• Assine (35) 3529-2750

    Fale Conosco contato@folhadamanha.com.br

    WhatsApp (35) 9 8829-8351

    ÁREA DO
    ASSINANTE
    ESQUECEU SUA SENHA?
    Você receberá em seu e-mai uma nova senha para login.
    

    Assine 35 3529-2750

    Fale Conosco contato@clicfolha.com.br

    WhatsApp 35 9 9956-5000

    
    21/06/2019 05h00 - Atualizado em 19/06/2019

    Festa das tradições: fé, cores e sabores

    Thomas Madrigano - Da Redação

    O administrador Marcelo Araújo tem 34 anos e se recorda com carinho das festas que frequentava na época escolar. “Era realmente um período muito divertido, a criançada se reunia, os pais também iam, e era uma maneira de resgatar nossas tradições, embora naquele momento não tivés-
    semos consciência disso”, relatou.
    Araújo conta que cresceu em Campinas, mas desde 2018 vive em São Sebastião do Paraíso. “Ainda não tive tempo de aproveitar as festas daqui, mas já ouvir falar que há algumas bem tradicionais na região. Sem dúvida, será muito bacana ir a uma delas e ter aquela sensação de novo, e também poder ver o que mudou e o que continua igual”, disse.
    Embora a festa esteja bastante associada, hoje, à cultura popular e ao resgate da identidade rural do povo brasileiro, o seu simbolismo percorreu um longo trajeto até chegar aqui. Conforme relata Itamar Teodoro de Faria, mestre em História, professor e diretor acadêmico da unidade de Passos da Universidade do Estado de Minas Gerais (Uemg), ela foi trazida ao Brasil pelos portugueses como uma celebração religiosa. “Antes de popularizar a denominação Festa Junina, era largamente utilizada a referência ‘Festa Joanina’, uma festa em homenagem a São João Batista, santo católico amplamente cultuado e celebrado em Portugal”, informou.
    Ele explica que o dia dedicado a São João Batista – 24 de junho – não foi escolhido aleatoriamente. “É expressão de um esforço e estratégia da Igreja Católica em cristianizar uma tradição pagã que persistiu na Europa pelo menos até o século 10: as celebrações em torno do solstício de verão, quando acontece o dia mais longo e a noite mais curta do ano”. Esses rituais, segundo Faria, eram realizados por diversos povos, desde celtas a egípcios, e tinham como objetivo pedir fartura para as colheitas. “Era tradição acender fogueira, dançar em volta do fogo, celebrar as alegrias do convívio e do anúncio de meses abundantes”.
    Podemos observar, aí, as raízes da Festa Junina atual. Mas, quando ela chegou ao Brasil, já cristianizada, havia outras influências que se faziam notar. Faria conta que as danças marcadas, características da França, foram a inspiração que deu origem às quadrilhas. Já as danças de fitas são peculiares de Portugal e Espanha. “A esses elementos, com o passar do tempo, misturaram-se aspectos culturais característicos do sincretismo cultural brasileiro, nas diversas regiões, assumindo características próprias em cada uma delas”.
    O professor ressalta que no Brasil sempre houve uma dicotomia entre a religião oficial e a popular. Um dos motivos é a dimensão continental do país, que dificultava a presença de padres em todos os rincões para garantir a estrita observância das tradições católicas. Ademais, com uma população de maioria analfabeta, o desenvolvimento de uma forma própria de viver a religiosidade era quase inevitável.
    Com o processo de urbanização, a lembrança da vida rural, com as tradições populares, acabaram por marcar a celebração da Festa Junina. “À medida que o país vai se industrializando e urbanizando, várias práticas que eram comuns no mundo rural sobrevivem nas festas, no mundo urbano, como uma memória. As comidas típicas, o chapéu de palha, as roupas com remendos são referências a esse passado rural que sobrevive simbolicamente”, explicou o professor Itamar.
    Na região, uma das Festas Juninas mais tradicionais é a de São João Batista do Glória, que celebra, no dia 24 de junho, além do dia de seu santo padroeiro, o aniversário de emancipação da cidade. Segundo Leandro Garrossino, diretor municipal de Turismo, essa tradição data de muito tempo – desde a década de 50, há o registro da celebração, que ocorria na Capela do Rosário.
