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    06/09/2019 10h10 - Atualizado em 06/09/2019

    Dia a Dia: Uma noiva para Artur Bastião I

    Maria Mineira - Especial para a Folha

    Na Capoeira da Cava, morava dona Joaninha do Mané e seu filho Artur Bastião, sujeito arisco e sistemático. Já erado e ainda solteiro, fato que na opinião da mãe, era o motivo de todo o nervosismo do rapaz.


    Preocupada com o futuro do filho resolveu procurar uma moça boa para ser sua nora.
     — Artuzim, meu fio, andei prusiano cum o cum-padi Antero e chamei ele mais a famia pá vim armuçá aqui na nossa casa um dia desses.
    — Uai mãe, mode quê isso agora?

     


    — Fio, ocê já passô da hora de casá e o Cumpadi tem uma fia bunita e sortêra, a Maria Arcanja. Quem sabi ela num se agrada docê?
     — Mãe do céu, ieu num tenho assunto cum as moça, não! Ieu vejo uma e vai me dano uma suadêra nos pé, um furmigamento nas mão e dá vontade saí correno e sumi no mato...

     

     — Artuzim, larga mão de sê besta e bamu na cidade comprá pano pá modi a mãe fazê rôpa nova procê.
    O rapaz acabou se empolgando com a ideia. Passou a semana roendo as unhas numa ansiedade louca, enquanto a mãe costurava uma camisa verde e uma calça de casimira amarela, cores que ele gostava.

     

    — Será qui a moça vai achá ieu bunito de camisa verdinha, hein, mãe?
    — Ô fio, ocê já é bunito desbasiado, qui dirá de rôpa novinha. Vai ficá intimano qui só veno...
    Na noite anterior à visita, Artur Bastião até dormiu com a roupa nova para amanhecer pronto, tal era sua ansiedade para conhecer a Maria Arcanja.

     


    Cedinho acordou a mãe, acendeu o forno a lenha para assar os pães de queijo, matou um leitãozinho, pegou e depenou os frangos para ajudar a mãe no almoço, varreu todos os terreiros em volta da casa, ordenhou as vacas, limpou o curral...

     


    —Artuzim, meu fio, pára de trabaiá ca rôpa nova, ela vai ficá tudo suada e incardida.
    — Num dô conta de ficá queto mãe! Tô munto açulerado hoje... E esse povo qui num chega, uai!
    — Ocê se acarme qui inda é cedo.
    —Vô lá na estrada vê se o Sô Antero mais a fia dele envém.

     

    Arturzinho foi até a estrada e avistou algumas pessoas lá longe. Seu nervosismo piorou e nesta hora sentiu a barriga doer, precisava ir ao matinho, mas ali era campo limpo. Povo chegando, barriga torcendo, ele arriou as calças ali mesmo na estrada e enfiou a cabeça num buraco de tatu para não ser reconhecido, enquanto o povo passava escandalizado com aquela cena.

     


    — Muié, tapa os zóio da Maria Arcanja! Tem um doido cum os trasêro de fora, fazeno as nicissidade na bêra da istrada! Qui pôca vergonha, crendoin-cruiz!
    Mais tarde em casa Dona Joaninha grita:
     — Vem cá meu fio, vem prusiá cas visita!

     

    Artur Bastião aparece todo acanhado e Dona Joaninha tenta contornar a situação:
     — Fiote da mãe... Sobi no pé de laranjêra campista e panha umas laranja docinha pá moça mais a mãe dela.
    O rapaz saiu correndo e subiu no alto da árvore sem reparar nos espinhos, tal era seu afobamento; acabou ficando todo espinhado e preso lá em cima.

     


    — Sô Antero do céu! Acode meu fio qui ta ingastaiado lá im riba nos gaio ispinhento da laranjêra.
    Com muito custo desceram o rapaz lá de cima e este mais sem graça ainda empacou num banquinho lá da sala, sem coragem de olhar para as visitas, enquanto esperavam o almoço ficar pronto.
    Mais uma vez querendo remediar o malfeito a mãe sugeriu:

     


    — Ô gente, tá aqui a sanfona do meu finado Mané. Artuzim meu fio, toca umas moda bunita pás visita iscutá.
    Estropiado e com os nervos em frangalhos, Artur Bastião retirou a sanfona da caixa. Suas mãos tremiam, o suor escorria rosto abaixo quando olhou para a moça e os pais dela. Sabia que era sua última chance de consertar o estrago e deixar uma boa impressão.

     


    Segurou a sanfona, e todo trêmulo tentou tirar algum som do instrumento. Artur fez tanta força, esticou tanto, que ao começar a tocar... Partiu a sanfona ao meio.

     

    Maria Mineira. Esta e outras 52 histórias fazem parte do livro:“Ao Pé da Serra- Contos e Causos da Canastra” de Maria Mineira. E-mail:mariamineira2011@yahoo. com.br

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