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    11/09/2019 11h47 - Atualizado em 11/09/2019

    Opinião: Vade retro

    Relatam-nos as Escrituras Sagradas que Satanás, quando tentou a Cristo no deserto (as três tentações de Cristo), ofereceu-lhe, na segunda proposta, o poder e a glória sobre os reinos do mundo em troca de sua adoração. Passados vários séculos dessa narrativa, tentação sempre presente, dada a natureza humana: a de sucumbir ao desejo de poder (político, principalmente), muitas vezes oferecendo-se em troca a própria dignidade, vendendo a alma ao ‘Demo’ – ou a muitos ‘Demos’... e, cedo ou tarde, a conta chega. Desnecessário dizer qual foi a resposta de Cristo ante a oferta, pois de conhecimento universal, consagrada em livros, filmes, reflexões...

    Escrevi há poucos dias, aqui nesta coluna, que renovação e troca são princípios fundamentais da vida. E que, também, grosso modo, é próprio do homem e de suas organizações e instituições desejarem se perpetuar e prevalecer sobre os demais, muitas vezes de forma hegemônica, absoluta. É o que se pode observar, por exemplo, de forma mais explícita, no contexto da política e da fé religiosa, na busca do poder absoluto, na eliminação ou anulação dos divergentes, sem espaço para o convívio civilizado, saudável, entre correntes diferentes de pensamento. A história está aí para demonstrar, ao longo do tempo, dos milhares de anos da civilização, a luta pelo poder, dos impérios (babilônico, persa, romano, britânico...), das ideologias (comunismo, nazismo, capitalismo...), das religiões (judaísmo, catolicismo, protestantismo, islamismo...). Qual destes permaneceu e prevaleceu de forma absoluta? E o resultado é só morte e destruição.

    Como remédio para estes males, a legislação dos países civilizados vem evoluindo, procurando limitar e enquadrar os poderes que os homens e as suas instituições podem exercer uns sobre os outros, buscando disciplinar as suas relações através dos mais variados códigos (Civil, Penal, Trabalhista, Canônico...). Tudo passível de melhora, de aperfeiçoamento, pois a vida é dinâmica e nos convida a evoluir e a não repetir os mesmos erros.

    Sabiamente, a nossa lei maior, a Constituição Federal, reza em seu artigo 19 que “É vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: I - estabelecer cultos religiosos ou igrejas, subvencioná-los, embaraçar-lhes o funcionamento ou manter com eles ou seus representantes relações de dependência ou aliança, ressalvada, na forma da lei, a colaboração de interesse público”.

    Esta mesma Constituição que nos garante a inviolabilidade da liberdade de consciência e de crença, assegurando-nos o livre exercício dos cultos religiosos e garantindo-nos, na forma da lei, a proteção aos locais de culto e a suas liturgias, também faz separação entre Estado e Igreja. Não somos um Estado teocrático nem confessional, e sim laico, mas, como bem dito, pode haver colaboração entre ambos, na forma da lei, desde que de interesse público.

    Em dias de baixa popularidade, e mesmo já antes, o nosso atual Presidente da República, vem procurando cooptar lideranças de determinado espectro religioso em nosso país, buscando apoio para o seu governo, enveredando por um caminho de promiscuidade que já demonstrou no passado ser pernicioso, prejudicial a ambas as instituições (Estado e Igreja). Vale a advertência, o freio Constitucional. Somos um país laico – e o governo deve ser por todos.

    Cai bem nessa hora a fala bem pontuada de Salim Mattar, Secretário da Desestatização, em entrevista recente sobre a governabilidade do Brasil: “estou interessado, focado, em resultados, não em questiúnculas de mídias sociais e ‘mimimi’ com a imprensa”. 

    Juízo, Presidente!


    WASHINGTON L. TOMÉ DE SOUSA, Bacharel em Direito, ex-diretor da Justiça
    do Trabalho em Passos, escreve quinzenalmente às quartas, nesta coluna.

    A VIDA É DINÂMICA E NOS CONVIDA A EVOLUIR E A NÃO REPETIR OS MESMOS ERROS
     

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