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    24/09/2019 10h03 - Atualizado em 24/09/2019

    Calvície pode desencadear doenças emocionais

    Perda de cabelos não é apenas um problema estético, pode desencadear doenças psicossomáticas, como a depressão

    Giovana Maldini - Especial para a Folha

    Os cabelos são um dos principais símbolos da autoestima de homens e mulheres. Além de ajudar a formar a identidade de um indivíduo, os fios têm uma relação histórica de poder e sensualidade. Por isso, a alopécia androgenética, mais conhecida como calvície, não é vista apenas como uma questão estética, uma vez que pode levar a doenças psicossomáticas, como a depressão.


    A alopécia androgenética é um dos tipos mais comuns de calvície, sendo provocada, principalmente, por fatores genéticos. O distúrbio é caracterizado pela rarefação do cabelo na região perto da testa e, muitas vezes, associada com evolução para a coroa da cabeça.

     

    Essa é uma condição mais comum aos homens, que precisam de apenas um gene – ou do pai ou da mãe – para adquirir o distúrbio. Já as mulheres precisam receber os dois genes. Nelas, a calvície também pode estar relacionada a distúrbios hormonais e emagrecimento excessivo.

     

    Doenças psicossomáticas

    Mas tanto em homens quanto em mulheres, a redução de cabelo pode trazer insegurança relacionada à aparência e até levar a quadros depressivos. “O cabelo tem um simbolismo relacionado à saúde e ao desejo. E quando o indivíduo tem uma baixa de autoestima e apresenta um quadro depressivo, isso reflete em todos os setores da sua vida”, afirmou a pesquisadora da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e médica dermatologista, Amanda Dell’Horto.


    Por isso, no mês da conscientização do Setembro Amarelo, que foca na prevenção do suicídio, é importante dar apoio e conscientizar a população de que a calvície deve ser abordada de maneira séria e acompanhada de perto por profissionais da saúde. A Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS) estima que, no mundo, 300 milhões de pessoas são afetadas pela depressão.

     

    Primeiros sinais

    Ao contrário do que muitos pensam, não é possível identificar a calvície somente com a análise da quantidade de fios que caem. Isso porque esse é um processo que é percebido ao longo do tempo. “O que se nota é uma rarefação, que vai aumentando progressivamente”, relatou o dermatologista e professor do Departamento de Clínica Médica da Faculdade de Medicina da UFMG, Claudemir Aguilar.


    Em alguns casos, a alopécia androgenética evolui rapidamente, acometendo indivíduos já no início da fase adulta. Mas na maior parte das pessoas, a calvície evolui de forma lenta. O problema é que não há cura para essa condição. A notícia boa é que o diagnóstico precoce aumenta a eficácia do tratamento. “Eventualmente, pode até ter uma recuperação, quando está em uma fase inicial e não houve uma perda grande de folículos”, enfatizou o professor Claudemir Aguilar.

     

    Tratamento

    Atualmente, existem medicamentos eficazes que freiam a progressão da calvície. No entanto, a automedicação não é recomendada. Por isso, ao perceber os primeiros sinais, procure um dermatologista para indicar o melhor tratamento para o problema.


    “É preciso tomar muito cuidado, pois alguns medicamentos são lançados no mercado precocemente e ainda não estão em uma fase boa do estudo. Assim, eles podem se mostrar não tão eficazes”, esclareceu o professor Claudemir Aguilar. 

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