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    27/06/2019 08h49 - Atualizado em 27/06/2019

    Ursa Rowena vira livro de Rita Lee

    Defensora dos animais, cantora Rita Leee lança livro infantil inspirado na triste história da ursa Rowena, que sofria com as más condições em que vivia, mas teve um final feliz

    Adriana Del Ré - Especial para a Folha

    Aposentada dos palcos há anos, Rita Lee tornou a defesa dos animais prioridade em sua vida. E um caso, em especial, a tocou: a trajetória de Marsha, a ursa mais triste do mundo. Nascida na gelada Sibéria, Marsha foi tirada de seu hábitat e passou duas décadas acompanhando um circo pelo Brasil. Depois, foi mandada para um zoológico na quente Teresina, no Piauí. Um ambiente nada apropriado para uma ursa que deveria morar em locais com temperaturas abaixo de zero. Ela vivia triste, fazia movimentos repetitivos. Isso até a ativista Luisa Mell liderar sua transferência para o Rancho dos Gnomos, santuário no interior de São Paulo, em 2018. Lá, a ursa foi rebatizada de Rowena e ganhou uma vida mais feliz.
    Rita acompanhou toda essa história. E ficou tão sensibilizada que se inspirou nela para escrever para crianças depois de emendar dois livros autobiográficos. Assim nasceu seu livro Amiga Ursa – Uma História Triste, Mas Com Final Feliz, com ilustrações de Guilherme Francini, lançado agora pela Editora Globo. Além da adorável ursa como protagonista, a obra traz a própria Rita, como vovó Ritinha, a atriz Brigitte Bardot, como papisa BiBi, e Luisa Mell como Lulu. Com o livro, na verdade, Rita retorna ao público infantil. “Nos anos 1980, escrevi quatro livrinhos infantis sobre o ratinho Alex, um personagem ambientalista que luta em defesa do meio ambiente”, lembra ela. “Aliás, a Globo vai reeditar os Dr. Alex.”
    “A história de Rowena merece ser compartilhada com essa nova leva dos pós-millennials, as crianças índigo e cristal, uma geração ávida a mudar a consciência planetária sobre como os humanos devem respeitar todas as formas de vida. Quando fiquei sabendo da história de Rowena, passei dias sem dormir, pensando na tristeza e maus-tratos pelos quais passou durante toda a sua vida, indo parar em circos, sem o básico de cuidado, comendo ração de cachorros, dormindo em jaulas apertadas, bebendo água suja e treinada a se equilibrar sobre uma bola, andar de skate e outras torturas... Depois, foi para zoológicos, em regiões extremamente quentes. Um urso da Sibéria, acostumado a temperaturas baixíssimas. É impressionante o quanto a raça humana ainda está na Idade Média no que se diz respeito aos animais. Bichos não são objetos pessoais, eles sofrem igual a nós, são como crianças que são abusadas e que não têm voz. E ainda existem “eventos” humilhantes para os animais, como circos, vaquejadas, rodeios, farras do boi, touradas, rinhas de galo e de cachorro etc”, contou Rita.
     A cantora conheceu a história por meio da ativista Luisa Mell, que batalhou pelo resgate da ursa, para levá-la do Piauí ao santuário. Para Rita, “Luisa é nossa Bardot tropical, mulher corajosa que peita brigas com poderosos que só pensam em grana usando animais. Acompanho o trabalho dela desde que tinha um programa na TV, chamado Late Show, e segui acompanhando também todas as lutas que trava. Visitei o Instituto Luisa Mell, onde ela abriga cães, gatos, e toda sorte de animais que resgata, e pude ver de perto o respeito e amor com que ampara nossos filhos de quatro patas”, comentou.
     80% do livro são as primorosas ilustrações de Guilherme Francini, nas quais ele consegue colocar a tristeza do começo da história e os momentos felizes do pós-resgate. A ideia da interação com as crianças surgiu do editor, fotógrafo e melhor amigo, Guilherme Samora, que também a acompanhou na visita ao Rancho dos Gnomos, onde hoje mora Rowena, que se tornou uma ursa feliz.
    Par Rita, é importante a atuação de de ativistas como Luisa e Brigitte hoje: “Pois é, acredita que ainda existe gente que diz “por que você não defende crianças ao invés de bichos?”? Eu respondo que uma causa está ligada à outra, ensinando crianças a respeitarem todas as formas de vida, estaremos passando a elas que todos são seres vivos, que sentem e sofrem da mesma maneira. Brigitte e Luisa estão nessa luta há anos, fazendo o trabalho de educadoras. Ambas merecem nossos aplausos e agradecimentos”.

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