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    26/08/2019 10h13 - Atualizado em 26/08/2019

    Opinião: Rio de preocupações

    A semana foi recheada de notícias bombásticas e outras nem tanto.

    A atitude do governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel (PSC), ao comemorar a morte do sequestrador do ônibus na ponte Rio-Niterói foi no mínimo estranha. Em decorrência, marcada por manifestações extremadas, contra e a favor.

    No aspecto cristão e em nível de bom senso, não se homenageia a morte produzida por qualquer ato de violência, não importando se no chamado ‘exercício regular do direito’. E fazer da morte um espetáculo, e em seguida, numa sensibilidade forçada, de mãos dadas com os reféns, puxar no constrangimento um Pai-Nosso! 

    Desde que assumiu o governo do estado do Rio, o ex-juiz federal e ex-fuzileiro naval vem assumindo postura truculenta no combate ao crime, o que se entende na prática ‘por eliminação’. Ao que depois vem falar em execração aos grupos de extermínio. Existe diferença? Pode ser.

    No entanto, mal sabe Witzel que fazer espetacularização da morte não traz dividendos de nenhuma espécie. Nem na terra de inocentes úteis, menos ainda na dimensão post-mortem.

    Realidade à mesa, este senhor que se veste de juramentado homem do poder, não sabe e nem sonha o barril de pólvora em que está metido até o pescoço.

    No histórico Rio de Janeiro de Leonel Brizola e Darci Ribeiro, deste último de sociológica memória, vemos que não existe meio de governar o estado de prosaicas culturas, sem uma variante incondicional: unir-se ao povo e suas tradições, sem fazer concessão à força bruta do ‘prendo e arrebento’, frase de questionável e cavalariça repercussão do ex-presidente João Baptista Figueiredo.

    Ninguém em sã consciência faz apologia ao crime organizado. Tampouco de milícias de todo gênero. Nada disso. Fala-se, antes de tudo, em um Rio de Janeiro política e socialmente organizado, voltado às tradições culturais, valores, crenças, à música, à poesia, futebol, carnaval.

    No limite concentrado da liberdade idílica de uma festejada terra e de um povo que nasceu para a alegria de ser feliz, não obstante os problemas emergentes que afetam a vida de uma sociedade plural e que tão bem acolhe gentes de todos os estados da federação.

    De três décadas para cá, os habitantes do Rio vêm sendo relegados ao descaso da administração pública. Não querem apenas acabar com a festa de um povo.

    Querem, isto sim, acabar com o povo na literalidade de um sombrio apogeu: tiros para o alto, de baixo para cima, e na horizontalidade, como pontua o sinistro governador Wilson Witzel. Se alguém estiver com arma em punho, atira-se nesse alguém. Medalha vem depois.

    Para esse homem travestido de homem público, a morte não deixa de ser um negócio político. Aliás, foi com esse discurso que se elegeu.

    E vem enaltecendo os números. Sim, é verdade.

    A criminalidade no Rio diminuiu, mas, na proporcionalidade desumana das estatísticas sociais, a qualidade de vida do povo, mais precisamente da capital, está tão depreciada nos seus contornos sociológicos e políticos, que pouco ou nada há de ser comemorado em termos de recuperação histórica. De doce lembrança o samba “Foi um Rio que passou em Minha Vida”, de Paulinho da Viola.

    No Rio de agora, entre magia, beleza e pavor, sem nenhuma dor ou piedade, estão atirando bombas de efeito ‘imoral’ na intransigência de uma filosofia voltada à passarela de uma falsa governabilidade.

    E some-se a isso, a forma com que vem conduzindo o combate à criminalidade.

    Será mesmo o melhor caminho a violência contra a violência?

    A educação escolar, sedimentada na pratica do ensino, atrelada às artes em variadas formas de manifestação, continua sendo o instrumento dos mais eficazes no combate ao tormento da criminalidade, o que está mais do que comprovado através de ações na seara pública e privada.

    As balas perdidas e achadas o permitem? Sabemos que não. 

    As comunidades do Rio de Janeiro não podem ser penalizadas com a barbárie instalada por terrorista de plantão. 

    No geral, fazem uma confusão enorme entre a população pobre e trabalhadora dos morros e favelas, com os bandidos patrocinados por cartéis internacionais. A chamada “contundência necessária” no enfrentamento a traficantes de drogas e milícias deve ser vista e analisada com muito cuidado e prudência. Inocentes estão sendo vitimados em nome de operações truculentas injustificáveis.

    No rescaldo das explicações, não dando o braço a torcer, os mortos são sempre suspeitos, ligados a alguma facção criminosa.

    E em nome de tais operações, a famosa e tradicional explicação técnica: “Em clima e zona de guerra, inocentes úteis podem ser abatidos”. Traduzindo: os policiais têm permissão para matar. 

    Caso reste dúvida do que se está comentando, vejam vídeos exibindo ação policial no Complexo da Maré, em que policiais a bordo de helicóptero da Polícia Militar, disparam indiscriminadamente tiros de fuzis e metralhadoras de cima para baixo, num processo mais que letal, também conhecido por “se pegar, pegou”.

    A despeito da beleza natural exuberante do Rio de Janeiro, a segunda maior metrópole do Brasil, cidade mais conhecida no exterior, com a maior rota de turismo internacional no Brasil, batemos de frente com um problema grave: a desigualdade social. Daí se valer da tese bem instalada sociologicamente: a violência na cidade do Rio de Janeiro não é a causa dos problemas enfrentados, mas, sim, a consequência.

    Que expressem a realidade da Cidade Maravilhosa com positivismo. Tomem os braços sempre abertos do Cristo Redentor como garantia de sorte, em sintonia fina a caudalosas bênçãos provenientes do alto.

    O povo carioca e fluminense, de reconhecido espírito acolhedor, não merece o que ora vivencia. Decerto haverá de retomar seus caminhos, de suas entranhas, mediante prazenteiras perspectivas de futuro, sem a precisão de nenhum viés ideológico e de quaisquer movimentos partidários. 

    Sua reputação já o consagra como credor da mais alta estima da comunidade nacional e internacional.
    Assim seja!

    LUIZ GONZAGA FENELON NEGRINHO, advogado, com escritório em Formiga, escreve aos domingos nesta coluna. 
     

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