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    29/07/2019 08h29 - Atualizado em 29/07/2019

    Toninho Horta e Petrônio Gonçalves

    "Festival de teatro aberto a todas as artes é muito interessante"

    Adriana Dias (Colaboraram Paulo Mozer e Valter Junior) - Da Redação

    Antônio Maurício Horta de Melo, ou simplesmente Toninho Horta é compositor, arranjador, produtor musical e guitarrista brasileiro, um dos membros fundadores do Clube da Esquina esteve em Passos pela primeira vez para o 3º Festival Nacional de Teatro de Passos no Sarau de Música e Poesia, em parceria com o poeta Petrônio Souza Gonçalves, quando recebeu a reportagem do Entre Prosas para esta Entre Poesias. Horta tem música em seu DNA, sua família toda tem um histórico musical, com um avô maestro e compositor, mãe bandolinista, um pai que tocava violão e um irmão mais velho, Paulo Horta, contrabaixista profissional e um de seus grandes incentivadores. Com apenas 14 anos, Toninho Horta já estava na estrada da música e foi músico profissional ainda muito jovem. Aos 22 já estava ao lado de famosos como Elis Regina. Agora, aos 70 anos, além de seu novo trabalho musical com a Orquestra Fantasma, o álbum duplo Belo Horizonte. Petrônio Souza Gonçalves lançou o livro “Braço de rio, pedaço de mar” e fez durante o sarau a leitura de alguns poemas.

    Folha da Manhã – Petrônio, conte o seu início, o meio nós estamos vendo, e que fim que vai levar. Onde vai desaguar este rio?

    Petrônio Gonçalves - Eu sou de uma família interiorana, uma família sem parentes importantes e vinda do interior. Mas com uma formação, que era uma formação da família interiorana, que é de muita música, muita literatura, muita participação de rua. Esse é meu cenário, aquela família mineira que não existe mais nesse viés. Nasci em Belo Oriente e atualmente moro em Belo Horizonte. Então naquela cidadezinha a gente conviveu com esse cenário, que era o cenário de Minas. Toda casa tinha o seu violão, toda família tinha a sua tia declamadora. A formação cultural mineira era fortíssima, não era uma formação qualquer. Era uma formação que proporcionou a gente ter aí quantos presidente da república, né!? Isso predominou em Minas durante um bom tempo. Cada uma com a sua história. A Minas mineradora com seus aventureiros, Juscelino. A Minas conservadora, das grandes fazendas, com seus políticos, Magalhães Pinto. São cenários diferentes de uma mesma história de uma cultura muito forte, de uma presença muito forte da igreja também. A participação, as coisas de Três Pontas aqui, próximo, Toninho Horta, com os cânticos que vem fazer, o que é o clube da esquina. Que o Toninho vai falar muito melhor do que eu. E a música sacra, dos negros, com o Milton Nascimento; a formação erudita com o Wagner Tiso; Jazz com Toninho Horta; e o Pop Rock, e o Rock Inglês;

    FM - E você cresceu ouvindo essa galera?
    Petrônio - Cresci ouvindo. Cresci nessa formação, que é a formação mineira, da minha geração, a segunda do Clube da Esquina, de ouvintes.
    Toninho Horta - A terceira geração já é o João Vitor Junqueira e os outros dois Joãos, que abriu nosso espetáculo no Festival Nacional de Teatro de Passos.
    Petrônio - A segunda geração do clube da esquina, que mais uma vez predominou muito em Minas Gerais. Aquela música essencialmente mineira. E aí, a gente vai olhar pelo lado da literatura, Carlos Drummond de Andrade, simplesmente aquela suntuosidade; Aquela poesia que todos nós vendemos. Aquela cena do Tom Jobim se ajoelhando aos pés dele para beijar, ele segurando o Tom Jobim, tem a cena folclórica. Depois João Guimarães Rosa, daí depois eu vou descobrir Augusto dos Anjos, paraibano que veio morrer em Minas Gerais. Na minha avaliação o maior poeta da língua portuguesa, não só o maior poeta brasileiro, o maior da língua portuguesa, falecido precocemente aos 30 anos. Então nessa história toda da minha formação literária eu passo por esse cenário todo, não saio de Minas Gerais.

