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    26/08/2019 08h41 - Atualizado em 26/08/2019

    Ludmila Rattis Teixeira, ecóloga espacial

    "O desmatamento avançou, sim, nos últimos meses, por diversas razões, entre elas a questão da certeza da impunidade"

    Adriana Dias - Especial para a Folha

    anos completos neste sábado, 24 de agosto, saiu da roça, na região do Formoso da Serra, no Sítio Vovó Geralda, em Passos, e ganhou o mundo estudando e trabalhando como pesquisadora da relação entre florestas, clima e produtividade agrícola no Brasil.

    Suas pesquisas são realizadas no Brasil, especialmente na Amazônia, em Massachussetts e na Califórnia, mas sua origem e sua paixão estão na roça. A filha de Paulo Teixeira e Fátima Rattis tem os irmãos Jaime, Luciana e Paula e cursou Ciências Biológicas na Fundação de Ensino Superior de Passos (Fesp), tendo se formado em 2008.

    Foi para Ribeirão Preto fazer Mestrado em Ciências na Universidade de São Paulo (USP) e, na sequência, cursou doutorado em Ecologia na Universidade de Campinas (Unicamp). Desde 2017, mora nos Estados Unidos, mas, atualmente, divide seu tempo entre os dois países, como pesquisadora no consórcio entre o Woods Hole Research Center e o Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia.

    Para falar sobre sua trajetória, atuação e as preocupações que o mundo todo tem sobre uma das regiões mais importantes do planeta e, face aos recentes e polêmicos embates entre o presidente Jair Bolsonaro e líderes mundiais, o Entre Prosas ouviu a passense numa de suas visitas à família em Passos.

    Folha da Manhã- Como você, que atua justamente na pesquisa na Amazônia, vê a polêmica envolvendo o presidente Jair Bolsonaro e líderes mundiais?

    Ludmila - Eu vejo com muita estranheza que o presidente de um país tão importante no cenário econômico mundial, como o Brasil, venha bater de frente com outros líderes mundiais que são compradores e vendedores de mercadorias para o Brasil. O agronegócio brasileiro depende muito das vendas que nós fazemos para a Europa. Então, independentemente do assunto que é discutido, eu acho estranho ele bater de frente, inclusive na questão do Fundo Amazônia, que o Brasil já recebeu mais de R$3 bilhões, que ajudaram os governos municipais, estaduais, federais e instituições de pesquisa sérias, todas auditadas, direitinho, e que ajudaram o desenvolvimento socioeconômico e ambiental da Amazônia, e até de Estados fora da Amazônia legal. O Bolsonaro vir atacar tudo isso, eu vejo com bastante estranheza, e eu acho péssimo para a imagem do Brasil lá fora. Agora, especificamente quanto ao meio ambiente, é uma vergonha. É como uma criança que faz uma coisa errada, as pessoas ao redor vêm chamar a atenção, e a criança quer brigar, espernear e falar que está errado. O desmatamento avançou, sim, nos últimos meses, por diversas razões, entre elas a questão da certeza da impunidade dessas pessoas que desmataram, e todo esse incêndio na Amazônia que a gente está vendo agora é em áreas desmatadas. Então, eu vejo com tristeza e espanto e espero que o Brasil consiga limpar a sua imagem internacionalmente e nacionalmente, porque, para nós, enquanto brasileiros, é muito triste ver isso.

    Folha da Manhã – Voltando um pouco na linha do tempo, como se deu a sua ida para os Estados Unidos?
    Ludmila – Primeiramente, eu fui com uma bolsa de pós-doutorado da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes); quando essa bolsa estava acabando, os chefes de lá viram o trabalho que eu estava desenvolvendo e decidiram me contratar. Então, eu fui contratada e fiquei um ano e meio com essa bolsa neste instituto de pesquisa, que seria o comparativo a uma ONG no Brasil.

