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    11/09/2019 08h48 - Atualizado em 11/09/2019

    O arquivo de duas décadas da MTV

    O acervo da MTV, uma televisão feita especialmente para os jovens, ganha, agora, novos planos. A Abril, dona do conteúdo, conduz estudos para mudança de local, digitalização dos arquivos e atendimento ao público

    Thaís Ferraz - Especial para a Folha

    Quarenta mil fitas guardam duas décadas da história da MTV Brasil, emissora que transmitiu - e criou - alguns dos momentos mais importantes da TV, da música e do humor no País. Hoje, não é possível consultá-las. Armazenado no antigo prédio da MTV Brasil, na Avenida Professor Alfonso Bovero, 52, o acervo ainda não foi integralmente digitalizado e não tem visitação aberta ao público. Os registros da emissora disponíveis na internet são gravações caseiras, de fãs, com baixa qualidade de som e imagem

     


    Mas o acervo ganha, agora, novos planos. A Abril, dona do conteúdo, conduz estudos para mudança de local, digitalização dos arquivos e atendimento ao público. O futuro do acervo da MTV começará a ser desenhado após a homologação do plano de recuperação judicial da empresa, aprovado na terça-feira, 27 de agosto. A empresa adiantou ter interesse em utilizar o acervo, “importante para contar a história da MTV e de diversos personagens brasileiros”. A Abril informa que contará com parcerias para tornar a ideia realidade, já que investimentos serão necessários.

     


    A MTV Brasil tem dois momentos distintos. Entre 1990 e 2013, a ‘antiga MTV’ tinha como carro-chefe a música e os videoclipes, transmitindo também programas de humor e comportamento. Era uma TV jovem, ‘anárquica’, com muito conteúdo próprio e que frequentemente apostava no ao vivo. Em 2014, a MTV Brasil voltou a pertencer unicamente ao conglomerado Viacom, dono da MTV americana. A programação ainda inclui alguns programas voltados aos videoclipes, mas é preenchida principalmente por reality shows nos moldes americanos, como De Férias com o Ex (que tem uma versão nacional) e Geordie’s Shore.

     


    O acervo da ‘antiga MTV’ compreende o primeiro período. Naquela época, a emissora conseguia reunir os nomes mais importantes da música brasileira em projetos como o Acústico MTV e premiações como o VMB. O CD mais vendido de Cássia Eller, por exemplo, foi gravado em um acústico da emissora.

     


    Feita de jovens para jovens, a programação da MTV ousava em cenários, roteiro e figurino e abordava temas-tabu, como sexo, HIV e drogas. “Quando eu olho para trás, no que foi feito na MTV, vejo que tudo era inovação, mas a gente não usava essa palavra”, afirma o ex-diretor de conteúdo da emissora, Zico Goes “Para nós, tudo aquilo era natural. A gente achava que tinha que fazer daquele jeito e, por acaso, esse jeito era inovador.”

     


    A emissora era claramente voltada a um nicho. “A MTV, no começo, não era bem entendida, era muito maluca”, conta Zico. “Era gente jovem fazendo algo que rompia o que era estabelecido na televisão, de um jeito muito orgânico, a ponto de, às vezes, perder dinheiro e audiência.”

     


    Ex-VJ da MTV, Marina Person afirma que a programação se destacava pela honestidade. “Era uma conversa de igual para igual, diferentemente de outros canais, que faziam TV para jovens pensada por adultos”, afirma. “Com a gente, tudo era muito espontâneo. A gente errava, falava palavrão, falava coisa que não podia falar na TV.”

     


    Em 2004, a MTV transmitiu um momento inesquecível. Caetano Veloso e David Byrne se apresentavam no prêmio VMB, da emissora, e tiveram problemas com o som. Enfurecido, Caetano soltou ao vivo: “Ô pessoal da Emetevê, vergonha na cara! Vamo começar de novo e bota essa porra pra funcionar!”.

     


    “Usamos aquilo à exaustão”, conta Marina. “A bronca merecida do Caetano virou vinheta, promo, chamada, nome de livro... e esse espírito fazia a MTV ser o que era”, recorda. “A MTV conseguia tirar sarro de si mesma, fazer autocrítica. E a gente tinha liberdade total. Nunca ninguém me disse ‘não faça isso’. Ao contrário, meus chefes eram mais loucos do que eu.”

     

    O legado para o humor

    A comédia televisiva também ganhou um impulso fundamental da MTV. Em 1999, a emissora transmitiu pela primeira vez o programa Hermes e Renato. Com produção ‘simples’ e humor trash, Marco Antônio Alves, Fausto Fanti, Adriano Pereira, Felipe Torres, Bruno Sutter e posteriormente Gil Brother colocaram no ar programas que, até hoje, inspiram humoristas.

     

    “Antes de trabalhar na MTV, eu era audiência da MTV”, afirma o humorista Felipe Torres, que deu vida, entre outros, ao personagem Boça. “Nós do grupo sempre acompanhamos o canal com suas novas referências. A gente buscava coisas ali, não tinha Google, YouTube nem internet discada nessa época.”
     

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