    FM - E Minas Gerais também não vai sair de você. Você estudou, ou é autodidata?
    Petrônio – Minha formação é em Jornalismo. Pela afeição das letras, e já fazendo muitas matérias. Hoje eu tenho uma assessoria de imprensa. Assessoria de imprensa das Associações das Cidades Históricas de Minas Gerais. Então sempre nesse viés. E culminou do meu segundo livro de poemas, terceiro livro, porque eu faço o terceiro livro em 2015, e em 2016 lanço a biografia do José Batista de Oliveira, que foi o primeiro secretário do estado de cultura de Minas Gerais, o primeiro ministro do Brasil. Então da maior importância, tudo dentro desse cenário. Com o meu terceiro livro, o segundo de poemas; o primeiro é contos, o segundo poesias e o terceiro poemas, uma biografia, e esse agora o quinto, eu encontro o Toninho Horta, a gente vai fazer um lançamento de livro conjunto em Varginha, espontaneamente, a mão de Deus, nos colocou junto em um palco, que tinha um violão do lado…

    FM – E aí nascem os saraus? Que em Passos foi a terceira edição?
    Petrônio - No encerramento do nosso evento, daquela noite literária, teria um músico da noite, convidado, para encerrar. Aí o Toninho falou: “Esse violão tá aqui, vou tocar”. Nasceu, isso em 2015.. No dia 24 de outubro a gente faz o primeiro sarau oficial, em Belo Horizonte, no Sesc. Ali engrenou e já foi uma sequência. Nós já nos conhecíamos, mas à distância. Ele nem conhecia meu trabalho literário, talvez o de jornalista porque tinha matérias publicadas. Ali já entra em uma sequência, a gente faz o sarau em Belo Horizonte e depois em São Paulo, que foi com o Chico Caruso e Paulo Caruso. Foi uma noite mágica, no Pasquim.

    FM – Passos é uma cidade que sempre foi ligada à cultura, a gente tem expoentes nacionais que nasceram aqui. Gente que leva o nome de Passos pra cultura nacional. Ficou amortecida um tempo a coisa dos festivais, das mostras, então eu quero que você fale sobre a importância das cidades pequenas irem na contramão do que está sendo imposto em acabar com a cultura.
    Toninho Horta - Eu estou muito feliz em participar de um festival desses. É um festival de teatro, mas é aberto a outras propostas como literatura, música, e isso é muito interessante a gente fazer esse intercâmbio, com o pessoal, inclusive, das novas gerações que estão distantes um pouco do que é a música brasileira dos movimentos antigos, como foi o Clube da Esquina. Os mais jovens conhecem a música de uns vinte anos pra cá.

    FM – Esta é sua primeira vez em Passos?
    Toninho: Eu cantei, há muitos anos atrás, em Guaxupé e Formiga, e eu lembro que passei por São Sebastião do Paraíso, acho que tinha um festival, mas isso há vinte, trinta anos atrás. Passos eu nunca tive a oportunidade de conhecer e fazer uma apresentação. Agora com o Sarau, com o Petrônio, é a primeira vez mesmo que eu estou vindo conhecer a cidade.

    FM – Para você, como é esse ‘casamento’ com a poesia e o sarau com Petrônio?
    Toninho - Foi natural, as coisas boas são assim, não planeja e da certa, a vibração está vibrando junto, e em um momento legal da gente estar lançando nossos produtos e tudo, a gente se juntou…

