa diferença poderá se julgar direito de fazer o que bem entender”, disse Phoenix.


    Ele e Phillips frisam que Coringa não é um filme para crianças, nem para todos. “Não espero que todo mundo goste”, disse Phillips. “Se um filme agrada a todos, geralmente é porque não agradou a ninguém.”

     

    CORINGA (Joker) EUA, 2019. Gênero: Drama. Direção: Todd Phillips. Elenco: Joaquin Phoenix, Robert De Niro, Frances Conroy, Zazie Beetz. Cine Roxy, em Passos, 19h00 (2D Dub) e 21h20 (2D Leg). Cine A, em São Sebastião do Paraíso, 14h00 (sábado e domingo), 16h30, 19h00 (Dub) e 21h30(Leg)


    Filme pode dar Oscar a Joaquin Phoenix

    A seleção de Coringa, de Todd Phillips, para a competição do 76.º Festival de Veneza era um indício de que não se tratava de um filme baseado no universo dos quadrinhos como tantos outros que vêm inundando as salas de cinema. E, de fato, o longa prescinde de grandes cenas de ação e efeitos especiais épicos para se inspirar mais nos dramas de Martin Scorsese dos anos 1970 e 1980. Mas foi com certa surpresa que o Leão de Ouro foi recebido. Coringa já está sendo considerado o filme que finalmente dará um Oscar a Joaquin Phoenix.


    No Festival de Veneza, a presidente do júri, Lucrecia Martel, que está bem longe de fazer cinema comercial, elogiou os riscos que a produção correu e a reflexão que faz dos anti-heróis como vítimas do sistema. Mas Coringa não seria o que é, um filme com capacidade de sacudir Hollywood na direção de mais ousadia, sem a interpretação de Joaquin Phoenix, que não se baseou em nenhuma das versões anteriores – de Cesar Romero, Jack Nicholson ou Heath Ledger e muito menos a de Jared Leto.


    “Sou pouco conectado à indústria do entretenimento”, disse o ator em entrevista exclusiva ao Estado, em Veneza. E jurou não ter ideia da quantidade de fãs que a história tinha. “Começaram a me perguntar da pressão dois dias antes do início das filmagens, e eu disse: ‘Não me digam isso agora!’”, contou. “Era tarde demais, mas no começo eu estava na ignorância completa. Ainda bem.”


    Phoenix ama uma reação forte aos filmes que faz. “Seja qual for”, contou. “A indiferença é que me incomoda.” Às vésperas de completar 45 anos, o ator afirmou categoricamente que não pode, no entanto, levar em conta a opinião de ninguém ao fazer um papel. “Nem a do diretor. Para mim, trata-se de uma exploração e uma experiência pessoais. Faço só para mim.”


    Mas quem é este Coringa? Arthur Fleck é um comediante frustrado que trabalha como homem-placa, vestido de palhaço. Mora com a mãe, que insistia que seu destino era ser feliz e fazer os outros rirem, e depende de remédios para seus problemas de saúde mental – ele tem uma condição que faz com que ria descontroladamente. Sendo pobre e esquisito, Arthur é invisível para a sociedade. Quando alguém o enxerga, é em geral para humilhá-lo. Só que, um dia, ele se vê com o poder nas mãos.


    Este Coringa não tem o jeito brincalhão de Romero, nem é transformado em vilão depois de cair num tanque de substâncias químicas como no caso de Nicholson. Não tem um desejo de ver o circo pegar fogo como o Coringa de Ledger, nem sabe-se lá o que Jared Leto estava fazendo. Arthur às vezes inspira pena. “Gosto que o filme peça ao espectador que pelo menos tenha empatia por alguém que é o vilão e que faz coisas horrendas. Às vezes, rotulamos uma pessoa como má, como se fôssemos incapazes dos mesmos atos.” 

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