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    16/09/2019 12h07 - Atualizado em 16/09/2019

    Opinião: A oportunidade perdida

     Do provérbio chinês para os dias de hoje: quatro coisas, não três como se costuma dizer, não voltam atrás: a) a flecha lançada; b) a palavra proferida; c) a pedra arremessada; e d) a oportunidade perdida.

    Seguindo os passos do chefe, o ministro Paulo Guedes, da Economia, deixou de observar pelo menos dois itens da sabedoria milenar e pinchou o que o presidente brasileiro havia feito e está pagando caro pelo feito: tachou a mulher do presidente da França de ‘feia’.

    Tentou despistar, disse não era bem assim, empunhou outra funda – mais barafunda. Vez mais mexeu com o desgastado cenário político e diplomático internacional. Trincas e rachaduras. 

    Vinicius de Moraes, o poetinha de lirismo incontestável, também foi eloquente no infortúnio ao dizer: "As feias me perdoem, mas a beleza é fundamental". Rendeu muito na época, com reflexo até hoje.
    Pois é. Melhor é pensar e não falar. Na gravidade da situação, e na comparação, mediante palavras, é como se atingir a outrem com socos e pontapés fulminantes.

    Bem lembrado, tempos de outrora, em que havia respeito, acatamento e consideração nas ligações políticas e diplomáticas. Era bonito de se ver. Hoje, não. Bravatas, conversa fiada, falam pelos cotovelos como se estivessem em balcão de boteco. 

    Antes, o inverso. Avaliavam cada milímetro nas conversações. Sabia-se, de antemão, que um erro na fala, forma e conteúdo, jogava-se muito ou tudo na fogueira dos interesses diplomáticos.
    Pelo jeito, não andam mesmo ligando para o lado da sensibilidade humana. E o resultado é sempre desastroso.

    Em vez de frases bem concatenadas e de efeito moral positivo, uso adequado de eufemismos, palavras para suavizar a dor do cotidiano, para aliviar o real, qualquer uma serve.

    Essa de falar que a Mulher de Emmanuel Macron é feia, com todo o respeito, pegou mal. Mulher não é e nunca foi uma peça de reposição, objeto de enfeite, moeda de troca etc. É uma figura sublime.

    Indizível. É a nossa razão de ser!

    Falasse, por exemplo, que a dignitária primeira-dama francesa, Brigitte Macron, não é por assim dizer uma Brigitte Bardot dos anos setenta. Não sei se pegaria bem. Pensando melhor, seria também infeliz. 

    Quer então ofender o presidente francês, chame-o de qualquer coisa. Santo, rapadura, que sua avó é careca... Mas deixe a esposa em paz. 

    Em absoluto, ela nada tem a ver com desentendimento de Bolsonaro e Macron, no epicentro, a Amazônia Legal. Esta, sim, nada legal, vem sofrendo a duras penas desmatamentos e incêndios criminosos.

    Por fim, e o pior, é que ainda para nós, brasileiros e brasileiras, sobra e resta a incumbência de apagar dois fogos na ardência de um triste espetáculo: o fogo propriamente dito da Amazônia, e o outro, inapropriadamente dito e proferido, e por duas “antas” que só deviam fazer isso: cuidar dos interesses nacionais. 

    Vai aqui uma dica sobre o poder das palavras. Em momento algum se afrontou o presidente Bolsonaro e Paulo Guedes ao chamá-los de “antas”. O animal anta, ao contrário do que muitos supõem, é tudo de bom. ‘É inteligente, sustentável, pioneiro, muito esperto e sempre adorável’.
    Agora, quanto ao que andam falando, e as redes sociais ficam no pé, valha-nos Deus! Segure a língua de fogo de nossos governantes. É muita abobrinha para se carregar no alforje para uso das atribuições governamentais. 

    Esclarecendo: alforje é uma bolsa, no comum presa a uma sela, usada para transporte de objetos em animais como o cavalo e o asno.

    Como não se lembrar da língua originalmente falado no Lácio: asinus asinum fricat. Na tradução – sem magoar – ‘um burro coça outro burro’. 

    Bagunçou geral. 

    Com efeito, falta mineiridade no comando político brasileiro. Fazer como o bom político mineiro, como sabiamente descreve o contador de prosa Sebastião Wenceslau Borges: “Caladão, desconfiado, cauteloso, e num sossego danado, faz seu cigarro de palha. Quando o assunto é política, toma cuidado para não ofender quem está no poder e quem caiu fora dele” (“in Valseando Palavras - “É bão demais da conta, uai!” – pág. 145 - Escritores & Cia. – Associação dos Escritores de Passos e Região – Antologia 2019”).

    Luiz Gonzaga Fenelon Negrinho é advogado.

     

    FALAM PELOS COTOVELOS COMO SE ESTIVESSEM EM BALCÃO DE BOTECO 

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