    FM – Teve alguma dificuldade com o idioma?
    Ludmila – Morei no Canadá anteriormente, me mudei pra lá em julho de 2014. Eu cheguei e fiquei seis meses indo ao supermercado, voltando com coisas na mão, porque a mulher me oferecia uma sacola e eu não entendia que ela estava me oferecendo, mas eu conseguia me comunicar com a minha orientadora de doutorado, por exemplo, porque ela tinha muita paciência e já tinha experiência com pessoas de outras nacionalidades que não falavam inglês fluente. Mas, no dia a dia, eu sofria demais. Quando eu me mudei para o Canadá, eu lia como eu leio português, mas eu inventava a pronúncia das palavras. Quando eu comecei a ouvir os nativos falando inglês, não conectava. O meu trabalho para desenvolver a habilidade com o inglês foi justamente para conectar o que eu lia com a pronúncia correta das palavras. Hoje em dia, eu consigo entender 100% do que as pessoas estão falando e consigo responder, entrar em discussões sobre qualquer assunto, não só do meu trabalho. Ainda tenho um problema que chega até a ser engraçado com a pronúncia de algumas palavras. Já a construção frasal, eu construo bem, porque aprendi inglês lendo. Eu terminei a graduação no fim de 2007 e fui para Ribeirão para poder estudar para o mestrado e fazer estágio no laboratório, para começar o mestrado em agosto de 2008. Só que o livro que tinha que estudar era sobre invertebrados e era todo em inglês. Confesso que eu passava um dia inteiro, 12 horas estudando, para ler três páginas. E, naquela época, não tinha aplicativo de celular com tradutor, era no dicionário, um Oxford, grosso. E foi justamente nesse trabalho que tive a forma que aprendi inglês. É engraçado que, até hoje, quando as pessoas me falam uma palavra com a pronúncia correta, eu tenho que repetir a palavra em voz alta, do jeito que eu achava, para a pessoa confirmar, aí fica parecendo que eu tô tentando corrigir a pessoa. Hoje em dia, meu inglês é bom, eu entro em discussão sobre qualquer assunto. Se somar o tempo que fiquei no Canadá, já são cinco anos morando fora do Brasil.

    FM – E como foi a sua vida na infância?
    Ludmila - Eu morei na roça até 9 para 10 anos. A gente morava ali no Formoso da Serra, no Sítio Vovó Geralda, só que, quando eu tinha uns 10 anos, meu pai teve que vender e viemos para Passos. No Formoso, não tinha escola e é relativamente perto da cidade, então, meu pai trazia a gente para estudar. Quando eu fui fazer faculdade, a gente estava morando na roça de novo, só que, aí, a gente estava morando na linha da usina açucareira. Eu pegava o ônibus das professoras que vinham da escola da usina e, aí, o fio me deixava na Avenida da Moda e eu subia para a faculdade. Quando era noite, papai me buscava e também pegava minha mãe, que estava fazendo faculdade na mesma época que eu.

    FM – Qual curso sua mãe fazia?
    Ludmila - Minha mãe fez o curso de Letras na Fesp, hoje Universidade do Estado de Minas Gerais (Uemg). Ela começou a faculdade aos 45 anos. Então, aquele espaço de roça, na zona rural, não existe mais, porém, minha paixão permaneceu. Tanto é que eu queria fazer Agronomia ou Veterinária. Meu pai me disse que eu não ia ganhar dinheiro e ia sofrer muito. Que eu ia ver vaca com câncer, ia ter que ir pra roça abrir porteira à noite sozinha. Optei por Biologia, só que ele não sabia o que era Biologia e me deixou fazer, penso que no sentido do perigo, desgaste e pouca remuneração, talvez seja muito pior. Eu ando no mato; em abril, eu vi uma onça no meio da Amazônia. Isso é muito pior do que abrir uma porteira à noite.

    FM - Qual foi a experiência, como que foi a reação de se deparar com uma onça?
    Ludmila - Sou muito medrosa, mas, nesse dia, que era numa quinta-feira de manhã; na quarta a gente estava apresentando uns slides para os alunos novos que fazem parte do projeto, a gente tem uma estação de pesquisa no Mato Grosso. Essa estação fica na zona de transição entre Amazônia e Cerrado, e temos um fluxo bem grande de alunos de todos os lugares do mundo. É um consórcio entre o Woods Hole Research Center e o Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia. Quem mantém, majoritariamente, é o Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam). A estação funciona desde 2004.

    FM – Como é dividido seu tempo entre o Brasil e os Estados Unidos?
    Ludmila - O tempo que eu passo no Brasil, cerca de seis meses por ano, não necessariamente consecutivos, é dividido entre a estação, na Tanguro, e um tempo em Brasília. Varia muito, depende da demanda. Este ano, eu passei uma semana por mês na Tanguro.

