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    18/09/2019 10h24 - Atualizado em 18/09/2019

    Dia a Dia: Primeira e única vez

    Sebastião Wenceslau Borges - Especial para a Folha

    Como era difícil lá pelos anos 50 e 60 a juventude conviver com o tabu “sexo”. Até para assistir filmes no cinema havia uma censura muita rígida, de 12, 14, 16 ou 18 anos.

     

    Tudo muito fiscalizado. E o cinema era um local de tentação aos jovens de meu tempo, pois sempre havia a curiosidade de assistir um filme “impróprio” para nossa idade, criando obstáculos como fazia o Comissário de Menores da Comarca de Passos, o Amado Machado. Sempre de terno e gravata ficava na portaria de olho nos jovens, quando desconfiava se a idade exigia censura, pedia o registro de nascimento, conferia a data e só com o seu aval comprávamos o ingresso e enfim, podíamos adentrar ao cinema. Muitos, por diferença de meses ou até dias eram barrados e não assistiam ao filme, o que aumentava ainda mais a curiosidade de ver um filme impróprio na tela grande!

     

    Alguns jovens tinham menos de 18 anos, mas com a aparência de mais velhos, entravam sem ser preciso mostrar documento. Já outros com cara de novinhos, mas acima da idade da censura eram barrados e só entravam mostrando documento com foto. Os filmes de censura 18 anos, mesmo nós não tendo a idade necessária completa, arrumávamos um jeito.

     

    Uns dando uma de esperto, arriscando em ludibriar o Comissário, apresentando o título de eleitor de um amigo. Era arriscado esse golpe, às vezes dava certo, em outras vezes o jovem era repreendido na frente das demais pessoas e até ameaçado de não frequentar o cinema por um determinado tempo!

     

    E lá num certo dia desses, anos 60, de implacável censura com a juventude, foi anunciado o filme “Os Cafajestes” e os comentários surgiam nas rodinhas de bate-papo que a bela e famosa artista brasileira Norma Beguell (1935-2013) numa cena aparecia nua frontal. E eu nesta data do filme a ser exibido não tinha completado meus 18 anos, mas pelos comentários como seria o filme eu queria muito assisti-lo, assim como toda a juventude.

     

    Tudo combinado com os colegas que já tinham 18 anos, e que ainda estou sempre a encontrar hoje por essas esquinas da vida e relembrar essa boa época de nossa juventude e como era a dificuldade em assistir um filme de censura, que para os dias atuais, seria um filme totalmente sem graça. O combinado foi que eu entraria no “bolo” no meio da turma que tinha completado seus 18 anos. Entre eles estavam meu irmão Joãozinho, Agnaldo, Tadeu, Sirinho, e o saudoso amigo Osmar Serafim Rosa, com o registro no bolso, compraram os ingressos na bilheteria com o Osvaldo Arouca, e assim seguimos para a portaria de entrada.

     

    Chegando a minha vez, tremendo de medo de ser descoberto meu plano, fui barrado e solicitaram meu registro de nascimento. Fiquei ali do lado da portaria por alguns instantes, meio ressabiado, perto do Comissário Amado, até que tomei coragem, me dirigi a ele e falei que tinha completado naquela semana 18 anos, que morava longe e tinha esquecido minha certidão de nascimento. Ele me olhou bem na cara, voltou a atender conferindo ali alguns registros, e eu a seu lado esperando a definição, com o ingresso na mão.

     

    Numa folga de seu serviço de fiscalizar as idades, se dirigiu a mim e perguntou de supetão: “Você nasceu em que ano, dia e mês?” Respondi que tinha completado 18 anos cinco dias antes daquele dia (na verdade eu tinha completado era 17) Ele olhou bem na minha cara, pensou e disse: ”Pode entrar, você está falando a verdade!” E assim pela primeira e única vez, menti minha idade, para ver essa artista que foi a primeira a ser filmada em nu frontal em um filme brasileiro, que para aquela época era tido como muita ousadia.

     

    Passado algum tempo fiz amizade com o Amado que estava sempre na Sapataria batendo papo comigo e o Waldemar sobre política. Sempre relembrava com ele esse tempo bom e inocente, numa época que não se falava tanto em drogas e nem havia perigo de assalto nas ruas.

     

    E ríamos muito quando eu citava este episódio dos meus 17 anos! E ele ria e dizia: “Eu sabia que você não tinha 18, Tião, mas não quis te desapontar!” E eu sempre repetia: “Foi a primeira e única vez que fiz isso!”

     

    Enfim, havia muito romantismo, e as serenatas eram bastante comuns. Quem diria que esse e outros filmes na época censurados para menores de 18 anos, hoje são de “censura livre” para qualquer um na TV e internet. O passar dos tempos faz as coisas mudarem... e como mudam!
    É o tempo passando e a gente “Memoriando”!
     

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