• Assine (35) 3529-2750

    Fale Conosco contato@folhadamanha.com.br

    WhatsApp (35) 9 8829-8351

       
    ÁREA DO
    ASSINANTE
    ESQUECEU SUA SENHA?
    Você receberá em seu e-mai uma nova senha para login.
    

    Assine 35 3529-2750

    Fale Conosco contato@clicfolha.com.br

    WhatsApp 35 9 9956-5000

    
    11/09/2019 09h07 - Atualizado em 11/09/2019

    Psicóloga reforça importância do Setembro Amarelo

    ESTIMATIVA INFORMADA PELA SANTA CASA DE MISERICÓRDIA DE PASSOS APONTA PROBABILIDADE DE AUMENTO EM CASOS DE SUICÍDIO ATÉ O FIM DESTE ANO

    Fernanda Freire - Da Redação

    Embora seja no mês de setembro que a população nacional atribua diversas discussões sobre o suicídio, a coordenadora de psicologia do Hospital Regional do Câncer/Santa Casa de Misericórdia de Passos, Thais Lopes da Silva Trindade, pondera que o tema deve ser tratado diariamente, como um problema de saúde pública.

     


     A preocupação se deve aos índices de tentativas de autoextermínio que só tendem a aumentar até o final do ano. Em sua atuação na Santa Casa, a psicóloga contou que atende pessoas de Passos e região.

     

    Em um comparativo aos atendimentos realizados no ano passado, até o mês de setembro desse ano, já foram registrados 26 casos, e, em 2018, o total anual foi de 39 casos. “Houve crescimento, entendendo que ainda faltam alguns meses para o ano acabar, a probabilidade é que os números aumentem até o fechamento de 2019”, avaliou Thais.


     “É assustador e crescente o número de tentativas ou de suicídios concluídos”, observou a psicóloga, que afirma que existem estatísticas que estimam que mais de 10 mil pessoas tentam o suicídio por minuto.


    Embora não tenha como prever o indivíduo que vai realizar a tentativa, Thais garante que é possível avaliar antecipadamente o risco de cada um antes que o evento seja cometido: seja através de uma investigação detalhada, uma entrevista familiar ou uma identificação psíquica, todos esses fatores de observação podem ser instrumentos de prevenção e contenção para futuros casos.

     

    Ação

    Na Santa Casa, por exemplo, o processo interno chamado Rop desempenha ações internas não só para pessoas que apresentam tentativas de suicídio, mas para indivíduos que são considerados propensos ao autoextermínio.

     

    A coordenadora do serviço de psicologia explicou ao paciente ser internado, quando se enquadrar nos critérios de risco ao suicídio, o setor de psicologia vai ser imediatamente acionado, para realizar uma avaliação e conduta desse paciente.


    “Nossa preocupação não são só as pessoas que chegam com tentativa de autoextermínio, mas principalmente trabalhar na prevenção e no auxílio emocional de pessoas que sofrem por algum tipo de transtorno ou algum sofrimento psíquico e chegam a pensar na possibilidade de tirar a própria vida”, pontuou.


    Acionado por uma equipe multiprofissional, a avaliação minuciosa da psicologia pode conduzir um planejamento de alta, orientação familiar, solicitar avaliação psiquiátrica e realizar o acompanhamento ao tempo em que o paciente estiver internado.

     

    Identificação


    “É preciso entender que o suicídio é cometido quando uma pessoa sente-se incapaz de dominar uma situação insuportável e aí essa pessoa tem a convicção de que não consegue sair dela.

     

    Esse desespero e a perda de controle sobre si e do ambiente em que ela vive, faz com que ela sinta um sentimento de fracasso e veja a morte como a única forma de sair desse sofrimento e dessa situação de angústia”, descreve Thais, ao explicar sobre a identificação de pessoas predispostas ao ato.


