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    09/09/2019 11h35 - Atualizado em 09/09/2019

    Dia a Dia: Enganos

    Adelmo Soares Leonel

    Anos atrás, minha clínica odontopediátrica funcionando ainda em Governador Valadares, recebi um telefonema da Bahia, pedindo que marcássemos horários para atendimento de duas meninas, Renatinha e Roberta. Sabedor da enorme distância e dificuldades de viagem, indaguei quando poderiam vir e qual o período do dia mais propício às consultas e, deixando a seu critério, marquei para terça-feira da semana seguinte, 10h da manhã.

    Exatamente no dia e hora combinados, entraram pela minha sala de recepção o pai, a mãe e as duas pequenas pacientes, revelando-se pessoas simples que pouco ligavam no trajar, sotaque baiano carregado e péssimos dentinhos notados logo no primeiro sorriso. Eu mesmo me assustei com o tamanho do tratamento e o valor altíssimo do orçamento, já aguardando as tradicionais choradeiras e pechinchadas ou mesmo a desistência, baseado na aparência familiar. A secretária passou ao pai o formulário com o preço e as formas de pagamento, enquanto eu esperava as reações de susto e arregalar os olhos. Para surpresa nossa, ele segurou o papel, deu uma rápida mirada, piscou para a mulher e comentou, candidamente:

    - Pensei que ia ficar muito mais! Não precisa de desconto que a gente é simples mas tem condição.
    Engoli em seco e expliquei-lhe serem realmente aqueles valores, e olha que a nossa tabela equivalia ao triplo da cobrada aqui em Passos, combinando o início do tratamento para a tarde do dia seguinte. Nessa altura, a esposa perguntou-lhe se já havia feito reservas no hotel quando, para espanto meu, respondeu o marido que precisava estar na Bahia para importantes negócios e preferiria ir e voltar no outro dia. Pensei comigo: “Pessoal maluco! Viajar 1400Km em 24 horas.” Argumentei podermos iniciar dali a algum tempo, assim que eles tivessem oportunidade de vir. 

    - Não. Tá ótimo! Vamos fazer algumas compras, viajamos à tarde e amanhã, sem falta, estaremos aqui. 

    Pediu para usar o meu telefone, orientou o piloto e, pelas 16h, decolou num jatinho...que, nos próximos 20 dias, pousava, sistematicamente, um pouco antes da hora marcada para o atendimento de minhas pobres pacientes. Ele era o filho do Angelo Calmon de Sá, dono do Banco Econômico, responsável pelas fazendas de gado e cacau, hotéis e uma rede de auto-postos, e a mulher, sobrinha do Antônio Carlos Magalhães.

    Numa outra ocasião, chegou no meu consultório um garoto, acompanhado pela mãe, juíza federal do Rio de Janeiro e orientei a secretária, que ao se dirigir a ela, antecipasse o “meritíssima”, mas a menina, ignorante do jargão jurídico, ao convidá-la a entrar, lascou:

    - Dona Meretríssima” (sic), por favor, queira acompanhar-me!

    De fato, a doutora acompanhou-a, não sem um olhar gélido e uma bronca educativa, devolvendo que meretríssima poderia ser o título de qualquer familiar da atônita secretária.  

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