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    29/08/2019 10h08 - Atualizado em 29/08/2019

    Dia a Dia: O preocupante fenômeno do "copia e cola"

    Janaína Spolidorio - Da Redação

    A preocupação com a qualidade dos trabalhos e pesquisas escolares vem aumentando a cada dia.
    Antigamente, quando o professor pedia um trabalho ou uma pesquisa o aluno ia até uma biblioteca, aprendia a buscar entre as prateleiras o assunto pedido, lia livros sobre o tema e, embora muitas vezes copiasse a informação de algum lugar, o trabalho era feito em uma folha e o texto era escrito de próprio punho, pelo aluno. De certa forma, embora ele apenas copiasse, ao fazê-lo estava lendo as informações e o fato de ter de escrever o que lia ajudava na aprendizagem.

     

    Nas últimas duas décadas e meia, com a evolução tecnológica e especialmente da internet, é cada vez mais frequente o fenômeno “copia e cola” para dar conta dos trabalhos pedidos pelos professores.

     

    Quando um professor pede uma pesquisa, quer que seu aluno estude para fazer o trabalho requisitado. No início deste “problema”, os professores costumavam pedir o trabalho escrito “à mão”, porque embora o aluno pudesse buscar a informação na internet, iria copiá-la e, portanto, ter que ler as informações, como antes era feito com os livros.

     

    Com o tempo, contudo, tudo se complicou. O “copia e cola” ficou frequente e totalmente normal. O pior panorama é o fato de que o aluno pode até copiar “à mão”, mas nem prestar atenção, é quase como se estivesse desenhando as letras num papel como terapia. Cumpre o que o professor quer ver, mas não resolve a questão da aprendizagem.

     

    O que não se percebeu ainda é que na verdade a internet facilitou o acesso à pesquisa e isso é ótimo. O ponto negativo é que foram criadas prevenções para não usar textos em modelo “copia e cola”, mas na maioria das vezes a escola não se preocupa com o mais importante, que é modificar a forma como avalia a situação toda.

     

    Veja a seguir pontos importantes a considerar sobre a facilidade de encontrar informações na internet:

    A fonte: quando se pesquisa em livros, eles têm todo um processo para serem escritos e trazem fontes de pesquisa verificadas e confiáveis. Na internet nem sempre a fonte é confiável. A escola deve se preocupar em ensinar os alunos a notarem se a fonte da notícia, informação ou outro tipo de texto é confiável. É preciso criar atividades e situações em aula que possam criar a criticidade necessária tanto para o aluno poder valorizar fontes confiáveis quanto para já educa-lo contra a pirataria e plágio e para a valorização daqueles que se dedicam à escrita comprometida de determinado assunto.

     

    A facilidade: o fato de facilitar o acesso é maravilhoso... e perigoso. É preciso que a escola tenha consciência desta questão e possa trabalhar isso com seus alunos. Mostrar o quanto é fácil aprender é fantástico, mas mostrar os perigos desta facilidade é também vital. A facilidade pode levar ao comodismo, por exemplo, e o comodismo não estimula a aprendizagem. Um outro ponto é de novo a confiança. Será que o site pesquisado tem um texto que realmente traz informações verdadeiras?

     

    A tarefa: o modo como a tarefa é pedida talvez seja a questão mais delicada e essencial a se considerar. Muitas escolas se rendem ao comodismo e simplesmente pedem uma pesquisa sobre o tema X, mas será que só “jogar” esse tipo de tarefa não é o que prejudica o processo? E se o professor der uma tarefa mais elabora e, em lugar de pedir um texto corrido, sem instruções, pedir itens específicos na pesquisa, que o aluno não conseguirá retirar de um mesmo lugar? E se incrementar e pedir em um formato diferente, no qual o aluno terá que ler sobre o assunto e remontar tudo?

     

    Não é preciso muito para evitar situações de “copie e cole”, mas pode-se afirmar que o mais urgente é que as escolas percebam que restringir nunca foi e nunca será a solução.
    Para novas respostas é preciso novas perguntas. Questionar de forma diferente deveria ser a primeira ação escolar em relação às pesquisas.

     

    É fato que o Brasil enfrenta uma grande crise educacional e parece que não tem rumo para suas lacunas de aprendizagem, que aparecem escancaradas nas inúmeras avaliações que nossos alunos fazem. A interpretação é uma das questões que precisam mudar com urgência e para isso é preciso uma porção de ações, entre elas a mudança de postura em relação aos trabalhos que pedimos aos nossos alunos.

     

    Pedir pesquisa para preencher espaços, dizer que pediu ou trazer quantidade de trabalho para aluno e professor não dá certo! Devemos nos voltar agora para novas questões, novas abordagens e novas tarefas.

     

    Sua tarefa ao final deste artigo, portanto, é refletir sobre a forma como pesquisa ou sobre a forma como pede uma pesquisa aos seus alunos. Como você estimular seu filho a fazer pesquisas também é relevante. O que dá certo e o que pode ser melhorado?
    Por meio da reflexão sobre soluções é que conseguiremos avançar em qualidade! Pesquise o novo, estimule a aprendizagem.


    JANAÍNA SPOLIDORIO, especialista em educação, é formada em Letras, com pós-graduação em consciência fonológica e tecnologias aplicadas à educação e MBA em Marketing Digital. Ela atua no segmento educacional há mais de 20 anos. 

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