    Garrossino diz que, durante anos, essa comemoração ficou esquecida, mas a tradição foi resgatada em 2004, e, de lá para cá, não mais deixou de acontecer – atualmente, é celebrada no Largo da Matriz. “Neste ano a comemoração será de 21 a 24 de junho e, durante esses dias, serão apresentadas várias manifestações religiosas, folclóricas e culturais como: folia de reis, terno de congo, terço dos homens, quadrilha, desfile cívico, apresentação da banda do batalhão da Polícia Militar, orquestra de viola caipira, fanfarra, corrida de São João e vários shows musicais”. De acordo com ele, ao longo dos quatro dias, costumam passar aproximadamente 12 mil pessoas pelos eventos.
    O diretor também destaca o impacto econômico da festividade: “Movimenta o comércio como um todo, as pessoas compram roupas, calçados para ir aos eventos. Durante a festa tem a praça de alimentação, que é montada por comerciantes glorienses e oferece pratos típicos e bebidas”. A estimativa é que 150 pessoas sejam beneficiadas com empregos diretos. Além disso, 300 postos de trabalho indiretos devem ser gerados: garçons, camareiras, faxineiras e cozinheiras.
    Em Passos, a Festa Junina também está presente na vida da sociedade. A Apae do município já está em sua 15ª edição da festividade. Para a realização deste ano, a instituição buscou recursos junto a parceiros. “Procuramos patrocinadores para nos ajudar nas despesas da festa. Graças a Deus, as pessoas são solidárias à causa da Apae”, disse a assistente social Ana Lucia Magalhães.
    A instituição, filantrópica e sem fins lucrativos, atende 689 alunos/usuários, nas áreas de saúde, educação e assistência social. Para tanto, conta com 91 funcionários. Manter toda essa estrutura tem seu preço, e celebrações como a Festa Junina ajudam a manter as contas em dia. “Nossas despesas são enormes e, para podermos arcar com os nossos compromissos, necessitamos fazer vários eventos no decorrer do ano”. É a beleza da festa que se fez popular e, agora, na exaltação dos costumes do passado, vem em socorro do presente.
    As festividades na Apae, que ocorrerram nos dias 13 e 14 de junho, não deixaram de contar com a comilança característica: caldo de feijão, canjica, pipoca, quentão, pastel, torresmo, porção de carne com mandioca. O evento também contou com brinquedos infantis e leilão de brindes.
    Mas a Festa Junina também auxilia o comércio em geral, como atesta João Paulo Paim, gerente de compras do Rilda Supermarket: “No ano passado, houve um aumento de 15% em vendas na parte de milho e amendoim”. No entanto, ele reitera que também há um crescimento expressivo na comercialização de doces, como doce de leite, de goiaba, rapadura e também em relação à cachaça. Aline Ferreira Carvalho, gerente da Dissul, diz que a venda de doces também costuma ter um aumento de 15% nessa época do ano. Ademais, há acréscimo na comercialização de acessórios e enfeites, como bandeirinhas, balões e espantalhos, sem contar as roupas típicas, exclusivas da data.
    A importância da Festa Junina, porém, vai além do aquecimento do mercado. A brasa da sua fogueira também arde na consciência coletiva; é a chama que ilumina o caminho trilhado, ligando o passado ao presente. Como revela o professor Itamar Teodoro de Faria, a festa tem origem pagã, mas, acima de tudo, popular. Ao longo dos anos, ela foi sendo incorporada por outras culturas e tradições: evoluiu; adaptou-se. Mas, com todas suas metamorfoses e simbolismos, nunca deixou de preservar a sua essência: uma festa do povo para o povo.
     

           

    Confira esta e outras matérias na nova edição do GR 

    Mais sobre a editoria

    Guia da Cidade
    INCLUA SEU ESTABELECIMENTO

    Assine (35) 3529-2750

    Fale Conosco contato@folhadamanha.com.br

    WhatsApp (35) 9 8829-8351

    © 1984 - 2019 Folha da Manhã. Todos os direitos reservados.
    Desenvolvido por Mediaplus