    FM - Como é sair do interior e ir para a maior nação do mundo em termos de potência e tecnologia?
    Ludmila - É um choque. O conforto é muito maior. Especificamente na cidade onde eu moro, é um dos lugares mais seguros do mundo, Massachussetts, eu moro em Cape Cod. Moro sozinha, deixo o carro destrancado na porta da minha casa. Eu nunca tranquei o carro. Minha casa lá é um sobrado, no primeiro andar. Eu nunca tranquei a porta da minha casa. Então, tem isso, as pessoas não trancam a porta da casa. Mas, por outro lado, eu descobri, não é bairrismo, mas mineiro tem uma empatia muito grande por qualquer pessoa que passa na frente, o que me emociona. A gente acha que o resto do mundo é assim, e não é assim. Minha família inteira é assim, com qualquer pessoa. Quando eu me mudei para o Canadá, tinha um cara lá que perguntou de onde eu era. Eu tinha mania de falar que eu era de Minas Gerais, não que eu era brasileira, para as pessoas conhecerem. Aí ele falou que conhece Minas Gerais. Ele estava pulando de paraglider, em Governador Valadares, perdeu o controle e foi parar a quilômetros de distância. Ele falou que caiu no meio de uma fazenda, de um fazendeiro que não sabia falar uma palavra em inglês, o fazendeiro entendeu que ele estava perdido, pegou o equipamento dele, colocou na traseira da caminhonete e o levou para Governador Valadares. Chegou lá, pegou na mão dele, virou as costas e foi embora. Ele não sabe o nome, não sabe nem como o cara entendeu a necessidade dele e falou que só em Minas Gerais acontece isso.

    FM - Esse tratamento contrário não existe para com os mineiros? Ser dessa maneira quebra um pouco a secura do outro. Concorda?
    Ludmila - Eles até acham que eu sou legal, mas eu não sou tão legal, é que eu sou mineira. Aqui eu sou normal, na média. Tem um amigo nosso com câncer nos Estados Unidos e me questionam por que o ajudo. Perguntam por que faço comida para ele. Se fosse aqui, por exemplo, avó faria comida todos os dias, eu sou bem abaixo da média. O choque é muito mais cultural.

    FM - Do você sente mais falta?
    Ludmila - Da empatia, do calor humano. Interação de família, de gente que senta na cozinha. Na parte da alimentação, sinto falta do arroz com feijão tropeiro. Sabe que tem dia que a gente consegue feijão lá, aí a gente faz só arroz e feijão, e acha a coisa ‘mais boa’ do mundo. Mas é de arroz com feijão tropeiro que eu sinto mais falta.

    FM - O seu trabalho é permanente ou temporário?
    Ludmila - Sempre é temporário. A questão é se você está com vínculo ou não. A gente vive de projetos, que duram cinco anos, quatro, três. Eu estou envolvida, atualmente em seis projetos. Eles são temporários, mas, no conjunto, eles são permanentes. E o que é permanente hoje em dia? É na confluência ali entre o temporário e o permanente.

    FM - E todos eles na área de Biologia, nessa questão da ecologia espacial?
    Ludmila - O meu papel é sempre fazer essas análises estatísticas tentando avaliar a relação entre coisas no espaço. Então, você tem um campo de soja, um fragmento de floresta, um rio passando por ela, e qual a relação desses três elementos com chuva, estoque de carbono, com a biodiversidade que habita essa paisagem. Que essa ecologia espacial vem da ecologia de paisagens. Todas essas paisagens que a gente estuda são heterogêneas, elas são compostas por coisas completamente diferentes. Essa mesa (de madeira) é composta por coisas muito diferentes, depende da escala do que você está estudando. Existe toda uma paisagem dentro dessa bolsa, assim como existe toda uma paisagem dentro dessa revista. Então, eu vou estudando em várias escalas. Há momentos em que a nossa paisagem é um metro quadrado na floresta, e aí, naquele metro quadrado, acontece um monte de processos. Tem fungo, bactéria, tem os outros organismos do solo, tem a própria questão da decomposição do solo. Tem regeneração de plantas acontecendo, só naquele um metro quadrado. E também a gente estuda toda a bacia do Xingu, e eu estudo toda a fronteira agrícola brasileira, que é entre o Cerrado e a Amazônia.

