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    19/06/2019 09h38 - Atualizado em 19/06/2019

    Opinião: A democratização do nada e a possibilidade de algo

    O filósofo e historiador John Kenneth Galbraith consagrou-se com a sua obra ‘A era da incerteza’ (documentário e livro), na qual trata dos rumos incertos da economia global no século XX, que se prorrogam no presente século e não se vislumbram horizontes próximos de estabilidade.
    Tomando de empréstimo o título de sua obra, podemos afirmar que vivemos em uma era de incertezas não somente no campo da economia, mas também em outras dimensões da vida em sociedade, tais como na política, na religião, na questão ambiental... como palco das propostas e experiências as mais variadas possíveis, de ideologias da extrema esquerda à extrema direita, de comunismo, fascismo, capitalismo. De radicalismos islâmicos a fundamentalismos cristãos, e, no intervalo destes extremos, da profusão de seitas e denominações para todos os credos. No meio ambiente, com manifestações dos profetas do apocalipse ambiental e, em sentido contrário, daqueles que negam totalmente as consequências muitas vezes danosas da intervenção humana na natureza.
    Se em passado próximo a discussão sobre todos esses temas era quase que restrita ao meio acadêmico e intelectual, o advento das mídias sociais possibilitou o acesso a todos à discussão, democratizando a oportunidade de opinião sobre tudo e sobre todos. Mas, na mesma proporção em que se amplia a participação popular, reduz-se a qualidade do debate, pois cada vez mais gente opina a respeito de mais assuntos que entende cada vez menos. É o paradoxo da quantidade versus qualidade, na razão direta e inversamente proporcional. Ou seja, temos milhões de doutores de tudo e que não sabem nada, ou quase nada. E que se observa, principalmente, nas mídias referidas, com os debates infindáveis, inconciliáveis, de agressões, de histerias e de radicalismos de todos os espectros. É o tudo que é nada, e que só produz vacuidades, que vão se repetindo, se repetindo, se repetindo... sem chegar a lugar algum (nauseante!).
    Durante o auge do totalitarismo nazifascista na Europa, com a Segunda Guerra Mundial em curso, Oskar Schindler, um industrial alemão, correndo risco de morte, livrou centenas de judeus dos campos de extermínio nazistas (muito bem retratado no filme ‘A lista de Schindler’, vencedor de sete Oscars). Se não estava em seu poder a eliminação de tão terrível regime totalitário e muito menos dar fim à guerra, fez o que se encontrava ao alcance das suas possibilidades, dentro da sua limitação... mas fez! Não, porém, sem se lamentar ao final, porque reconheceu que, naquelas circunstâncias tão graves, poderia ter feito mais, ter aberto mão de bens pessoais, vendendo-os, para poder comprar a liberdade de mais pessoas.
    Diante da complexidade da era de incertezas na qual estamos imersos, sem resposta ou solução para as grandes questões que se apresentam, e que escapam à nossa capacidade de resolução, podemos e devemos, ao menos, voltar a nossa atenção e esforços às que estão no nosso entorno e se encontram dentro dos nossos limites de compreensão e de ação. E a hora é agora. Posteriormente, pode não ser mais possível. Nesse grande teatro que é a vida, podemos, todos, cada um em sua dimensão própria, ser protagonistas. Afinal, atos pequenos e cotidianos, quando reunidos, formam o que os historiadores costumam chamar de “A Grande História”.

    Só podemos ser senhores do que compreendemos.

    WASHINGTON L. TOMÉ DE SOUSA é bacharel em Direito, ex-diretor da Justiça do Trabalho em Passos, escreve quinzenalmente às quartes, nesta coluna.


    SÓ PODEMOS SER SENHORES DO QUE COMPREENDEMOS 

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