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    22/08/2019 09h54 - Atualizado em 22/08/2019

    "Apocalypse Now" está de volta 40 anos depois

    Clássico do diretor americano francis Ford Coppola retorna em versão restaurada com meia hora a mais que a produção original

    Francis Ford Coppola continua com sua obsessão por Apocalypse Now, 40 anos depois de sua estreia, em 1979. O clássico retorna às telonas em nova versão restaurada, com meia hora a mais que o original. Apesar do sucesso de seu filme sobre a Guerra do Vietnã – Palma de Ouro no Festival de Cannes em 1979 e que se tornou uma referência –, Coppola nunca ficou satisfeito com sua obra original condensada em 2h33.

     

    Em 2001, fez uma nova versão ampliada em 49 minutos, Apocalypse Now Redux, com cenas excluídas da versão original. Apocalypse Now: Final Cut, com 3h01, que estreou nos EUA, antes de uma edição em Blu-Ray, é um meio-termo entre suas versões anteriores, com uma restauração pela primeira vez a partir do negativo original, que levou quase um ano, e uma qualidade de imagem melhorada.

     

    “Melhor versão do filme no mundo traz uma qualidade de imagem e de som superior à anterior. O público poderá ver, ouvir e sentir esse filme como sempre sonhei.” Em Nova York, o cineasta de 80 anos declarou que sempre lamentou os cortes que teve de fazer em 1979, mas que a segunda versão lhe parecia “talvez longa demais”, daí essa terceira.

     

    A restauração evidencia a relação obsessiva que o diretor de O Poderoso Chefão manteve com o filme. O ex-presidente do Festival de Cannes, Gilles Jacob, lembra em um livro que em 1979 Coppola “chegou a tal nível de loucura obsessiva que, no mês anterior a Cannes, criou um final por semana”.

     

    Antes de tudo, a filmagem dessa adaptação livre do romance de Joseph Conrad O Coração das Trevas, que conta o périplo do capitão Willard (Martin Sheen no filme), encarregado de encontrar e eliminar o coronel Kurtz (Marlon Brando), esteve cheia de dificuldades. “Estávamos na selva. Éramos muitos. Tínhamos dinheiro demais, material demais. E pouco a pouco, ficamos loucos”, declarou Coppola em Cannes.

     

    A filmagem começou em 20 de março de 1976 nas Filipinas. Prevista para algumas semanas, acabou se prolongando por 238 dias. Primeiro surgiram problemas com os atores: escolhido especialmente após a recusa de Steve McQueen, Harvey Keitel desagradava Coppola. Substituiu-o por Martin Sheen, que sofreu um enfarte em 1977 e teve de se ausentar por semanas. Quanto a Marlon Brando, chegou sem ter se preparado.

     


    As condições climáticas também foram difíceis. No fim de maio de 1976, o tufão Olga destruiu o cenário e o material, parando a produção por seis semanas. A isso se somaram os surtos paranoicos de Coppola, sob os efeitos de drogas, que teve de hipotecar seus bens para financiar o filme. O orçamento, inicialmente de US$ 13 milhões, passou para US$ 30 milhões, levando-o à beira da ruína. “Sejamos honestos. Eu estava com medo”, confessou o cineasta no Festival de Tribeca. “Mas se você quer fazer arte, é preciso aceitar o risco.”

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