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    19/06/2019 11h02 - Atualizado em 19/06/2019

    O som que cura

    Fernanda Freire - Da Redação

    Para além de ouvir música da forma tradicional, a passense musicoterapeuta Talita Abreu Rodrigues, de 31 anos, conecta elementos musicais à arte e à terapia. Ao trabalhar a melodia, o som e a harmonia, Talita encontra o ritmo balanceado para auxiliar no tratamento de problemas de saúde física, emocional, mental, social ou cognitiva. Denominada musicoterapia, a prática exige um profissional qualificado, com formação, para facilitar expressão, relacionamento, aprendizagem, organização e mobilização. Talita busca, a partir da observação clínica de seus clientes, desenvolver potenciais ou resgatar funções para promover melhora na qualidade de vida por meio da prevenção, reabilitação ou tratamento de doenças.
    Em Passos, a musicoterapeuta desempenha o trabalho em atendimentos individuais ou em grupos, com pacientes da Santa Casa e alunos da Universidade Aberta para a Maturidade (Unabem), projeto da Universidade do Estado de Minas Gerais (Uemg). Suas ferramentas para o trabalho são a voz e seu companheiro de longa data, o violão. Sem exigir público específico, a musicoterapia é um processo em que qualquer pessoa pode ser beneficiada. “Não precisa saber cantar ou tocar instrumentos. Aqui todos os estilos musicais são respeitados, pois vêm da história de cada cliente”, disse Talita. Durante as sessões, a musicoterapeuta estimula a audição, a recriação de canções existentes, a improvisação e a composição, para que a música seja mais um meio de expressão do paciente e dos familiares frente à sua problemática. “Ninguém se interna sozinho, o paciente vem com uma história de vida e temos que dar suporte a isso também”, observou Talita.
    Algumas vezes é difícil expressar com palavras sentimentos como o medo, a ansiedade, a aflição, alegria, internação prolongada, vínculo familiar fragilizado, “e com a música, podemos resgatar tudo isso. Onde a palavra falha, a música fala”, garantiu Talita. A musicoterapeuta listou alguns dos benefícios da prática em curto e longo prazo: diminuição da dor através da distração de músicas de acordo com sua Identidade Sonora (ISO), regulação dos batimentos cardíacos controlando a ansiedade, liberação de emoções e atitudes desconhecidas, antidepressivo, alívio do estresse, diminuição de delírios em tempo prolongado de internação, minimização de traumas do parto e melhora do relacionamento interpessoal entre o doente e o familiar. “A música proporciona aos familiares um momento essencial no enfrentamento e em sua percepção das necessidades existenciais e espirituais, ampliando as possibilidades de integração e humanização”, pontuou.
    A ideia para estudar uma área não convencional em hospitais surgiu há 11 anos, quando a Santa Casa proporcionou a Talita a oportunidade de estagiar e produzir sua monografia com estudo de caso de um paciente oncológico. “A partir daí não tive dúvida da área que eu gostaria de atuar. 10 anos se passaram e tive o prazer de receber o convite do diretor administrativo Daniel Porto para trabalhar na instituição, a qual sempre admirei e demonstrei interesse”, recordou.
    Na Santa Casa, o projeto do coral terapêutico ganhou vida em 2015 em parceria com a psicóloga Larissa Reis, com idosos beneficiários do plano de saúde da instituição. A partir dessa experiência, ganhou-se o espaço para a musicoterapia dentro do hospital, porém, com o atendimento individual, na maioria das vezes. Restritas aos beneficiários que possuem 60 anos ou mais, as sessões acontecem às sextas-feiras, das 9h às 9h50. Em 2015, Talita lembrou que havia três inscritos para o coral e hoje somam-se doze. A resistência em participar, ponderou Talita, se dá pelo receio de cantar ou tocar instrumentos desconhecidos. Mas a musicoterapeuta explicou: “somos um coral que não visa estética”.
    A professora aposentada Ermelinda Penha Freire, de 73 anos, contou que os encontros do coral terapêutico acontecem no Centro de Vida Saudável. “Esse local é uma complementação do plano de saúde da Santa Casa, que atende pessoas que têm interesse em determinadas atividades que se realizam lá”, disse. Quando soube que o exercício de musicoterapia estava incluso no plano, Ermelinda não teve dúvidas. “É uma atividade que ajuda muito a gente que é idoso, nos deixa com a sensação de leveza, com a mente ativa. Eu fui para o coral para conhecer, há dois anos, e nunca mais parei”, descreveu.
    Mesmo não tendo “voz de cantora”, a aposentada não se preocupou com a tonalidade. “O que importa é a maneira como você desempenha os exercícios vocais”, assegurou. Cantar sozinha é legal, mas dona Ermelinda prefere mesmo cantar em grupo. “Esse encontro semanal é precioso para mim, venho com muita alegria. Diminui qualquer desconforto. A gente se encontra para se alegrar, para conversar e para estar em contato com as pessoas. O cantar é quase um resultado disso tudo”, falou.
    O contato com a música proporciona a ela uma tranquilidade “muito maior do que qualquer dinheiro possa comprar”. “Eu aprendi a investir na qualidade de vida emocional”, relatou a professora aposentada. Essa tranquilidade que a dona Ermelinda conta, tem trilha sonora: Tocando em Frente, de Almir Sater. “Essa canção penetra em mim, me faz seguir em frente. Me faz crer que temos que resolver o que nos aparece, pois amanhã é outro dia diferente e assim vamos, tocando em frente”, brincou.

