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    20/08/2019 11h10 - Atualizado em 20/08/2019

    Dia a Dia: O caminho para a verdade

    Décio Martins Cançado - Especial para a Folha
    A chuva que caía há dias parou finalmente aquela tarde. Um suspiro de alívio percorreu a turma toda. Os garotos sabiam agora que o jogo de futebol, ansiosamente esperado, poderia acontecer e já não seria cancelado por causa do mau tempo.
     

    — Bom, às três horas no campo, mas em ponto! — diz Matias para Ricardo, ao irem juntos para casa no final das aulas.
     

    Ricardo abana a cabeça e murmura algo incompreensível, como toda vez que Matias chutava as pedras do caminho, como se marcasse gols. Tenta acertar num tronco, numa pedra, ou na folha de um ramo. Ricardo já não suportava mais esta mania.É que Matias tem tudo, menos boa pontaria.
     
     
    Suas brincadeiras já tinham causado muitos aborrecimentos, mas ele achava que era precisamente por isso que devia treinar mais. Como se chutar pedras fosse melhorar sua habilidade de atleta! Ricardo não tinha acabado de pensar e já se ouviu o barulho de vidros quebrados: a última pedra tinha voado direto à janela da casa do Sr. Gilberto. Ricardo ficou olhando o amigo, petrificado! - “O melhor agora é fugir”! — ouviu Matias dizer. E, com um grande salto, o autor da diabrura desapareceu, corrrendo rua abaixo.
     

    Ricardo ainda estava olhando o amigo fujão, confuso, quando sentiu que alguém o agarrava pela gola e o puxava com força. À sua frente, furioso, estava o senhor Gilberto.
     

     – “Até que enfim te peguei, rapazinho! Vou te levar ao teu pai, e você vai ver o que vai te acontecer”!
    Às três horas em ponto, Matias apareceu no campo, mas, por mais que procurasse Ricardo, não o encontrou. “Afinal, sempre o pegaram”, pensou: “e, ou ele assumiu a culpa, ou não o deixaram falar. Já não é a primeira vez. O pai dele é muito severo.”
     

    Matias ficou em pé, na arquibancada, olhando para o campo vazio. Combinavam encontrar-se sempre uma hora antes, para arranjarem um bom lugar. De repente, ele ficou preocupado. Pensava no vidro da janela, em Ricardo, e o peso de consciência o atormentava. Devagar e de cabeça baixa encaminhou-se, hesitante, para a casa de Ricardo.
     

    Foi o pai do amigo que abriu a porta. Nervoso como estava, nem sequer deixou Matias falar, dizendo-lhe asperamente: - “É inútil, rapaz! O Ricardo está no quarto, de castigo, fazendo os trabalhos de casa… Ele que te conte tudo na segunda-feira, na escola”. — e foi para dentro, fechando a porta com força.
     

    Matias voltou a tocar à campainha insistentemente e, desesperado, acabou batendo à porta com força. Não podia aceitar uma injustiça daquelas. Mas ninguém se mexeu dentro da casa. Os pensamentos se atropelavam em sua cabeça. “Muito bem, então vou contar-lhe a verdade pelo telefone. Mas, e se ele também não me atender pelo telefone?”
     

    De repente, Matias teve uma ideia e correu para sua casa. A mãe ainda não tinha regressado do trabalho. Procurou papel de carta e um envelope, escreveu depressa umas linhas e levou a carta ao correio. Mostrou o dinheiro que lhe sobrava da mesada e perguntou: - “Dá para mandar uma carta urgente, aqui para a cidade”? – “Dá e sobra, rapaz”. – “E a carta é entregue agora mesmo”? O funcionário olhou-o, sorrindo, e respondeu: - “Onde é o incendio? Não se preocupe! você está com sorte. A carta pode chegar ao destino em meia-hora. Ex-cepcio-nal-mente”! Matias entregou a carta, feliz.
     

    Meia hora mais tarde, o pai de Ricardo abru o envelope e, admirado, leu: “Caro Sr. Silva: Venho, por meio desta, dizer-lhe, com humildade, que a verdade, afinal, chegou. Fui eu que quebrei o vidro da janela e vou pagá-lo com a minha próxima mesada. Espero pela resposta em frente à sua casa. Com os meus cumprimentos, Matias.
     

    A resposta que o pai de Ricardo mandou pesava quase 40 kg, e vinha dando gargalhadas. O pai tinha mandado o próprio Ricardo que, assim que viu o amigo sentado à porta, disse: - “Matias, você é o maior maluco do mundo! O que você fez… bem, nunca vou esquecer”. – “Ora...” - resmungou Matias – “pare de falar senão vamos perder também a segunda parte do jogo”. E sairam abraçados, conversando animadamente.

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