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    30/09/2019 13h00 - Atualizado em 30/09/2019

    Opinião: O canto de urutau

    O jovem Paulo se vê num mundo de incontrolável amargura e decepção. Não encontra meio de seguir adiante. Falta-lhe ar, chão, espaço. Tudo. Encontra-se na órbita do ruim sem jeito. Do mal pra pior.

        Seu grande amor, de idílicas e tórridas paixões, sem nenhuma explicação, tomou rumo ignorado. Escafedeu-se.

        Ante o infortúnio, não dorme, não se alimenta, mal consegue manter-se em pé. Foi-se a calmaria de bons dias. Dias quentes no calor da realidade amarga, não consegue ofertar resistência ao terror das aflições.

        Uma expressão em mesmice o acompanha, a lhe furar as têmporas: por quê! Por que ela se foi? Por que me deixou? E mais: que motivo dei? Fiz o melhor a ela. Agora o abandono, sem sentido, sequer de alô!

        O mundo caiu. Chamas lançadas ao chão. Sentimentos no vazio da incompreensão.

        Situações análogas como a de Paulo não é incomum. Não deixa de ser triste, já que o coração se vê quebrado e despedaçado pela perda do que até então se considerava amor para todo o sempre.

        Por outro lado, entendimento há para associar a perda de um grande amor ao cantar triste do Urutau. Talvez pela tristeza do canto, na sensação harmônica de uma profunda dor de cotovelo.

    Languidez de tardes modorrentas. Como o espraiar de ventos que sopram para distantes lugares, fazendo ecos em perdidas ilusões.

        Segundo os sertanejos, o Urutau aparece quando a lua nasce e seu canto triste se assemelha a "foi, foi, foi..."

        Numa lenda, o pássaro seria uma mulher que perdera seu amor. Por isso, teria o nome de pássaro-fantasma.

        E o que então fazer nessas circunstâncias em que o clima fica mais para a mais baixa densidade coronariana do ser?

        De fato, não há muito o que fazer. Deixar fluir. O mais adequado por agora, aviar o tempo como remédio para o físico e a alma.

      Ainda que as dores sejam lancinantes, próximas do insuportável, há alguns pontos a serem considerados, a fim dar suavidade à inclemência da sorte.

        O primeiro é avaliar a possibilidade da volta. Em ocorrendo, se para pior ou melhor. Há voltas que não se sustentam.Tantas as marcas, mágoas, cobranças.
        Na confirmação efetiva da angustiante perda, posto que depressiva, como fazer para encará-la de frente?
        Sabedoria de quem passou por igual processo e não morreu, é arrumar outro amor. O velho ditado, mais parecendo velho deitado de tão cansado: "Das cinzas de um velho amor, nascerá um outro e muito mais bonito". Até que funcionava.

        Pelo sim e não, ensinamento dos tempos de colégio.Não se sabe a quem atribuir. Propício para fim de inverno quente. O amor que "já era" é porque nunca foi.

        Está bem. Descobriram, então, a pólvora, o avião, o macarrão...
        Digamos que tais dicas não sejam aproveitáveis no cenário do suficiente. Menos pior é jogar pesado nas considerações finais.

        Vamos lá. Paulo perdeu Maria que perdeu Paulo. Fato irretorquível.

      Nada demais. Ainda que gere frustração a perda, de se lembrar algo na dureza de tudo que de atos históricos consta: ninguém é de ninguém!

    Pronto, está falado! Não queria, mas falei.

    Ninguém é propriedade de ninguém. Por ato de vontade, mediante contrato social, de fato ou de direito, jamais alguém haverá de comer restos para o resto da vida. 

        Que se pense nisso. Todos têm inalienável direito ao grito de socorro pelo sonho da liberdade. E, claro, ir para onde quiser e aprouver, com a observância das responsabilidades advindas. Ou seja, para tudo e em tudo há um preço a ser resgatado e pago.

        E Paulo – entre tantos outros Paulos – seja muito feliz, onde quer que amarre sua égua! 

    Se por ato de ventura, em meio a desventuras, quebrar novamente a cara, opção de igual maremoto de risco, é partir para outra, em sucessivas jornadas.

    "L'amour est bleu".   

        Dependendo da circunstância, no cuidar de corações – “est bleu” – literalmente.

    Alternativa para o sossego da paz almejada é ficar só. O “antes só do que mal acompanhado” tem sua valia. Se bem que não há como ficar sozinho numa selva de pedra, em oposição ao infinitamente pior que é o manter-se só na multidão.

    Quer saber: cada um viva como quiser, só ou acompanhado, desde que na paz de Deus!

    LUIZ GONZAGA FENELON NEGRINHO é advogado, com escritório em Formiga / MG, escreve aos domingos nesta coluna. 

       
    DAS CINZAS DE UM VELHO AMOR, NASCERÁ UM OUTRO MAIS BONITO 

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