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    14/06/2019 08h30 - Atualizado em 14/06/2019

    Estadual instala varal solidário

    Fernanda Freire - Especial para a Folha

     Os pedestres e motoristas que transitaram pela entrada da Escola Estadual Professora Júlia Kubitschek ficaram curiosos com um varal repleto de roupas, produtos de higiene, acessórios e calçados. O projeto é uma iniciativa de quatro alunas do 1º ano I do Ensino Médio que desabrocharam a ideia de praticar a solidariedade durante as aulas da disciplina Educação para a Cidadania e Projeto de Vida do Ensino Integral e Integrado.
     As alunas Gabriela Aparecida Silva Costa, Letícia Gonçalves da Silva, Stefany Marques e Tamires Aparecida Noronha dos Passos começaram a arrecadar e a pendurar as roupas no varal há uma semana. Elas recordam que no primeiro dia, em 6 de Junho, haviam apenas três peças e hoje já são dezenas recebidas diariamente. Para o grupo de amigas, o projeto que acabou de começar não tem prazo de validade. “O varal vai durar até quando a população puder ajudar”, garantem.

    A arrecadação
     Para arrecadar as peças, as meninas contaram que foram “com a cara e a coragem” para abordar lojas de roupas, calçados, farmácias e pedestres na busca incessante por doações. “E temos certeza que mais pessoas podem ajudar. No mínimo todo mundo tem uma peça de roupa sobrando no fundo da gaveta que não usa mais”, acredita Gabriela.
    Nos primeiros dias, as meninas ficaram receosas de deixar o varal sozinho, sem nenhuma supervisão. Mas foram se conscientizando e “esse acabou se tornando um experimento social de honestidade”, consideraram. “Não ficamos mais de olho em tempo integral, montamos às 7h30 e retiramos às 15h30. Deixamos o varal livre, sem fiscalização. É preciso mostrar confiança à sociedade e fazê-la compreender a importância social desse projeto. Minha maior emoção foi o final do primeiro dia, em que nos abraçamos ao voltar e perceber que não tinha sobrado nenhuma roupa”, falou Gabriela.
    Como as meninas não tem um estoque de roupas, cada final de dia é uma surpresa. “Tem dias que o varal fica só com os pregadores. Outros, que sobram umas duas peças. E é aí que o nosso trabalho começa de novo. Mesmo com a correria para buscar doação de diversas fontes dia após dia, nunca nos falta roupa para estender. É gratificante fazer uma pessoa feliz todos os dias”, detalhou Letícia.
    A pretensão de Tamires é fazer o varal circular a cidade. “Seria uma emoção imensa vê-lo em mais pontos, até alcançar outros bairros. Mas não conseguimos fazer tudo sozinhas, precisamos da ajuda dos moradores. Eu gosto de fazer projetos sociais, é importante sair do espaço da sala de aula para ser protagonista de alguma ação em prol da comunidade”, declarou.
    Além das roupas, a maior carência das meninas tem sido a doação de produtos de higiene pessoal como desodorantes, absorventes e creme dental. “Estamos procurando parcerias com empresas e farmácias, muitos moradores de rua se queixam que não tem como se manterem minimamente limpos. Estamos fazendo a nossa parte para ajudar com o que podemos”, relatou Tamires.
    Já Stefany teve mais ideias após a realização do varal. “Os moradores de rua me motivaram”, confessou. “Farei de tudo para doar carinho independente da maneira que for. Essa atividade me ensinou ainda mais sobre o que é compartilhar”, afirmou.
    A população tem abraçado a causa, doando pares de sapato e pendurando algumas roupas no varal. Outros moradores, que estão de carro ou moto, soltam palavras de incentivo dentro do carro e as meninas ficam lisonjeadas. “É muito gratificante receber esse contato da sociedade, nos motiva a continuar”, contaram.

    A montagem do varal
    Para montar o varal quase todos os materiais foram emprestados ou doados. A corda veio de presente do vice-diretor Carlos Magno de Queiroz, as mesas para colocar os sapatos são da própria Escola e os prendedores, da professora Mônica Ash, que ministra a disciplina que deu origem a esse projeto. Na visão de Mônica, o varal mudou a rotina dos alunos na Escola. “Alterou a forma como eles estão acostumados a se relacionar com esse ambiente, tornando-os agentes diretamente responsáveis pelas ações. A valorização e o incentivo ao protagonismo dos adolescentes é o meu principal objetivo com essa disciplina”, reconheceu.
    Essa atividade, como explicou a professora, fez parte dos estudos que os alunos realizaram desde o início do ano letivo. “Em um primeiro momento os alunos foram convidados a exercitar o seu olhar sobre a cidade. A partir daí, começamos a debater violações de direitos e o que chamou atenção dos alunos dos primeiros anos do ensino médio integral, foram as pessoas em situação de rua. A partir daí, começamos a pensar em soluções possíveis estivessem ao nosso alcance. O Varal Solidário foi uma dessas ideias”, retratou Mônica.
    O varal, de acordo com a professora, é uma resposta à forma como perceberam as necessidades do outro e a maneira imediata de ajudar, sem que para isso, tenham que escolher uma instituição específica. “A ideia é justamente, fazer o bem sem olhar a quem. A atividade tirou os alunos da inércia e os transformou em indivíduos conscientes da importância de seu papel enquanto cidadãos ativos. Exercitar valores e conceitos como a cidadania na escola, ajudam no exercício da percepção da sua realidade em que estão inseridos e seu papel no mundo”, evidenciou.
    Mônica concordou que o projeto também tem o intuito de funcionar como uma ferramenta de estudo do comportamento social. “Existe uma troca com a proposta: pegue o que você precisa e deixe o que você não usa mais”, expôs.
    A maior lição, na visão do diretor Itamar José de Oliveira Júnior, são as atitudes de persistência e determinação. O diretor recordou que essa é a primeira iniciativa na escola assim, antes só haviam sediado campanhas de arrecadação. “A professora estimulou, claro, mas os alunos já tem dentro deles o dom de doar e o interesse em pensar no próximo. Fico feliz que eles perceberam que as necessidades não tem prazo. Hoje pode ser o frio, mas amanhã pode ser o calçado. Estou muito satisfeito com a maneira como eles assimilaram o conteúdo e fizeram, com as próprias mãos, na prática”, reconheceu Itamar.

    O varal dos sonhos
    O varal solidário teve relação com a atividade varal dos sonhos, ministrada por Mônica para todas as turmas do 1º ano. Essas duas ideias se completaram, já que, nas palavras da aluna Gabriela Costa, “de nada, adianta a gente sonhar, se a gente não vestir os nossos propósitos”.
    Assim, através de uma dinâmica, as meninas incentivaram os colegas a buscar imagens e frases que remetessem aos seus objetivos, para que através do processo de visualização, eles pudessem compreender os passos necessários para a realização dos seus anseios futuros. O varal solidário, veste urgências e, para além dos dias frios, pedimos que fossem doados também, produtos higiene pessoal. 

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