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    15/07/2019 13h11 - Atualizado em 15/07/2019

    Opinião: A angústia da perda

    Quando um amigo se vai, sentimos o mesmo de sempre: a dor da angústia. No tormento do indizível, o flagelo da alma.
      Angústia da perda, da separação. O de não poder mais ver, ter, conversar, abraçar, contatar – direta e indiretamente.
     Noutras situações, depois de separação conjuntural, como no impedimento da distância, por obrigações profissionais, casuais, quando nem mesmo dispomos da ligação íntima, algo inexplicável acontece, mesma maneira e intensidade. Mesmo assim não deixamos de passar pelo sentimento aflitivo da perda.
    Em palestra com Dr. Arlindo, analista de proa – de sombrios, estimulantes e inquietantes guardados – em pontualidade filosófica, falamos sobre a estreita ligação da perda de um ente querido com o trauma puro e simples.
    Mestre da psiquiatria e estudioso da congênere psicoterapia, Arlindo se desdobrou em conceitos, fundamentação e crivos de Sigmund Freud. A história, não à toa, registra Freud como o Pai da Psicanálise. E é de seus desdobramentos na área científica, o relato: “Toda perda gera trauma”.
    E por conta e risco, sem academicismo, completo: a angústia açoita o espirito.
    Quando entra o fenômeno da morte. Esse paradoxo da vida. Por mais que neguemos, a ela [morte] não só imputamos medo. Nutrimos pavor. Cada um a seu modo. No inevitável, sabemos: mais cedo ou mais tarde ela virá.
    Vida e morte se entrelaçam. Afinal, a morte nasce com a vida. Ou a vida com a morte? Lúgubre mistério. Quiçá para o além.
    Na semana retrasada a notícia. A morte de um velho conhecido de redação. Morrera de repente. Ataque fulminante do coração. O temido e conhecido infarto.
    Cinquenta e poucos anos. Na relatividade da região e atualidade dos tempos, novo ainda. Muito chão pela frente.
    Trabalhamos juntos no jornal. Ele na parte técnica, eu na elaboração de textos. Bons tempos. Sujeito calado, circunspecto. Dedicava-se ao trabalho como funcionário exemplar, sem dar conotação de melhor do que ninguém. Fazia o que lhe cabia, e bem. Sua figura alta e elegante assegurava ao espectador uma boa imagem.
    ´Paulão da Folha´ era como o chamávamos e era conhecido. Porte atlético, andar característico de ás do esporte. Não sei por que sempre o associei a um jogador de basquete ou vôlei. Nem sei se praticava.
    Com o correr do tempo, deixei de frequentar a redação – fiquei distante. Novos ares e rumos. Passara a enviar os textos por correio eletrônico.
    Dever de ofício, distância geográfica. Jornal passando por reformulações administrativas. Deixei de saber onde e como estava.
    Noite fresca de fim de junho, o comunicado por uma amiga jornalista: “Paulão da Folha morreu!”
    Após as perguntas de praxe ‘como, onde e de quê’, pus-me a pensar nele. Assim como em amigos e conhecidos que não mais pertencem ao mundo dos vivos.
    Quando o mistério da perda, por morte, surge e ataca novamente – e sempre. Amiúde, na inconveniência.
    E depois de tudo, personagens que um dia traduziram-se matéria e nos fizeram companhia de jornada, hoje se diluem em fragrância espiritual.
    Lembranças agridoces. Uma dor que não tem como explicar. E acaba por adentrar em composição de galerias, em que nelas se esvaem caudalosas lágrimas espirituais. Oceanos de saudade.
    Assim, estrada afora, vamos. Empurrando os carrinhos de um tempo que teima seguir adiante. No inexorável, à espera do aceno triunfal, que, mais dia menos dia, haverá de nos contemplar, sem que possamos ofertar qualquer modalidade de defesa ou resistência.
    Estaremos preparados? Essa pergunta é tão instigante na angústia da perda e da separação. Nessa hora, no dizer da rapaziada de agora, com vício de linguagem e tudo: ‘Bora lá!’

    LUIZ GONZAGA FENELON NEGRINHO, advogado, com escritório em Formiga, escreve aos domingos nesta coluna. 

    PERSONAGENS QUE NOS FIZERAM COMPANHIA, HOJE SE DILUEM EM FRAGRÂNCIA ESPIRITUAL 

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