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    13/08/2019 08h27 - Atualizado em 13/08/2019

    Como driblar multidões em Veneza

    Há maneiras de se encantar com a cidade dos canais sem contribuir para o turismo predatório que vem irritando moradores - e mesmo os próprios turistas

    Sereníssima. Assim era chamada Veneza, na Itália, em seus tempos áureos de república, do século 9.º ao 18. Visto de longe, o principal núcleo urbano daquele arquipélago de 118 ilhas, conectado por charmosas 391 pontes sobre 150 canais, era sinônimo de paz.

     

    A tranquilidade dos remadores que transportavam, em pé nas gôndolas, a população pela grande Lagoa de Veneza sempre foi, desde que elas surgiram no século 11, um retrato convidativo da cidade serena.

     

    Quem desembarca na alta temporada do verão europeu na Veneza do século 21 e tenta cruzar a Ponte Rialto, uma das atrações arquitetônicas favoritas da capital da região do Vêneto, ganha uma impressão bem distinta daquela visão calma que a cidade transparecia até o século 18, quando o turismo começou a se desenvolver ali. “Agitadíssima” poderia ser um adjetivo mais adequado para a Veneza de hoje – ao menos de dia.

     


    Nos horários de pico, quase não sobra um metro livre na famosa ponte branca do século 16, a mais antiga das passarelas sobre o Grande Canal, grande via de tráfego aquático local. É tanta gente de fora se acotovelando para tirar selfie, especialmente nos períodos em que navios de cruzeiros despejam milhares de turistas de um dia, que fica difícil achar graça no passeio. Veneza se tornou a principal vítima do chamado overturismo.

     

    É justamente pelo impacto que tem sofrido em razão das excursões em massa que Veneza virou manchete. Em uma manhã de domingo de junho passado, o navio MSC Opera, com 13 andares e 80 metros de comprimento, perdeu o controle e bateu na doca e em um barco turístico do Canal de Giudecca. Em julho, foi a vez de os jornais internacionais repercutirem a multa de 950 euros (cerca de R$ 4 mil) que um casal de turistas alemães levou, antes de ser expulso da cidade, por ter sentado na escadaria da Ponte Rialto para preparar seu café da manhã.

     


    Revoltados com a imagem sempre impactante de navios modernos gigantescos – são 502 por ano – beirando a beleza delicada de pequenos palacetes seculares, grupos de moradores têm repetido protestos em campanhas como a Não aos Grandes Navios, pedindo o fim das embarcações de cruzeiro na Lagoa de Veneza. As reações das autoridades, como a multa para quem fere o “decoro” da cidade – caso dos jovens da Alemanha – ainda não se mostraram eficientes para acalmar o ânimo dos residentes, que volta e meia penduram placas como “turistas não são bem-vindos, vão embora!”.

     

    Mais viajantes, menos residentes

    Com tanta gente disputando o mesmo espaço na Veneza que todos amamos, ninguém está satisfeito: nem a multidão de até 100 mil visitantes que chega só para passar o dia e muito menos os 52 mil habitantes do Centro Histórico, núcleo urbano formado pelos seis sestieri (bairros) principais: San Marco, San Polo, Santa Croce, Dorsoduro, Castello e Cannaregio.

     

    O desequilíbrio está na presença maior de viajantes do que de moradores. Um pequeno letreiro digital na vitrine da Farmácia Morelli, nos arredores da belíssima – e por isso mesmo superturística – Praça San Marco mostra que a população era de cerca de 170 mil pessoas em 1950. “Quanto mais visitantes chegam, mais habitantes saem”, lamentou o proprietário Dr. Nicolò Morelli.

     

    Mas se a população era 3 vezes maior há 70 anos, por que o incômodo com as multidões agora? Veneza perde mil habitantes por ano porque eles estão insatisfeitos com os serviços que já não priorizam suas necessidades e porque os preços são inflacionados com foco nos turistas. São 27 milhões de visitantes a cada ano, o que excede em quase 6 vezes os 5 milhões anuais que o Brasil inteiro recebe. E falta emprego, especialmente fora do turismo, responsável por 97% da economia local.

     

    “O turismo não pode ser uma monocultura, a única economia da cidade”, disse Dario Bertocchi, um dos autores do livro Overturismo: Excessos, Descontentamentos e Medidas em Viagem e Turismo, coletânea de textos científicos lançada pela editora inglesa Cabi em junho (ainda sem versão em português).

     

    Quem conhece, cuida

    Assim como os estudiosos, todo mundo em Veneza discute o problema. Em 2018, o prefeito Luigi Brugnaro testou a solução de instalar portões para separar moradores de turistas, no acesso a determinados lugares, e foi acusado de segregação. Ao anunciar que cobrará, a partir de janeiro de 2020, uma taxa diária dos visitantes de um dia (já existe outra tarifa para quem pernoita), foi criticado por fazer Veneza parecer uma espécie de Disneylândia.

     

    “Criamos a campanha de conscientização #EnjoyRespectVenezia e contratamos 9 mil ‘guardiões’ para tentar educar os turistas”, disse Paola Mar, Conselheira de Turismo da prefeitura. “O caminho está em cuidar da cidade como um lugar para morar, e não apenas como um destino turístico”, defendeu Francesco Visentin, colega de Bertocchi no Departamento de Economia da Universidade Ca’ Foscari de Veneza, que assina o mesmo artigo.

     

    Ele acredita que é preciso harmonia entre as experiências de forasteiros e anfitriões. “Veneza já não é dos venezianos, é um patrimônio de toda a humanidade e precisa ser cuidada por quem mora e quem visita”.

     

    Ainda não há uma solução definitiva – e deixar de visitar a cidade tampouco parece uma boa opção. Mas dá, sim, para tentar fazer um turismo menos predatório.

     

    Os mais concorridos

    Praça de São Marcos 

    O coração da Veneza mais turística abriga ao seu redor os principais ícones da cidade: a Basílica de São Marcos, o Campanário, a Torre do Relógio. Se a muvuca é inevitável, dá para curtir tudo um pouco melhor fugindo das piores épocas, como julho e agosto. E preferindo o início da manhã ou a noite, quando muitos turistas já foram embora.

     

    Palácio Ducal

    A monumental construção em estilo gótico, concluída em 1424, foi a antiga morada do Doge, magistrado que governava Veneza. Há muito a se admirar ali, dos mosaicos da fachada aos afrescos e obras de arte de seu interior, assinados por mestres como Tintoretto e Ticiano. Ingressos: 14 euros (R$ 58).

     

    Coleção Peggy Guggenheim 

    Um dos museus mais importantes da Itália, reúne arte moderna europeia e americana da primeira metade do século 20. À beira do Grande Canal, o Palácio Venier dei Leoni abriga obras de notáveis como Dalí, Picasso, Miró, Mondrian, Chagall e Magritte, além de mostras temporárias. O ingresso online (16,50 euros ou R$ 68) é 10% mais caro, mas não tem fila.

     

    Ponte dos Suspiros

    O nome pode até sugerir certo romantismo, mas a história dessa passarela nada tem a ver com namorados apaixonados. Ela conectava as antigas prisões da cidade com o Palácio Ducal, onde os inquisidores eram julgados; no caminho de volta, já condenados, os presos suspiravam. Hoje, é uma das atrações mais fotografadas de Veneza.
     

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