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    11/09/2019 05h00 - Atualizado em 11/09/2019

    Como a construção de Furnas mudou a história de Alpinópolis

     ALPINÓPOLIS - A Usina Hidrelétrica de Furnas, localizada no curso médio do Rio Grande, no trecho denominado “Corredeiras das Furnas”, entre os municípios de São José da Barra e São João Batista do Glória, completou 56 anos no último dia 4 de setembro. A construção do reservatório desapropriou aproximadamente cinco mil propriedades e inundou cerca de 500 mil hectares agricultáveis, o que causou grande impacto na região Sudoeste de Minas, onde se encontra Alpinópolis.

    Entre 1955 e 1957 a população alpinopolense se aproximava de 12 mil habitantes e a cidade tinha sérios problemas a resolver: água, esgoto, energia elétrica, estradas. A economia do município, segundo registro da Prefeitura Municipal, girava em torno da agropecuária, uma pequena fábrica de laticínios e oficinas de trabalho. Havia 11 automóveis – quase todos utilitários a serviço dos fazendeiros – e 32 caminhões que buscavam dinheiro fora. O povo, acostumado com as dificuldades, já não alimentava esperanças em melhoramentos, a não ser que algo de extraordinário pudesse ocorrer no município. E, para sorte de todos, ocorreu.

    Juscelino Kubitschek, na época governador de Minas Gerais, havia sobrevoado o Rio Grande fazendo levantamentos para o cumprimento das metas do binômio de sua campanha – “Energia e Transporte” – e ficou empolgado com a curva e o estreitamento do rio na altura da corredeira, surgindo daí a ideia da construção da Usina de Furnas. A ideia amadureceu e a central elétrica foi projetada quando ele ainda era governador. Eleito presidente, JK não perdeu tempo e assinou a papelada para início das obras.

    Alguns alpinopolenses, entre os quais estava José Iglair Lopes, autor do livro História de Alpinópolis, relataram que, durante uma pescaria, encontraram as margens do rio demarcadas, no entanto sem saber o que estava para acontecer. O ano era 1956 e o grupo de amigos estava em um rancho, próximo ao local conhecido como ‘Salto do Dr. Alberto’, situado na altura do km 311 da MG-050, nas imediações de onde atualmente está a ponte do Turvo. Esse ponto está completamente submerso na represa.

    Em fevereiro de 1957 o governo organizou a companhia para dar início às obras, na época, o maior projeto de continente e o terceiro maior do mundo. No entanto, era forte a oposição ao empreendimento, principalmente vinda da classe política mineira. Os políticos da região, liderados pelo deputado Geraldo Freire, logo protestaram dizendo que “Minas não poderia ser a caixa d’água do Brasil”. Contudo, ainda naquele ano, chegaram os primeiros acampamentos ao local da corredeira, exatamente onde, havia pouco tempo, os amigos alpinopolenses faziam sua pescaria sem saber que era a última vez.

    José Iglair conta que, na noite, dia 15 de setembro de 1960, quando ele e um amigo passavam perto do Cartório do 2º Ofício de Notas, notaram as luzes do estabelecimento acesas e desconfiaram que algo importante poderia estar acontecendo. Nesse instante, o cartorário Geraldo Brasileiro, convidou os dois companheiros para ouvir e assinar, como testemunhas, a escritura de Furnas, que em seu cabeçalho trazia os seguintes dizeres:

    “Escritura pública de desapropriação com indenização fixada por convenção amigável, que entre si fazem, de um lado, como outorgante expropriada, a Mitra Diocesana de Guaxupé; e de outro, como outorgada expropriante, a Central Elétrica de Furnas S/A, com a interveniência da Prefeitura Municipal de Alpinópolis”. A escritura é longa e detalhada e, no início, cita os nomes dos doadores das terras.

    O negócio de Furnas com a Mitra Diocesana de Guaxupé e Prefeitura de Alpinópolis, conforme a referida escritura, girou em torno de uma área de aproximadamente 67 alqueires, destinada ao canteiro de obras e acampamento. Para a formação do lago, entretanto, a negociação entre Furnas e proprietários particulares, por conclusão aritmética, atingiu uma área de 2.481,21 alqueires. O total de perda de terras alpinopolenses alcançou 2.548,21 alqueires, o equivalente a 74 km², conversão feita de acordo com os dados publicados pelo IBGE.

    Em ritmo acelerado, máquinas e caminhões, trabalhando dia e noite, transformavam o acampamento num grande canteiro de obras. O habitante da região, acostumado a interromper o serviço para enrolar cigarro de palha, estava assustado com as mudanças que via, passando a acreditar que a água ia mesmo atingir as marcas encontradas pasto afora. Apesar dessas preocupações, o povo da Ventania aguardava com muita esperança os benefícios da energia elétrica e da estrada asfaltada.

    Foi uma mudança brusca e repentina. Um povo pacato e religioso teve de adaptar-se à convivência com uma população flutuante – cerca de sete mil empregados passaram pela região no ano de 1961 – que trazia consigo um ambiente mesclado por brigas, meretrício e crimes. Por outro lado, Alpinópolis saia do anonimato e estampava jornais, revistas, mapas como município sede da maior usina hidrelétrica do Brasil.

    Energia
    Numa época difícil, o município foi contemplado com os benefícios das metas “Energia e Transporte”, do governo JK. Muito dessas conquistas se deve ao empenho político de cidadãos ilustres – em especial José de Carvalho Faria, padre Ubirajara Cabral e o então prefeito Osvaldo Américo dos Reis – que interferiram junto às autoridades de Furnas, no Rio de Janeiro, para que fosse mudado o curso da estrada projetada, que originalmente passaria pela Vargem dos Pinheiros, Itapiché, Carmo do Rio Claro. O desvio, que redesenhou o trajeto e fez com que a rodovia passasse por Alpinópolis, é considerado fator importante para o desenvolvimento local, impedindo que a cidade ficasse isolada da malha viária regional.

    No dia 4 de dezembro de 1960, à tarde, Alpinópolis foi iluminada com energia elétrica vinda de Peixotos, justamente por conta das Centrais Elétricas de Furnas S/A. Nos anos de 1973 e 1974 foi feito o serviço de preparação do trecho entre o trevo de Furnas e Alpinópolis.

    Em maio de 1975 o asfalto chegou à cidade. Quase 20 anos depois, a Lei Estadual 12.132/96 deu o nome de “Rodovia Osvaldo Américo dos Reis” ao trecho que vai do trevo de Furnas até Alpinópolis, ou seja, o segmento da MG-446 que fica entre a MG-050 e a BR-265. 

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