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    15/08/2019 11h53 - Atualizado em 15/08/2019

    Opinião: Eternas reflexões sobre o jornalismo

    Parece que estamos assistindo a um filme que costuma se repetir de tempos em tempos.

    As controvérsias entre os poderes e o jornalismo sempre voltam a acontecer quando aqueles que assumem seus postos passam a interpretar as críticas da imprensa como atos de inimigos que almejam lhes apear dos cargos.

     Agora é a vez de Bolsonaro exibir suas armas.

    Recentemente, ele assinou uma Medida Provisória que tem o potencial de enfraquecer financeiramente muitos jornais do interior do Brasil, ao dispor que as empresas de capital aberto ficam dispensadas de publicar suas demonstrações financeiras em jornais de grande circulação. Será suficiente a publicação no site da CVM (Comissão de Valores Mobiliários).

    Independentemente de considerações sobre a utilidade do ato, cumpre dizer que suas explicações de Bolsonaro para tal foram de que estaria retribuindo o tratamento que recebera da mídia no período eleitoral. “Fui eleito sem televisão, sem tempo de partido, sem recursos, com quase toda a mídia esculachando a gente...retribuí parte daquilo com que grande parte da mídia me atacou...”

    Uma vez analisado o âmago de suas palavras, percebe-se o rancor embutido na decisão. O que o motiva é retribuir supostas ofensas. Não lhe importa se a medida possui importância.

    Atos dessa natureza me trazem à baila um texto cá publicado em 2010 em razão da pertinência do tema. Os fantasmas que ocupam as mentes de muitos mandatários continuam em alta.

    A mídia que toca em eventuais feridas dos governos é vista como adversário a ser abatido.

    A republicação dos principais parágrafos daquele texto, com alterações mínimas, torna-se, pois, válida para enfatizar o que penso sobre o autêntico jornalismo. 

    Embora sob circunstâncias diversas, a essência das atitudes avessas à liberdade de expressão que veicule críticas aos detentores do poder é a mesma. São condutas que merecem reparos, seja quem for que assim aja.

    História e memória, memória e história. Uma não sobrevive sem a outra.

    À releitura: 

    Reitere-se que a sociedade e o Estado democráticos não podem jamais prescindir do trabalho crítico, informativo e investigativo realizado pelo verdadeiro jornalismo. 

    Não importa quem seja ou venha a ser o governante do Brasil.

    O fato é que a atuação da imprensa nos meandros da administração pública é indispensável para que as ladroeiras perpetradas contra os orçamentos e outros atos obscuros venham à tona. 

    Infelizmente, Lula pensa de modo diferente.

    Em cada um de seus inflamados discursos, sobram ataques à imprensa, como se esta o estivesse perseguindo há tempos, por não admitir, segundo suas palavras, que um ex-torneiro mecânico, ex-retirante nordestino e sem formação acadêmica realize a obra redentora do povo brasileiro. 

    São preocupantes, sim, declarações desse viés.

    Há pouco, foi o camarada Zé Dirceu, político cassado e apeado do poder por atos de corrupção, que, em palestra a sindicalistas, alegou que a mídia goza de liberdade em excesso. 

    Ora, nem o fato de vivermos sob trovoadas de desvios e roubalheiras poderia ser mais danoso do que a falta de liberdade. 

    Imagine-se um jornalismo à mercê de órgãos estatais que viessem a lhe dizer o que pode ou não ser publicado.

    Assim fosse, qualquer aspecto que desabonasse as cúpulas governistas estaria impedido de vir ao conhecimento público. 

    Teríamos, em consequência, situações injustas e insuportáveis para quem preza as liberdades democráticas.

    Aqui mesmo, na América Latina, vêm ocorrendo atitudes ditatoriais contra veículos de comunicação praticadas pelo caudilho Hugo Chávez, na Venezuela, e por Cristina Kirchnner, mais recentemente, na Argentina.

    Ao que tudo indica, o ideal de Lula e, sobretudo, do PT, este quando elabora seus projetos de poder, é, logo que possível, exercer um papel controlador sobre o que as grandes empresas de comunicação do Brasil venham a noticiar. 

    Sabedores, todavia, de que se trata de caminho mais do que árduo, talvez somente esperem o momento certo para dar o bote. Há pouco, o PT projetou um tal Programa Nacional de Direitos Humanos (PNDH), em sua 3ª versão, no qual havia prescrições controladoras sobre a imprensa. 

    Ao jornalismo (com J maiúsculo) cabe prosseguir sua toada, não esmorecer jamais e colocar os dedos nas feridas. Caso contrário, obterão fortes alicerces os pensamentos de Lula, Zé Dirceu e de membros da cúpula petista.

    E só nos restará o retrocesso. 

    Que tais considerações sejam válidas para todos os municípios do Brasil, que também devem contar com a independência do jornalismo em nome do interesse público.

    ALBERTO CALIXTO MATTAR FILHO escreve quinzenalmente às quintas nesta coluna 


    AO JORNALISMO CABE PROSSEGUIR SUA TOADA, NÃO ESMORECER JAMAIS
     

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