    Uma pessoa que está passando por uma problemática e não está bem geralmente já se enquadra como um fator de risco, acredita a psicóloga. “Mas tanto os nossos estudos quanto a nossa experiência na Santa Casa nos mostram que uma pessoa em um quadro de depressão, que tenha transtorno psiquiátrico, esteja em alguma situação que gere sofrimento psíquico, enfrente conflitos familiares ou conjugais já é uma pessoa com possível tendência ao pensamento suicida”, declarou Thais.

     

    Abordagem

    Tanto uma pessoa que já realizou tentativas de autoextermínio quanto as que apenas verbalizam a ideia, “devem ser ouvidas atentamente, colocando em prática a empatia sem julgamento, para possibilitar mensagens verbais e não verbais de acolhimento”.

     

    Nesse processo de abordagem, a psicóloga ainda recomenda que o ouvinte deve “tentar ser o mais neutro possível, expressando respeito pela opinião e valores da outra pessoa”.


    A conversa precisa ser honesta, com autenticidade, “demonstrando preocupação com o outro. Esse cuidado e essa feição acaba sendo revertido em sentimento positivo para a pessoa que está sendo acolhida”.

     

    Zelo

    A psicóloga ainda alertou que a maioria das pessoas possuem uma pré disposição para não dar muita importância quando a situação – ou as tentativas mascaradas – acontecem com alguém de convivência íntima, como um colega, familiar ou companheiro (a).


    “O que a gente tem que se atentar é que independente da pessoa levar para frente a ideação suicida ou não, só o fato dela verbalizar ou pensar na possibilidade de tirar a própria vida já mostra que a pessoa tem algum tipo de sofrimento emocional, algum tipo de sofrimento psíquico, então requer um olhar diferenciado, um acolhimento e às vezes um acompanhamento de um profissional qualificado.

     

    Então nunca deve-se subestimar a fala de alguém que diz que quer tirar a própria vida, pois não há como identificar se aquela fala pode se tornar real ou não”, aconselhou Thais.

     

    Motivação

    Na avaliação da psicóloga, a pessoa quando pensa em cometer o suicídio varia o pensamento em dois tempos: premeditado e momentâneo. Em casos premeditados, a pessoa “já vem com esse pensamento há tempos e vai pensando na forma de cometer”; enquanto os que cometem de forma momentânea são motivados por um episódio específico, que ocasionou um surto, abalando o estado mental e emocional.


    “A pessoa em um momento de desentendimento, de um sofrimento intenso ou término de um relacionamento pode tentar o suicídio, isso depende da forma de enfrentamento de cada um. Não temos uma balança em que a gente consiga pesar quem sofre mais ou menos, porque cada ser tem uma forma única de vivenciar suas emoções e histórias.

     

    Algumas pessoas conseguem superar e passar por seus problemas de forma tranquila, enquanto outras não tem uma estrutura emocional ou social que beneficie isso. A maneira com que vamos lidar com o sentimento está relacionada com a forma emocional de cada indivíduo”, esclareceu Thais.

     

    Chavões

    O assunto, embora seja muito discutido, ainda possui algumas idealizações sobre “o que se deve falar ou não falar” para pessoas que demonstram pré disposição ao ato. A coordenadora do serviço de psicologia da Santa Casa defende que “essa ideia de que se a gente perguntar sobre, pode estar induzindo a pessoa a cometer não existe.

     

    Questionar a ideia de suicídio ou fazer com que a pessoa pense nisso só estabelece uma relação de ajuda, de compreensão para identificar como ele está se sentindo”, causando a sensação de acolhimento a pessoa que está abalada.


    O suicídio, para Thais, não é um ato de covardia, “pelo contrário, é uma pessoa que está doente, sofrendo, e a única forma que ela encontrou de acabar com esse sofrimento foi tirar a própria vida”. 

    Mais sobre a editoria

    Guia da Cidade
    INCLUA SEU ESTABELECIMENTO

    Assine (35) 3529-2750

    Fale Conosco contato@folhadamanha.com.br

    WhatsApp (35) 9 8829-8351

    © 1984 - 2019 Folha da Manhã. Todos os direitos reservados.
    Desenvolvido por Mediaplus