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    24/06/2019 08h37 - Atualizado em 24/06/2019

    Marta Vieira da Silva, a rainha do futebol

    "É mais fácil jogar bola, deixa eu jogar"

    Ela nasceu Marta Vieira da Silva, numa cidade pequena do interior alagoano, Dois Riachos, e de lá despontou para o topo do mundo numa atividade que precisou desbravar caminhos difíceis, o futebol feminino. Eleita seis vezes pela Federação Internacional de Futebol (Fifa) como melhor jogadora do mundo, está participando na França de sua quinta Copa do Mundo. É um orgulho nacional. Uma supercampeã forjada à base de tenacidade e raiva quando todos diziam que esse esporte não era para meninas. Nascida no dia 19 de fevereiro de 1986, se sagrou como a melhor do mundo como jogadora de futebol feminino e atua como atacante, abrindo espaço para o sonho de várias meninas-mulheres brasileiras e inspirando jovens mundo afora. Atualmente, joga pelo Orlando Pride FC, dos Estados Unidos. Já foi escolhida como melhor futebolista do mundo por seis vezes, sendo cinco de forma consecutiva. Foi Bola de Ouro em 2004 e, em 2007, foi Bola de Ouro e Chuteira de Ouro. De família humilde, seu pai abandonou a casa, mulher e quatro filhos, quando ela tinha um ano de idade. Marta começou a jogar futebol no juvenil do Centro Sportivo Alagoano (CSA), em 1999. No ano seguinte, foi contratada pelo Vasco da Gama, onde jogou no profissional entre os anos de 2000 e 2002. Do Vasco da Gama foi para o Santa Cruz Futebol Clube de Minas Gerais, onde permaneceu entre 2002 e 2004. Em 2003, vestiu a camisa da Seleção Brasileira nos Jogos Pan-Americanos em Santo Domingo, onde a Seleção ganhou a medalha de ouro. Ainda em 2003, participou do Campeonato Sul-Americano e, em 2004, sua equipe foi medalha de prata nos Jogos Olímpicos em Atenas. Em 2004, assinou com o Umea IK da Suécia. Nas duas primeiras temporadas, o time é classificado em 2º lugar no Campeonato Sueco e Marta é a artilheira com 22 e 21 gols, respectivamente. Seu time foi campeão em 2006, 2007 e 2008. Marta permaneceu na Suécia até 2009. Vestiu a camisa da Seleção Brasileira nos Jogos Pan-Americanos de 2007, no Rio de Janeiro, conquistando a medalha de ouro, onde foi artilheira com 12 gols. Em 2008, a equipe foi vice-campeã nas Olimpíadas de Pequim. No dia 12 de janeiro de 2009, a jogadora anuncia sua transferência para o Los Angeles Sol, dos Estados Unidos. Foi artilheira e levou o clube ao vice-campeonato. No fim de 2009, foi emprestada ao Santos, período em que foi campeã da Copa do Brasil e da Copa Libertadores da América. Permaneceu no Los Angeles Sol até 2010. Em 2011, foi para o FC Gold Pride, sendo artilheira e campeã da Liga de Futebol Feminino dos Estados Unidos. No dia 16 de dezembro de 2010, volta para o Santos, com um contrato de dois meses. Em janeiro de 2011, Marta volta para os Estados Unidos, joga no Western New York Flash e leva o título de campeã da Liga de Futebol Feminino da temporada de 2011. Marta voltou para a Suécia em fevereiro de 2012, contratada pelo Tyresö FF, por um período de dois anos. Em julho desse mesmo ano, Marta integrou a Seleção Brasileira, que participou das Olimpíadas de Londres, onde, nas quartas de final, o Brasil foi derrotado por 2 a 0 pelo Japão. Em 2014, o Brasil foi o campeão sul-americano, disputado no Equador, e a equipe garantiu a vaga na Copa do Mundo e nos jogos Pan-Americanos de 2015, que serão realizadas no Canadá. Após a falência do Tyresö FF, Marta foi contratada, em 2014, pelo FC Rosengard da Suécia. Confira como é para essa mulher, que chegou ao topo do mundo como é a tarefa de romper barreiras. O Brasil joga hoje pelas oitavas de final contra a seleção francesa, às 16h, em Le Havre, na França.

     P - Chegar ao topo do mundo não é uma tarefa simples. Como é para você, que veio de um lugar simples, de família humilde?

     Marta - Quando eu vou dividir uma bola, às vezes, a minha adversária está bem mais próxima do que eu, e aí eu tento buscar força no meu passado. Penso ‘olha onde você chegou, vai conseguir chegar primeiro na bola que ela’. Eu uso muito todas as dificuldades que eu tive na infância, até pouco tempo mesmo, para superar as adversidades.