    As 40 vozes da Unabem

    Já com a turma da Unabem, Talita iniciou o trabalho antes, em 2011. A oportunidade surgiu a convite da coordenadora da Unabem, Leila Suhadolnick, e o coral ensaia todas as quintas-feiras, às 16h30. No começo de toda aula a musicoterapeuta prepara um aquecimento vocal, depois um ensaio das músicas que estão na pasta das 40 mulheres que compõem o grupo e, ao final, Talita apresenta uma nova música. O repertório, na maioria das vezes, é escolhido pelas alunas, com músicas antigas que relembram histórias de vida ou momentos especiais.
    Para equilibrar as diferentes tonalidades, Talita explicou que trabalha de modo uníssono. “Mas algumas integrantes cantam em corais de igrejas, e elas mesmas fazem a segunda voz, o contracanto. A ideia é ser um coral terapêutico e como consequência vem a afinação”, ponderou. Para os idosos, esse exercício é importante para a autoestima, socialização, memória e dicção. “Além de contribuir com melhora na respiração, postura, entre outros”, acrescentou Talita.
    A primeira dificuldade observada pela professora é quando as alunas entram em contato com músicas atuais; muitas vezes, o grupo se apresenta resistente. “Mas logo damos significado à música. Quando isso não acontece, tiramos do repertório”, afirmou.
    A última apresentação do grupo foi no Dia das Mães. A próxima, de acordo com a musicoterapeuta, será em agosto ou antes, caso recebam algum convite. “Geralmente cantamos em formaturas, missas, aberturas de simpósios e seminários, eventos da prefeitura, como a semana do idoso em setembro, e na cantata de Natal. O mais legal é o apoio da família de cada integrante. Muitas vezes, os filhos precisam levar e buscar, levam os netos para assistir e tudo isso contribui para o melhor resultado do grupo. É nítido ver a autoestima, o entusiasmo e a socialização entre elas”, testemunhou.
    A aposentada Virgínia Gertrudes Severina de Almeida, de 63 anos, já reúne cinco anos na instituição. Antes do grupo, Virgínia cantava no coral da Igreja São João Batista, em São João Batista do Glória, e também contou que participou de algumas apresentações na Paróquia São Benedito e na Nossa Senhora Aparecida. Mesmo com o conhecimento com o microfone e o público, ela garantiu que o coral contribuiu muito para o seu aprendizado. “Crescemos em qualquer experiência nova. Aqui eu amadureci, aprendi a ouvir, entender e aceitar diversos pontos de vistas”, falou.
    A música, para Virgínia, representa paz, alegria e amor. “Quando eu ouço uma música, eu me concentro: vivo aquele som, vou para longe com a alma, mas estou com o coração perto”, narrou. Para a aposentada, ela e seus amigos da Unabem estão na melhor fase. “Estamos vivendo sem ter a vergonha de ser felizes e fazendo aquilo que gostamos”, descreveu. Aos que ficam receosos, ela aconselhou “participar sem receio”, pois o coral é um espaço que “não precisa ser profissional, basta cantar com o seu interior”. No coral, as músicas que Virgínia mais gosta são de Roberto Carlos. “Eu sou apaixonada pelas canções que ele produziu e meu grande sonho é assistir a um show dele ao vivo”, almejou. 

     

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