    M - Tem alguma música específica para esse novo projeto?
    Toninho - A gente tá até pensando em gravar um cd com os poemas dele, musicados, com algumas músicas de minha autoria que já são conhecidas, misturando com algumas composições novas, mas a gente ainda não fez. O nosso sarau é muito dinâmico, muito interativo com as pessoas, e muito aberto também. A gente não tem praticamente um roteiro juntos, até pra começar, quem vai começar, como vai introduzir, não tem isso não. Lá em Caxambu, o último que a gente fez, semana passada, estava tão frio que eu já cheguei no palco tentando agitar, pra poder mexer e aquecer. Aí eu já comecei a chamar ele de Toninho Horta, ele me chamou de Petrônio, aí quem não conhecia a gente, em determinado momento do sarau não sabia quem era quem. Foi muito bacana, tinha as pessoas que são artistas do local, que querem subir, interagir. Assim, não tem nenhuma música não. Ele, particularmente, o Petrônio, ele tem umas três músicas minhas que são conhecidas e ele gosta do ambiente delas, pro show. Como Igreja do Pilar, que é mais uma valsa mineira, mais dedilhada. Tem uma outra que é do Durango Kid, que é uma música representativa do meu trabalho, que o Milton gravou nos anos 70 ainda, que tem uma levada de pop assim bacana, e outra que é o Céu de Brasília, que é uma música cheia de notas altas, ele gosta mais dos climas, como eu posso também, dentro do que ele imaginar, fazer novas composições, dentro do clima que ele quer para os poemas que ele faz. Mas é muita liberdade, mesmo tocando as músicas antigas, eu começo de um jeito e termino do outro, tem dia que eu toco a música inteira, né Petrônio?
    Petrônio - Em Caxambu aconteceu uma coisa muito bonita, e quem sabe a gente não consegue recriar o clima, é que nós estávamos lá e eu contando a história que havia ouvido na semana anterior do Márcio Borges em relação ao Fernando Brant quanto a ‘Paisagem na Janela’, aí o Toninho falou como é que era e a plateia começou a cantar e ele foi acompanhando. Aquilo era de uma beleza, porque não tava ensaiada e foi…
    Toninho - Mas é muito assim, tudo muito sereno, espontâneo. E aqui em Passos foi lindo. Muita gente interagindo. Tivemos as presenças de pessoas no palco, magnífico. As vezes eu to empolgado de tocar a música inteira, quando tá um som legal, ai de repente a poesia dele é tão climática, emocional, que a gente sente que as pessoas reagem quando ele fala a ultima frase do poema, ai eu termino a música para acompanhar o clima. Então o sarau é livre, a gente não conta quantos poemas vão ser, quantas músicas vão ser, tem um tempo de uma hora, uma hora e quinze, ai vai depender se a gente está em um lugar com outros eventos e tem que ter um tempo limitado. Quando não tem a gente fica mais ou cumpre só a hora, as vezes a gente faz uma menor parte com poemas e canta mais músicas, ou tem outras que são mais poemas, mas gera em torno de uma hora, uma hora e quinze.
    Petrônio - O sarau que a gente fez no Clube da Esquina, eles tiveram que pedir pra gente parar, por que foi indo, foi indo, e o Márcio Borges participou cantando as canções, e foi indo. Então assim, humildemente a gente tá conseguindo fazer isso e está deixando um legado, onde a gente passa a gente convida as pessoas. Aconteceu em uma cidade específica, de um poeta, me parece que ele tinha algum...a cidade não tratava e depois que ele participou do sarau, ele se tornou outra pessoas, outro poeta, e até hoje ele nos é grato por isso. Então a gente vai deixando esse legado.
    Toninho - Esse sarau do Barros e o Clube da Esquina, claro que é um point, mas da uma média assim de 100 pessoas lotado, mas tinha tanta gente circulando que demorou umas três horas. Os convidados era gente que todo mundo gosta então o pessoal não queria sair do palco. Ai ele se olhavam, “que horas que a gente vamos voltar”, ai eu falei não espera ai, tinha um poeta que escreve as poesias no muro, o Antônio, amigo nosso, Evangelista, então a gente não tem ideia…

    FM – O que o despertou para fazer sarau?
    Toninho - É por que o sarau quando ele tinha uma conotação de ser uma reunião em casa, uma coisa bem particular talvez, “ah vou fazer um sarau”, era encontrar os amigos, tocar um violão, um vinho, uma cerveja, um bate-papo. E sarau como nome de evento mesmo para as pessoas participarem, até de forma gratuita, eles vão lá comprar os livros se puderem e se quiserem, mas eu acho que sarau antigamente era uma coisa mais intimista, agora o da gente é bem interativo. Inclusive o primeiro deles que fui convidado por eles, eles disseram “ah você está lançando um livro“,“ah eu to, to indo lá em Varginha”, “pega seu livro também vamos vender juntos”, peguei a carona dele e fui, chegando lá, o produtor deles que já me conhecia, já tinha me levado em um evento de música algum tempo atrás e sabe da representatividade do Clube da Esquina, já combinou com alguns músicos e quando eu cheguei lá era em um teatro e já tinha um piano com calda aberta, uma bateria, um sax, de repente eu perguntei “vai ter um som aqui?”. No final do nosso sarau, vieram os músicos da cidade sentados com os instrumentos, aí é claro que eu tive que tocar com eles.

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