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    26/09/2019 08h48 - Atualizado em 26/09/2019

    A releitura da história de Caim e Abel

    O PIPOCA E BALA PIPPER EXIBE O FILME QUE MARCOU A CARREIRA DO ATOR JAMES DEAN, NA TERÇA-FEIRA, 1º DE OUTUBRO

    Trabalho referencial na carreira de James Dean, Vidas Amargas é também o filme que, muito provavelmente, tenha lhe representado o maior desafio enquanto intérprete. Este não só foi seu primeiro filme como protagonista – um dos três únicos, aliás, em que atuou com maior destaque no elenco – como lhe valeu a fama de rebelde que o acompanhou por toda a eternidade (até os dias de hoje, para sermos sinceros).

     

    Tem-se aqui a possibilidade de vê-lo exatamente do modo como nos acostumamos a identificá-lo no imaginário popular, talvez de forma ainda mais intensa e complexa do que aquela verificada em Juventude Transviada (1955), outro dos seus raros clássicos.

     

    Mas o filme dirigido com mão segura por Elia Kazan a partir de um livro referencial de John Steinbeck não só é um marco na filmografia do seu protagonista, mas também nas de todos os seus envolvidos, fazendo desta uma obra que simplesmente não pode ser esquecida. O cine clube Pipoca & Bala Pipper exibe o clássico nessa terça-feira, 1, às 20h no anfiteatro da Casa da Cultura, em Passos

     

    Após conseguir suas primeiras aparições em programas de televisão e ter estreado no cinema em uma participação não-creditada no drama de guerra Baionetas Caladas (1951), de Samuel Fuller, James Dean amargou os quatro próximos anos em projetos de pouco impacto – até coadjuvante de Jerry Lewis ele foi, na comédia O Marujo foi na Onda (1952).

     

    Só conseguiu chamar atenção, de fato, ao fazer um teste para o personagem Cal, o filho rejeitado de Vidas Amargas. Escolhido pelo próprio autor – Steinbeck, ao vê-lo caracterizado, teria afirmado estar diante da mais perfeita personificação de sua criação – e aprovado com entusiasmo por Kazan, Dean compôs um tipo tão perturbado e intenso quanto, acredita-se, ele próprio era na sua vida pessoal, ressonando com ainda mais força diante o público e a crítica. Como resultado, teve aqui sua primeira indicação tanto ao Oscar quanto ao Bafta – ambas, infelizmente, póstumas.

     


    Concorrendo pelo mesmo personagem estava um dos seus melhores amigos, Paul Newman. Os dois disputaram outros projetos naquela época, como os filmes Marcado pela Sarjeta (1956) e Um de Nós Morrerá (1958), e é curioso perceber que em todas essas ocasiões Dean é que se saía melhor, invariavelmente conquistando a oportunidade oferecida.

     

    Porém, sua inesperada morte em um acidente automobilístico em 1955, aos 24 anos, o impediu de assumir muitos dos compromissos pré-estabelecidos, abrindo novas chances para seus colegas – como o próprio Newman, que não só estrelou estes dois últimos filmes como teve neles seus primeiros sucessos.

     

    É impossível não se perguntar como teria sido o futuro dele e de outros jovens astros contemporâneos caso esse fatídico acidente não tivesse ocorrido e James Dean tivesse seguido vivo, conquistando, de fato, todo o sucesso e estrelato que lhe parecia prometido naquele pouco tempo que brilhou mais do que ninguém no firmamento hollywoodiano.


    Premiado como Melhor Filme de Drama no Globo de Ouro e dono de quatro indicações ao Oscar – conquistou a estatueta de Melhor Atriz Coadjuvante, para Jo Van Fleet – Vidas Amargas é uma releitura contemporânea da conhecida parábola de Caim e Abel, os filhos de Adão e Eva, o primeiro de todos os casais. Cal (Dean) e Aron (Richard Davalos) são herdeiros de Adam Trask (Raymond Massey), homem rígido e conservador (os nomes são alusões evidentes ao episódio bíblico).

     

    Enquanto o primeiro lhe é uma constante dor de cabeça por seu comportamento errático e fonte de diversos conflitos familiares, o segundo é o rapaz perfeito, que segue os passos paternos e só oferece motivos de orgulho. Mas há um forte segredo na história dessa família que atormenta Cal de modo irreversível, e ao contrário do pai e do irmão, que preferem fingir que o passado não aconteceu, ele irá se debater até encontrar uma explicação que o satisfaça: onde está a mãe e, ainda mais importante, por que ela os abandonou?

     


    A chegada de uma forasteira na cidade, personagem que acompanhamos logo nos primeiros minutos do filme, já adianta muito do drama que irá se repetir durante um desenrolar muito bem amarrado e baseado em cenas de grande impacto.

     

    Os significados psicológicos das relações estabelecidas entre cada um destes elementos – há ainda a namorada do irmão, indecisa sobre seus sentimentos a respeito dos dois irmãos – e o surgimento de uma guerra iminente no país são terreno propício para emoções à flor da pele e reações extremas, bastante apropriadas para atores entregues e sem ressalvas – bem como parecia ser o caso de James Dean.

     

    O jovem ator tem aqui a melhor das suas passagens pela tela, revelando um talento único que, infelizmente, não pode ser desenvolvido a contento. Elia Kazan, no entanto, teve um olho clínico capaz de identificar antes da maioria esse potencial, e cria aqui o cenário perfeito não só para o desabrochar de um astro, mas também para a construção de uma narrativa envolvente, forte e absolutamente perfeita.

     

    VIDAS AMARGAS (East of Eden). EUA, 1955. Gênero: Drama, Romance. Direção: Elia Kazan. Elenco: James Dean, Julie Harris, Raymond Massey, Richard Davalos, Aron Trask, Albert Dekker e Burl Ives. Cine Clube Pipoca & Bala Pipper, anfiteatro da Casa da Cultura, terça-feira, 20h00.

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