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    13/08/2019 11h38 - Atualizado em 13/08/2019

    Opinião: A ciência e as espiritualidades

    Marcelo Gleiser, cientista, professor e físico brasileiro de muito sucesso aqui e lá no exterior, autor de vários livros abordando temas dos mais variados assuntos, das ciências, da física, astronomia a conceitos filosóficos e até espirituais pelo prisma de sua área de atuação. Um cientista geralmente é visto como alheio a ver ciência e espiritualidade como aliadas. Não é o caso do Marcelo Gleiser. E por esta razão o brasileiro Marcelo Gleiser tornou-se o vencedor do Prêmio Templeton 2019. Prêmio este, tão importante como o Nobel da Paz, outorgado a personalidades de grande influência internacional, que de certa forma contribuem para levar ou elevar o nível da espiritualidade humana independente dos aspectos meramente ou somente religiosos. Só para se ter uma idéia da importância do prêmio Templeton, eis alguns de seus laureados, tanto lideres religiosos importantes como a Madre Tereza de Calcutá e o Dalai Lama, o escritor russo dissidente Alexander Soljenintsin e vários cientistas e políticos. Tal tema tem tomado a atenção do grande público e de toda a mídia e eu não vou ficar de fora.
    Então, vamos ao fascinante tema. Espiritualidade apesar de muitos pensarem ser um fenômeno emanado das religiões, até porque passou a ser monopolizado por elas, em um dado momento da história, na verdade, surgiu espontaneamente na relação do ser humano com a natureza ao seu redor. Ou seja, por mais que ciência e a espiritualidade religiosa tenham lá profundas diferenças e até discrepâncias quando se deparam em suas respectivas áreas de atuação, no entanto é possível a boa convivência entre as partes. E mais, a espiritualidade é algo que transcende a natureza pura e simples da existência humana por causa de um simples detalhe. O ser humano é criador de culturas. E não se cria cultura sem a capacidade espiritual, aqui, espiritualidade no sentido amplo daquilo que transcende da realidade existencial do mundo bruto do “Struggle for Life” da tese evolucionista de Charles Darwin. O ser humano é um animal que faz perguntas e que busca respostas, e o espiritual se move sempre no trajeto entre as perguntas e as respostas. Quando o primeiro humano fez a primeira pergunta para saber ou entender algo de si mesmo ou da natureza, sem querer, ele deu inicio ao processo da cultura humana e a tudo que vem junto com este processo cultural, tanto nos aspectos materiais, sociais, quanto espirituais em constante evolução e revolução. E a partir de então, o processo cultural ensejou ou propiciou a dualidade entre o pensamento e a ação. Daí, que somos resultado do embate desta dualidade, que através do tempo se transformou em contradição geradora de conflitos, mas que por sua vez, se tornou a mola propulsora do desenvolvimento humano. À primeira vista, um paradoxo, mas sobre o qual nos possibilitou criar a arte e a ciência, o fazer, e ao mesmo tempo a contemplação o filosofar, que nos permite o pensar, o imaginar, o fantasiar e até visualizar utopias que são as últimas instâncias da espiritualidade.
    Na direção contemplativa, a espiritualidade tomou uma dimensão complexa ao desenvolver no ser humano capacidades múltiplas de se abstrair da realidade para buscar entender a realidade. Entre estas capacidades surge em primeiro plano a religião, sim, a religião surgiu do esforço humano para apresentar as respostas às primeiras indagações humanas sobre o desconhecido, o mistério e o incompreensível. Pelos sete primeiros milênios das civilizações, a religião encampou com exclusividade não somente esta responsabilidade de explicar tudo, mas também de apresentar suas respostas como verdades eternas e imutáveis. Daí, não tinha como evitar o surgimento do contraditório, o avesso do avesso. E a partir do século IV a.C, na Grécia, outras capacidades surgiram para ampliar o conhecimento das coisas e também das questões mais instigantes - quem somos de onde viemos e para onde estamos indo!

    A filosofia e a ciência como métodos de conhecimento não surgiram como contraponto da transcendência espiritual religiosa.

    Durante muitos séculos tanto a ciência como a filosofia foram consideradas por muitos pensadores católicos da Idade Média, como Tomás de Aquino (1225-1274), como “servas da teologia”.

    Este domínio, no entanto, tinha data de validade, com uma ruptura anunciada, e veio acontecer aí por volta dos séculos XV ao XVIII da nossa era, com o Renascimento científico e o Iluminismo humanista.

    Sem dúvida que desde então, aflorou a plena liberdade de escolha para os humanos sobre que espiritualidade abraçar, sentir ou expressar. 

    No entanto, a ruptura entre ciência e religião deixou avançar a cisão explicitando que a primeira é racional e lógica e a segunda é transcendental e metafísica, portanto, sem chances de união ou acordo para explicar o mundo e as coisas.

    Mas, é importante lembrar que quem lida tanto com o racional quanto com o transcendental são os seres humanos, portanto, a estes cabem buscar a concórdia, sem precisar abrir mão de seus princípios, até porque são nas controvérsias que novas verdades aparecem.

    Eu acho, sintetizando, que é isto que Marcelo Gleiser defende. E eu também, modestamente, claro!

    ESDRAS AZARIAS DE CAMPOS é Professor de História 

    SÃO NAS CONTROVÉRSIAS QUE NOVAS VERDADES APARECEM 

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