     P – Quem te inspira até hoje?
     Marta – Minha mãe, por sua luta constante, criando quatro filhos no interior, onde as dificuldades são maiores que em cidades grandes. Eu sabia que teria que fazer algo diferente para tirar a gente dessa situação. E ser atleta era algo distante, pois nem pela televisão era possível acompanhar. Eu via muito sobre futebol masculino, especialmente o Rivaldo jogando, canhoto, camisa 10 da Seleção, jogava no meio. Era tudo o que eu queria pra mim.

     P – Você se mantém em alto nível há mais de 15 anos, desde que conquistou o Pan-Americano de Santo Domingo, em 2003, com a Seleção Brasileira. Seu primeiro prêmio de melhor do mundo foi em 2006?
     Marta – Sim, isso me move. Venci o machismo e a desigualdade na infância e pude, com muito esforço, tornar um sonho realidade. Dizem que sou o retrato do povo brasileiro, que reconhece as adversidades, mas não se recolhe. Pelo contrário, cresce, enfrenta, mata no peito e sai jogando. Porque é somente assim que a vida é capaz de continuar.

     P – Mesmo com toda adversidade, você é uma mulher que carrega um sorriso sempre e, na concentração da Seleção Brasileira, é uma das jogadoras mais animadas e comanda até mesmo a música. De violão na mão, embala o elenco com sucessos brasileiros, em especial de Mano Walter, seu conterrâneo. Qual sua música preferida?
     Marta - Uma de minhas músicas preferidas, “Não Deixo Não”, fala exatamente sobre a manutenção de um estado de espírito sertanejo, interiorano, de alguém que se orgulha das próprias raízes. É assim comigo. Não importa onde esteja. Em Atenas, em Pequim, em Orlando ou na Suécia, sempre serei Marta Vieira da Silva, brasileira, de alma e de nascimento.

     P - De que modo você acredita que o futebol pode ajudar uma nação?
     Marta - Como uma grande força mobilizadora e de união, pois, em um único time ou partida, podem jogar pessoas de diferentes culturas, classe social, cor, religião e sexo.

     P - O futebol feminino é um esporte ainda não muito valorizado no país. O que te manteve firme para seguir na profissão de jogadora?
     Marta - O sonho de chegar a me tornar uma atleta profissional, jogar pelo meu país, ajudar minha família e ser reconhecida mundialmente. Tudo isso fez com que eu não desistisse diante dos obstáculos.

     P - Qual o maior obstáculo que você teve que enfrentar para chegar onde está?
     Marta - A falta de incentivo e de recursos.

     P - Por todas suas conquistas, você é um grande exemplo para muitas mulheres. O que diria para aquelas que sofrem preconceito e lutam para conquistar um lugar em um mundo quase predominantemente masculino?
     Marta - Eu diria que nada é impossível quando se tem um objetivo na vida, quando se tem um sonho.

     P - Como foi a sua infância em Dois Riachos? Sua família te apoiou na decisão de ser jogadora?
     Marta - Vivia nos campos de futebol da cidade, só parava quando estava no colégio. Minha família não era muito a favor, pois naquela época não havia tantas meninas interessadas em praticar o futebol, eu era a única na cidade.

     P – Infelizmente, vemos muitos casos de preconceito contra jogadores negros nos estádios, principalmente na Europa. Isso já aconteceu com você ou alguma companheira?
     Marta - Nunca tive nenhum tipo de preconceito desse tipo, nem presenciei algo assim.

     P - Qual foi o melhor momento da sua carreira até hoje e o pior?
     Marta - São vários, mas acho que a conquista da medalha de prata (nos Jogos Olímpicos) em Atenas (2004) e a final dos Jogos Pan-Americanos no Rio de Janeiro. Esses foram marcantes. Já o pior foi a final do mundial, em 2007, contra a Alemanha (Brasil perdeu por 2×0).

     P - Se não fosse jogadora de futebol, que profissão gostaria de ter?
     Marta - Gosto muito de música, então poderia ser qualquer coisa voltada para a música.

     P – Você é vaidosa?
     Marta – Mulher é vaidosa, e eu fui aprendendo a ficar mais vaidosa no decorrer dos anos. Mulher, quando olha no espelho, quer saber se o cabelo está bom, a maquiagem.

     P – O futebol feminino ainda não é visto como algo normal. Você considera que vá chegar ao ponto em que as pessoas vão ligar a TV e ver futebol feminino como vê o masculino?
     Marta – Vamos, sim, chegar ao ponto de chegar em casa, sentar no sofá da minha casa e ver futebol feminino como assistimos ao masculino, como algo normal e constante. É, com certeza, gratificante ouvir de um garotinho que ele te admira e te segue, é o resultado do que pregamos sobre inclusão social, igualdade de gênero e empoderamento da mulher, não só pelas mulheres. Explorar para que tenhamos mais igualdade.

     

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