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    09/07/2019 09h23 - Atualizado em 09/07/2019

    O triste fim de João Gilberto, a voz da bossa

    Despedida pública do músico foi na terça, 2, quando saiu para jantar; o velório de João foi realizado ontem, no Rio, no Theatro Municipal, e o enterro foi em Niterói, no Cemitério Parque da Colina

    Como se quisesse despedir-se mostrando uma vez mais que ninguém pode ter controle sobre sua imagem, João Gilberto saiu, poucos dias antes de morrer, de sua reclusão dos últimos anos e jantou em um restaurante carioca.
    O lendário músico, morto no sábado, 6, aos 88 anos, apareceu na terça-feira passada em um estabelecimento do Leme, em uma das extremidades da praia de Copacabana, junto a sua companheira Maria do Céu Harris e seu advogado Gustavo Carvalho Miranda, quem registrou as fotos do evento. Comeu mariscos, seu prato preferido, e bebeu um vinho português.
    No caminho de volta, “se lembrou de dois shows com jantares de gala, especialmente um em Nova York, depois de uma apresentação no Carnegie Hall, e outro na Itália. Ele também se lembrou de outro jantar depois de um show no Rio de Janeiro”, contou seu advogado ao jornal O Globo.
    Essa foi a “despedida” pública do homem cuja voz delicada cantando Garota de Ipanema segue cativando o mundo 60 anos depois de sua gravação. E foi provavelmente uma trégua na dureza dos últimos anos, agravada pela morte em dezembro de sua ex-exposa Miúcha, outro nome associado ao auge da música brasileira a partir do fim dos anos 1950, com quem Gilberto mantinha um contato telefônico assíduo, de acordo com a imprensa.
    Arruinado, adoecido e sozinho em uma casa emprestada no Rio de Janeiro, a tristeza que envolveu este artista em seus últimos anos parecia não ter fim, como reza a música de Tom Jobim e Vinicius de Moraes, os outros dois pais da Bossa Nova.
    Seus últimos anos foram marcados por um embate terrível entre seus dois filhos mais velhos – os músicos João Marcelo e Bebel Gilberto – e sua última ex-esposa, Claudia Faissol, uma jornalista quarenta anos mais jovem que ele e mãe de sua filha adolescente. Bebel – também musicista e filha de Miúcha e João Gilberto – e João Marcelo acusam Faissol de ter se aproveitado do lendário músico baiano.
    Desde o final de 2017, João Gilberto foi desqualificado judicialmente a pedido de Bebel, que assegurava que seu pai não tinha condições de cuidar nem de sua saúde, nem de suas finanças por sua fragilidade física e mental. Mas a trama não envolvia só dinheiro.
    “Em sua obsessão por controle, João Gilberto tinha a ambição de parar o mundo para exercer sua arte. Diante do microfone, o conseguiu. Fora do palco, foi o contrário: nunca teve controle sobre sua vida. Se acostumou a delegá-la a outros (...) mas a vida escreve seus próprios versos e, às vezes, desafina”, escreveu Ruy Castro, autor do livro sobre bossa nova Chega de Saudade, no jornal Folha de S. Paulo.
    Apesar da sua genialidade, ou exatamente por causa dela, João Gilberto nunca foi uma pessoa fácil.
    Seu perfeccionismo obsessivo e suas excentricidades – como sua reclusão de pijamas em casa ou sua fobia social (apenas entreabria a porta para receber diariamente comida de um restaurante) – o fizeram tão famoso quanto suas preciosas interpretações de Desafinado, Corcovado ou Chega de Saudade, muitas vezes em parceria com sua primeira esposa Astrud Gilberto.
    “Gilberto é como Michael Jackson ou Prince, um artista brilhante e raro, ainda que sua rareza se tenha aguçado até chegar a esta situação terrível de hoje em dia”, disse no ano passado à AFP Bernardo Araújo, crítico musical do O Globo.
    Se fosse possível determinar uma data em que se iniciou a queda de Gilberto, seria 2011. Neste ano, Claudia Faissol o convenceu a fazer um tour de shows para celebrar seus 80 anos, mas Gilberto acabou cancelando a agenda por problemas de saúde. O cantor havia recebido um milhão de reais adiantados e foi obrigado a devolvê-los.
    Em meio a um longo processo com sua primeira gravadora, sem CD desde 1989 e sem apresentação pública desde 2008, João Gilberto acabou vendendo 60% dos direitos sobre seus primeiros quatro álbuns para o banco Opportunity em 2013.
    Acusado de fazê-lo assinar contratos sem o seu pleno conhecimento, em meados de 2017 Faissol chamou os bombeiros para entrar no apartamento de Gilberto. Segundo seus filhos, sua ex-mulher queria levá-lo à força para a entrega de um prêmio nos Estados Unidos.
    Uma das últimas vezes em que os brasileiros viram João Gilberto foi em 2015, quando o cantor, muito magro, foi registrado em um vídeo caseiro. Estava de pijama e tocava, no seu violão, Garota de Ipanema, acompanhado de sua filhinha.
    O corpo do cantor e compositor João Gilberto será velado nesta segunda, 8, no Rio, a partir das 9h, no Theatro Municipal, em cerimônia aberta ao público. O enterro será em Niterói, no jazigo da família, no Cemitério Parque da Colina. 

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