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    21/08/2019 10h47 - Atualizado em 21/08/2019

    Dia a Dia: Preservando a memória

    Sebastião Wenceslau Borges - Especial para a Folha

    Brincar é uma das coisas mais importantes que uma criança pode fazer. Dia dos Pais, reuniram-se em casa meus sete netos. E entre tantas brincadeiras deles juntos na casinha da horta, me juntei a eles, e comecei a falar dos brinquedos e brincadeiras de minha infância, e como era ser criança antigamente, tudo contado de um jeito cômico e que fez com que meus netos dessem gostosas gargalhadas!

     


     A meninada vivia solta pelas ruas e quintais, descalços, procurando algumas aventuras, muitos com panos enrolados no dedão do pé, consequência de tropicões ou talho de caco de vidro, alguns com lenço amarrado na cara por causa de dor de dente. Fazíamos do cabo de vassoura um cavalo de pau. Tirávamos as gominhas das botinas velhas, e delas, com um pedaço de cuia, estava pronta uma violinha.

     

    Das penas de galinhas fazíamos as petecas, e as galinhadas coitadas, cantavam e botavam ovo sem as penas do rabo! De sabugo a meninada fazia seus carrinhos de boi. Cada menino tinha seu estilingue para mostrar sua pontaria, sua piorra feita de carretel de linha, o pião para as disputas, e no bolso sempre havia muitas bolinhas de gude para jogar na ganha ou na toca. Tocado por um gancho, rodavam pelas ruas um arco de ferro, e brincavam com o cata-vento feito de pauzinhos com bandeirinhas de jornal pregado com grude.

     

    Os jogos de bola (rachinhas) eram improvisados nas ruas poeirentas, a bola era de pano, feita de meia velha, ou de uma bexiga de porco, (havia muita matança de porcos) e aí dava um futebol animado e as brigas eram comuns! A meninada esganada comia quase de tudo que vissem! Em tempo de laranjas e mexericas, de longe sentiam o cheiro, descascavam as laranjas com as unhas, davam espirros e os olhos avermelhavam com o sumo, e sempre trocávamos gomos para sentir qual laranja era mais doce.

     

    Tempo de manga, a meninada trazia na cara um amarelão, chupava manga o dia todo, batia a manga até ficar macia, mordia na ponta, corria a mão de baixo pra cima e dava gostosas chupadas! Faziam coleção de grilos preso em caixa de fósforos, e nas noites escuras pegavam vagalumes, alguns meninos mais espertos conseguiam prender cigarra e ficavam a escutar seu chiado de dentro da caixa de fósforos. Armavam arapucas no fundo do quintal, para pegar rolinhas, as ariscas juritis, e à noite, entre os muitos brinquedos, o pique esconde e o pique pega, eram os preferidos: ficava um no pique e os outros se escondiam, o primeiro a ser descoberto e pego ficava no lugar daquele que o descobriu.

     

    Tinha também a hora de contar histórias e fazer perguntas: todos ficavam sentados e, cada um contava uma história, eram as mesmas de sempre, repetidas e as perguntas de sempre: “o que passa ná água e não molha, o que é, o que é, uma caixinha de bão querê, num a carapina que possa fazer, sempre tinha algum engraçadinho que vinha com essa: eu vinha trazendo lá de casa pro oceis uma vasilha cheia de doce, mas acabei escorregando na pinguela e caiu tudo dentro dágua...

     


    Aí ouvi uma voz feminina: Era uma de minhas netas a perguntar: “Vô Tião, e as brincadeiras das meninas, como eram?” As brincadeiras preferidas das meninas eram de bonecas, a maioria feitas de panos pelas mães e tinham seus nomes, ou as brincadeiras de casinha: faziam as casinhas debaixo de mangueiras nos fundos dos grandes quintais, improvisavam um fogãozinho, prateleiras com algumas latinhas, faziam visitas e chamavam de comadres umas as outras.

     

     

    No cair da noite os brinquedos das meninas eram de rodas e suas cantigas: “ A moda da carranquinha/ É uma moda estrangolada/ Que põe os joelhos em terra/ Faz a gente ficar pasmada”. “Ciranda, cirandinha/ Vamos todos cirandar/ Vamos dar a meia volta/ Volta e meia vamos dar.” “O anel que tu me deste/ Era vidro e se quebrou/ O amor que tu me tinhas/ Era pouco e se acabou,” E para encerrar as brincadeiras cantavam: “Mariquinha sacode a saia/ Mariquinha levanta os braços/ Mariquinha tem dó de mim/ Mariquinha me dá um abraço.”

     

     

    Se abraçavam, despediam e cada uma ia para suas casas, pensando nas brincadeiras do outro dia neste mundo de brinquedos simples, mas saudosos da infância tanto de meninos como das meninas.
    Enfim, sempre estou a relembrar principalmente para os meus netos, falando dos brinquedos de minha infância, e como era ser criança antigamente de uma maneira simples e divertida que ainda minha memória me permite!
    É o tempo passando e a gente “Memoriando!”  

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