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    22/07/2019 10h15 - Atualizado em 22/07/2019

    Opinião: Entre hambúrgueres e pizzas

    Por tudo que se vê nos horizontes dos grounds da República, brincadeira tem hora e limite. O tradicional simancol, há muito descoberto não se sabe por quem, não foi a tempo aviado e tampouco avaliado pelo presidente Bolsonaro ou membro do poder de qualquer instância ou juízo. 
     Indicar o filho Eduardo Bolsonaro, deputado federal (PSL) a embaixador em Washington, nos EUA, porque domina o inglês e espanhol, sabe fritar hambúrguer e dispõe de bom relacionamento com a família de Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, foge a qualquer princípio ético, moral e do bom senso. 
     Nem é caso de nepotismo puro e simples. Vai além. No centro de tudo o desvario. A embaixada do Brasil em Washington é ponto de referência e estratégia para os interesses nacionais. Estamos falando da casa oficial da mais importante nação do mundo, nosso segundo maior parceiro comercial, só abaixo da China. 
      Está certo que o posto é caráter político, ou seja, o aval e a indicação do presidente da República bastam. Mas, convenhamos. Está virando chacota nos meios oficiais de chancelaria. São historietas que vão de carochinhas, contos infantis, em meio a príncipes, princesas, sapos e carruagens, que sobem para os sopés das montanhas douradas de fogo, em noites de lua cheia.
    Haja saco e paciência. A menos que seja desvio de foco, o que não é de todo improvável. Explica-se.
    Bolsonaro tem seu lado bom. Vamos deixar as ideologias de lado. Toma posições rígidas com a toda-poderosa Rede Globo. Objetiva refrear com critério judicioso as verbas da Lei Rouanet, principal ferramenta de fomento à cultura do Brasil, que ajuda milhares de projetos culturais todos os anos, em tese até então só privilegiava famosos. Acabou com a farra do Horário de Verão. Relógio Biológico agradece. No paralelo do preço da carne, não tem como não admitir: a facada veio a calhar.
    O presidente cria situações até certo ponto amenas para buscar seus objetivos. Mas, alto lá! Devagar com o andor, na produção da obra, o santo continua de barro.
    Deixe o filho e seus hambúrgueres em paz. Demova-o dessa maluquice. Cada centímetro da embaixada em Washington, com belíssimos contornos arquitetônicos neoclássicos do século XX, a essa altura deve estar mexendo e remexendo em suas estruturas pedindo socorro, sem abalo sísmico de nenhuma escala, a não ser o disparate das hostes bolsonaristas.
    A expressão “right man in right place” (homem certo para o lugar certo) não cabe na postulação. Nem que a vaca tussa nesse paraíso de múltiplas e acentuadas barafundas. 
    Entre as qualificações exigidas, nem de longe passa pelo crivo e perfil de Eduardo Bolsonaro: a) representar o Brasil no concerto dos países estrangeiros; b) salvaguardar os interesses econômicos e outros do seu Estado perante outros países; c) estabelecer tratados entre o seu país de acolhimento; e, por último, d) promover a imagem do Brasil junto dos outros Estados. 
    Considerando que um embaixador é um diplomata de alta importância para representar o país nos interesses oficiais, estará mesmo o filho do presidente Jair Bolsonaro qualificado para ocupar o posto de embaixador do Brasil em Washington?
    Pergunta que se faz e não se pode calar. A resposta é tão óbvia quanto óbvia é a prática imoral do nepotismo que a muitos parece ficar no comum.
    Apenas uma explicação mais argumentativa, a fim de pôr fim a essa estultícia. O último embaixador do Brasil em Washington foi Sergio Amaral. Quem é o personagem? Vamos lá.
      “Formou-se em Direito pela Universidade de São Paulo, concluiu a pós-graduação em Ciência Política (DESS) na Universidade de Paris I (Pantheón-Sorbonne). Como diplomata serviu em Paris, Bonn, Genebra e Washington. Foi embaixador em Londres e Paris e professor assistente de Relações Internacionais da Universidade de Brasília”.
    Nada contra o deputado federal Eduardo Bolsonaro, ele que fala inglês, espanhol, sabe fritar hambúrgueres, tem visão de mundo e bom relacionamento com a família Trump. Mas, por si sós, não se nos parece razoável que se pretenda um cargo da magnitude de embaixador em Washington. A menos que...
    Notícia de última hora! De acordo com fontes da mais alta credibilidade no mundo da política, o presidente da República do Brasil, Jair Messias Bolsonaro, acaba de ampliar o currículo do filho Eduardo Bolsonaro: Eduardo Bolsonaro também já foi entregador de pizzas.
    Diante desse último fato, cartas estão sobre a mesa. A indicação agora precisa ser formalizada pelo presidente e depois aprovada pelo Senado para que o deputado possa ocupar o posto, sem embaixador desde a saída de Sergio Amaral, há três meses.
    Se o filho do presidente tivesse manifestado interesse na embaixada da Cochinchina [nome dado à região sul do atual Vietname, na Indochina], nem embaixada há por lá, possivelmente não estaria causando nenhum estardalhaço. Mas Washington?
    Num rememoriando – alusão ao grande historiador Sebastião Wenceslau Borges –, outra notícia chega via Repórter Esso, a ‘Testemunha Ocular da História’.
    Não obstante tenha citado uma pós-graduação em Economia como credencial para justificar sua indicação ao posto de embaixador do Brasil nos Estados, o deputado federal Eduardo Bolsonaro, meio constrangido e desajeitado, vem de público alegar que não concluiu o curso.
    E assim, entre brumas, lantejoulas e paetês, continua caminhando a humanidade. Eita Republiqueta!

    LUIZ GONZAGA FENELON NEGRINHO, advogado, com escritório em Formiga.

    DEIXE O FILHO E SEUS HAMBÚRGUERES EM PAZ. 

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