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    13/09/2019 10h42 - Atualizado em 13/09/2019

    Opinião: Novelas políticas brasileiras (2)

    Com o fim da ditadura Vargas em 1945, a partir de 1946 começou um novo ciclo político no Brasil, que passou a ser chamado de “Redemocratização”.

    Apesar desta denominação tão charmosa, na verdade este período se encaminhou mesmo foi para uma ditadura o que veio acontecer em 1964.

    Parece sina de mau agouro, democracia em vez de fazer bem, faz mal ao país! Brincadeirinha!

    Pois, toda vez que surge algum movimento que levanta o astral do povo brasileiro, logo vem uma ditadura.

    Antes, em 1922 tivemos no Brasil dois movimentos que mexeram com o imaginário libertário do brasileiro, que foram, a “Semana da Arte Moderna” e a “Revolta dos Tenentes”.

    E oito anos após tais movimentos, veio a ditadura Vargas. Mas vamos falar mesmo é sobre a redemocratização, afinal este período trouxe ao mesmo tempo esperanças e desesperanças políticas, sociais e econômicas.

    As esperanças foram marcadas por eleições livres e democráticas, com pluralidade de partidos políticos, algo que não tivemos nos 41 anos de Velha República somados a mais 15 anos da ditadura Vargas.

    O fim da ditadura Vargas se deu ainda em meados 1945, com o afastamento de Getúlio do governo, quando então o país passou a ser governado interinamente pelo ministro do Supremo Tribunal Federal, José Linhares por três meses, até concluir-se o pleito eleitoral e a posse do presidente eleito, em janeiro de 1946.

    O primeiro presidente deste período foi o Marechal Eurico Gaspar Dutra, eleito através da coligação de dois partidos ligados ao Getúlio Vargas, o PSD (Partido Social Democrata) e o PTB (Partido Trabalhista Brasileiro) recém criados. Como vamos ver em sequência, Getúlio Vargas terá grande influência na política em todo este período. Tanto que surgiu um movimento chamado “Queremismo”, ou seja, queremos Vargas, através de seus aliados e dos milhões de getulistas espalhados pelo país. Eh, povo para gostar de déspotas. Esta tendência maligna já vem lá de tempos idos coloniais.

    Sem dúvida, o ano de 1946 surgiu esplendoroso, foi promulgada uma nova constituição ao estilo moderno europeu, mas daí para frente, não podemos mais falar em harmonia, porque se seguiu a este momento de euforia uma polarização política (outra sina) no Brasil, entre getulismo e o udenismo. O que significa isto? Todas as disputas eleitorais deste período se deram entre os partidos getulistas PSD e PTB versus UDN (União Democrática Nacional). Era direita versus esquerda? Não, longe disto. Todas estas legendas partidárias eram lideradas por maioria de políticos de tendência direitista e defensores dos interesses tanto da velha oligarquia agrária quanto da burguesia.

    O PTB destoava superficialmente, porque tinha um viés no modelo da “política Trabalhista” europeu, portanto com verniz populista de defesa dos trabalhadores e sindicatos. Mas no Brasil, este modelo se reverteu em “peleguismo”, uma forma de controle e uso dos sindicatos pelos donos do poder. As esquerdas até 1964, era representada exclusivamente pelo PCB, Partido Comunista Brasileiro, liderado pelo ex capitão do Exército Luiz Carlos Prestes. O PCB participou somente da primeira eleição em 1945 e mesmo tendo sufragado alguns deputados, logo todos foram cassados pelo presidente Dutra, então aliado dos EUA que iniciara com a URSS a chamada Guerra Fria. E assim, o presidente Dutra como um verdadeiro lacaio do poder norte-americano baniu o PCB da política e os comunistas tiveram de cair na clandestinidade.

    Em 1950 Getúlio Vargas retornou à presidência desta vez eleito. Mais uma vez derrotando a UDN, que então colocou sua vocação golpista em ação e tudo fez para derrubar Vargas do poder, que em 1954 criou a mais importante estatal brasileira a Petrobras, vindo em seguida a se suicidar por não agüentar as pressões udenistas sobre o seu governo. Mesmo após a morte de Vargas, a rivalidade entre getulismo e o udenismo continuou no mesmo diapasão, PTB e PSD vencendo todas as eleições até 1960.

    Vamos rememorar: Em 1946, Marechal Dutra vence o Brigadeiro Eduardo Gomes. Em 1950 Getúlio venceu o Brigadeiro Eduardo Gomes; em 1955, Juscelino Kubitschek venceu o General Juarez Távora.

    Na eleição de 1960, enfim, a UDN foi buscar um político estranho às suas hostes, sem definição partidária, mas que havia sido um fenômeno eleitoral por ter sido prefeito da capital e governador no Estado de São Paulo. Jânio Quadros.

    E com este, então, venceu o candidato do PSD o Marechal Henrique Teixeira Lott, que seria o sucessor de Juscelino o criador de Brasília.

    Com a vitória da UDN tudo indicava que o getulismo estaria no fim, mas seis meses após a sua posse, Jânio Quadros surpreendentemente renunciou e deixou a presidência para o vice-presidente, João (Jango) Goulart do PTB. Jango era herdeiro político de Getúlio Vargas e então recomeçou tudo, agora de forma bem radical com surgimento de novas vertentes da esquerda.

    Tão radical, que o Jango teve que aceitar a mudança do sistema político presidencialista para parlamentarista, sem a qual não tomaria posse.

    Devido a importância deste curto período do governo de Jango, vamos tratar dele no cap.3 e das causas imediatas do golpe político-militar que desembocou na ditadura a partir de 1964.

    ESDRAS AZARIAS DE CAMPOS é Professor de História .

    ESTA TENDÊNCIA MALIGNA JÁ VEM LÁ DE TEMPOS IDOS COLONIAIS

                     

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