    FM - Isso tem algum propósito para o ser humano?
    Ludmila - Sim. Grosso modo, existem dois tipos de ciência: a ciência básica e a ciência aplicada. O que eu faço é a ciência aplicada. A ciência básica é superimportante, muitas coisas que a gente faz dependem da ciência básica, que é a ciência que mais está sendo atacada pela falta de recursos, a gente vai começar a sentir no longo prazo. A pesquisa que eu faço é toda aplicada, por exemplo, tem um trabalho nosso que foi publicado recentemente sobre o papel das antas na regeneração da floresta. Isso, agora, que tem muitas propriedades rurais que precisam fazer a recuperação de algumas áreas, o papel das antas, regenerando naturalmente, a economia que você tem por ter esses bichos que dispersam semente em uma comunidade rural é absurda. Nada, nenhum processo de recuperação é tão eficiente como o papel que as antas fazem naturalmente, de graça, só pelos fatos de elas estarem lá.
    FM – Os homens estão matando as antas?
    Ludmila - Pra que, né? Por que alguém vai matar uma anta? Não faz nenhum sentido. Anta é herbívoro, não ataca ninguém. Ela está ali e as perdas econômicas por que ela entra em uma soja ou milho são ínfimas, não tem sentido. Comparado ao bem que ela faz, não tem igual. A anta tem uma peculiaridade, ela é o maior mamífero brasileiro. Ela é o único representante da megafauna que não foi extinto. A gente tinha a preguiça-gigante, vários bichos muito grandes que não existem mais. Por causa da abertura da boca dela ela, tem uma capacidade de comer frutos tão grandes, que os outros organismos que a gente tem não têm mais. E ela gosta de andar em lugares abertos, então, ela come frutos que estão em uma mata mais intacta, e ela vai defecar nas áreas mais abertas onde ela anda. Ela é a jardineira perfeita.

    FM - Ainda tem muitas?
    Ludmila – Em alguns lugares, elas estão ameaçadas, em outros, você tem um nível de conservação maior. É um bicho que reproduz lentamente, cada criada dá um ou dois filhotinhos. Você tem que cuidar bem, ele é um bicho bem ameaçado por perda de habitat ou caça, e por atropelamento.

    FM - Algum desse seu trabalho ganhou premiação? Ou foi publicado em alguma revista importante?
    Ludmila - Procuramos sempre isso; em todos os trabalhos, a gente procura publicar em revistas indexadas, que são revistas lidas mundialmente. Ano passado, eu ganhei o prêmio Márcio Ayres, que é o prêmio para o melhor trabalho científico publicado por jovens cientistas no triênio 2016/2018, que foi um trabalho que foi parte do meu doutorado.

    FM - Que é sobre o quê?
    Ludmila - No doutorado, estudei como que a escala que a gente estuda influencia os resultados que a gente obtém.

    FM - É muita matemática ou não?
    Ludmila - Totalmente matemática. Eu não tinha ideia que iria utilizar tanto a matemática. Diria que, hoje, 80% do que eu faço é modelo estatístico e matemático. E sou totalmente satisfeita com o que faço. Engraçado que todo teste vocacional que eu fazia apontava que eu não tinha habilidade com isso. E vou te falar que eu não tenho, é uma luta. A partir do momento que você precisa de estatística, você vai aprender estatística. Então, a partir do momento que você precisa entender um negócio, que gosta, que você vê a importância daquilo, então, eu estou vendo que as antas estão desempenhando aquele papel maravilhoso. Eu preciso transformar isso em número e na melhor figura possível para poder mostrar para as pessoas. Mas o meu trabalho principal é a interação entre floresta, clima e produção de comida. Então, eu busco entender como que, a partir do momento que você desmata uma região, como que isso vai afetar a temperatura local, o padrão de chuvas, a precipitação total, e como que essa mudança climática afetou a produção de comida, tanto no passado quanto no presente e no futuro.

    FM - E não só naquele lugar? Afeta em outros também?
    Ludmila - Afeta. Todos os dias, a gente vê aquela coisa do efeito borboleta. Uma borboletinha que bateu a asa na Amazônia vai te afetar. Um exemplo claro: por que chove aqui em Passos? Você tem a evaporação de água acontecendo no Oceano Atlântico, essas gotículas de água são atraídas por aerossóis que são emitidos pela floresta, principalmente pela floresta amazônica. Então, essas nuvens são formadas e, por causa da corrente de ar, elas são levadas aos Andes, mas, como os Andes são muito altos, essas nuvens batem e vêm chover no sudeste do Brasil. Aí, você tem os problemas das minas que estão secando, elas são uma resposta do desmatamento que está acontecendo em todo o Cerrado. Então, o cerrado maranhense, baiano, piauiense, tocantinense, que está sendo retirado, isso está refletindo na secagem dessas minas que acontecem aqui na região Sudeste. Toda a exuberância que você vê da floresta amazônica, da floresta atlântica, acima do solo, o Cerrado, tem abaixo do solo. É uma rede supercomplexa de raízes, muito profundas, que, quando chove, essas raízes levam a água para os lençóis freáticos, que vêm minar aqui. Se você remove a floresta amazônica, você está impedindo essa formação de chuva, que choveria aqui, e, se você remove o Cerrado, você está atrapalhando o processo de mina aqui, nas nascentes de águas que a gente tem aqui.

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